Clipping - Fonte: Ashoka

15/02/2012 - 00:00

Internet: um novo paradigma no direito à comunicação

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Transcorrido quase um mês da polêmica desocupação de Pinheirinho, muitos internautas continuam dando repercussão ao emblemático caso. Redes sociais, blogs e outras mídias independentes noticiaram situações de violência e abuso muitas vezes velados pelos principais canais de comunicação, apontando um momento de grande modificação que a mídia virtual tem provocado nas comunicações.

Que a Internet se estabeleceu como uma força poderosa para garantir o direito de comunicação não é nenhuma novidade. O que não estava previsto é que fosse usada de forma empreendedora para difusão de conhecimento, informação e defesa de direitos fundamentais à vida, em um uso social da ferramenta. A organização não governamental Repórter Brasil, que preza pela proteção de direitos humanos fundamentais e preservação do meio ambiente, também se baseia na democratização da comunicação para ampliar sua atuação e garantir a efetividades das suas ações.

Mas como isso pode ser feito? O trabalho da Repórter Brasil envolve dois alicerces que sustentam seus objetivos: jornalismo investigativo e educação. A fórmula básica da Repórter Brasil, de acordo com o editor da Agência de Notícias Daniel Santini, é "ouvir as pessoas e dar voz aos brasileiros", muitas vezes anônimos residentes de locais distantes e com direitos fundamentais violados, vítimas de trabalho escravo, por exemplo. Mas o "ouvir e dar voz" implica em inúmeras outras consequências que fazem grande diferença na conquista de um país economicamente saudável e também mais justo e equitativo, como denunciar empresas e cadeias de produção que degradam o meio ambiente e fazem uso de trabalho infantil.

Jornalismo e Pesquisa – A primeira grande área de atuação da ONG constitui o trabalho jornalístico investigativo, que denuncia problemas sociais e ambientais que acompanham o crescimento econômico do Brasil. A Repórter Brasil conta com equipe de jornalistas e pesquisadores, que percorrem o país para garantir o direito de comunicar de milhares de pessoas privadas de integridade física e moral. A partir de publicação de matérias e reportagens, muitas denúncias são encaminhadas aos órgãos competentes. Além disso, gera-se um debate em torno dos problemas delatados, propiciando à sociedade acesso a informações pouco conhecidas. Praticamente toda a pesquisa realizada pela equipe da organização é disponibilizada gratuitamente no site.

O trabalho de cobertura jornalística pode ter seu impacto medido a partir das mudanças que promove. Nesse quesito, a Repórter Brasil se diferencia de muitos veículos de comunicação por ter transformado diretamente a realidade de pessoas vítimas de atentados à vida, ao trabalho digno e à moradia. Suas reportagens-denúncia são atualmente fonte de informação para órgãos públicos e organizações de apoio, que atuam para reverter o dano causado por empresas mal intencionadas e infratoras.

Metodologia educativa – A garantia da democratização da comunicação passa pela construção de conteúdo, apropriação do discurso e de tecnologias, assim como a sociabilização do conhecimento. Como um sistema constituído por várias partes, nada seria possível sem uma formação educativa capaz de emancipar, de trazer autonomia suficiente para que as pessoas possam, por exemplo, sair de situações de violação. Por conta disso, o programa "Escravo, Nem Pensar" atua na formação de educadores e trabalhadores populares na difusão e construção do conhecimento sobre legislação trabalhista, ecológica e de outras relacionadas à defesa de direitos humanos fundamentais, estabelecidos na Constituição Federal/1988.

As pesquisas realizadas pela organização geram políticas públicas importantes, como o Pacto Nacional Erradicação do Trabalho Escravo, que tem mais de 100 empresas associadas e é fonte de pesquisa para toda sociedade. Assim como outros veículos que compõem a mídia cidadã no Brasil, a Repórter Brasil se caracteriza como parte de um novo grupo de pessoas que não apenas divulga, mas que demanda cidadania e exige respostas do governo e também da sociedade, já que, uma vez conhecedora de problemas e transgressões legais, ela pode optar por cadeias produtivas que efetivamente geram desenvolvimento ao país e aos cidadãos.

A matéria pode ser acessada no link http://www.changemakers.com/pt-br/blog/internet-um-novo-paradigma-no-direito-%C3%A0-comunica%C3%A7%C3%A3o



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