23/06/2010

Empresa Marborges contesta reportagem sobre dendê no PA

Por Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis

A empresa Marborges, citada na matéria "Novos projetos reacendem debate sobre sustentabilidade do dendê n Amazônia", entrou em contato com a Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis após publicação do texto para responder a questões referentes a denúncias feitas por trabalhadores rurais da comunidade de Jambuaçu, recolhidas por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA). Leia a seguir a íntegra da mensagem enviada pela Marborges:

"Segundo depoimentos colhidos por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) entre trabalhadores da comunidade quilombola de Jambuaçu, no município de Moju, por exemplo, intoxicações com agrotóxicos, contaminações de igarapés e problemas trabalhistas têm ocorrido regularmente na empresa Marborges, uma das signatárias do Protocolo Socioambiental.

RESPOSTA
Os pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) não se certificaram da veracidade das denuncias junto à Marborges. Se o tivessem feito, teriam encontrado que o uso de defensivos agrícolas na Marborges é mínimo e praticamente restrito ao herbicida glifosato utilizado no controle de gramíneas e outras invasoras nos plantios novos de dendê. A aplicação é esporádica e em dosagens baixíssimas (1,5 a 2,0 litros por hectare). O produto glifosato é de baixa toxicidade e não temos registros de intoxicação. De qualquer maneira, nos funcionários que trabalharão com defensivos agrícolas é feita uma prévia consulta médica para assegurar se os mesmos estarão aptos para exercerem esta atividade. São realizadas também palestras de esclarecimento sobre o produto a ser manuseado, forma correta de aplicação, noções de higiene, informações do equipamento, etc. A empresa dispõe de Médico, Engenheiro e Técnicos de Segurança do Trabalho que fazem o monitoramento dos Equipamentos de Segurança (EPIs). De acordo com o trabalho exercido, é fornecido o equipamento adequado para cada atividade específica.

Além disso, após o término dos trabalhos toda a roupa utilizada é recolhida para lavanderia da empresa. No dia seguinte é entregue outra roupa de proteção devidamente lavada. Todas as atividades são supervisionadas por um Técnico de Segurança devidamente habilitado pelo Ministério do Trabalho.

O controle de outras pragas é biológico através de iscas de feromônios, como no caso do controle do Rhyncophorus palmarum, ou com calda de macerado de lagartas doentes para o controle das pragas desfolhadoras. Os funcionários, meio ambiente e inimigos naturais dessas pragas não são de forma alguma afetados por essas aplicações.

A principal doença do dendê é o amarelecimento fatal que é controlada com o uso de cultivares resistentes provenientes do cruzamento do dendê nativo Caiaue com o dendê africano.

O DENDÊ OU PALMA DE ÓLEO É PROVÁVELMENTE A CULTURA QUE MENOS UTILIZA DEFENSIVOS AGRÍCOLAS

- Os trabalhadores A.C. e A.S. pediram demissão da Marborges depois de dois anos de trabalho "porque o pagamento não compensa". "É somente um salário [mínimo] mais a produção, mas a gente estava tirando de R$ 150 a 200. A gente acordava às 2h, 3h para chegar no "bloco" as 5h30. A gente leva a marmita e a água. Eu jogava a química. (...) A química é água misturada com esse veneno. A gente usa mascara, luva, um vestimento amarelo, mas mesmo assim entra na gente. Com a química na mão eu ia comer. Você fica doente. Eu sentia muita dor de cabeça. A empresa tem um consultório e a agente paga quinze reais para se consultar", afirmou A.C.

"A Marborges é uma firma muito grande, mas os trabalhadores não têm alojamento. Eles andam 10, 15 quilômetro pra chegar no serviço. Tem gente que sai 3 horas da madrugada de bicicleta pra chegar no serviço. (...) Não tem ônibus lá pra pegar o povo. Não tem nada. É bicicleta que eles dão, mas é descontado no fim do mês. (...) Se o cara fura a mão nos treco de dendê, eles não dão atestados", afirmou o trabalhador V.A.

RESPOSTA
A empresa disponibiliza refeitório que serve refeições de boa qualidade a preços subsidiados aos funcionários que estiverem interessados. O cardápio é supervisionado por tecnóloga em alimentos. A maior parte dos funcionários agrícolas opta por trazer as suas refeições de casa. Para isso a empresa disponibiliza marmita e garrafa térmicas.

Em pontos estratégicos nos plantios, a empresa construiu abrigos com mesa, bancos, lavatório e banheiros masculinos e femininos, para higiene e conforto dos funcionários agrícolas.

O horário do inicio das atividades agrícolas é às seis horas da manhã e não às cinco e trinta, como descrito na reportagem. O horário é compatível com o clima e latitude onde o empreendimento se encontra.

A Marborges fica situada em uma área onde existem diversas Comunidades dispersas no entorno do seu empreendimento, não possuindo alojamento para funcionários de campo em razão de sua estratégica posição geográfica e que por ocasião da admissão em seu quadro funcional privilegia os trabalhadores das localidades vizinhas que tem oportunidade de ir e vir com seu próprio meio de transporte de duas rodas: bicicletas ou motocicletas. Não havendo o infortúnio de após o término de suas atividades ficarem esperando "horas a fio" pelo recolhimento de todos os funcionários, atrasando ainda mais o retorno ao seu lar.

As bicicletas são compradas pela empresa diretamente da fábrica e são repassadas para os funcionários a preço de custo, descontado em dez vezes (permitido pela legislação trabalhista em vigor). Este sistema tem ampla aprovação dos trabalhadores que não são de forma alguma obrigados a comprar. Contudo, solicitam que a compra seja realizada, escolhendo a cor e modelo, e contam com o nosso apoio visto que este meio de transporte é saudável, ecologicamente correto e muito utilizado na região, sendo aproveitado também por seus familiares.

Todos os trabalhadores que são admitidos sabem das peculiaridades da empresa e, mesmo alguns morando cerca de 10 km de distância, tem enorme interesse em fazer parte do Grupo Marborges, pois sabem que os seus direitos trabalhistas estarão garantidos e terão remuneração compatível com o seu desempenho que na média gira em torno de R$750,00 ( salário mínimo + produção).

A empresa se empenha em tomar todas as medidas possíveis para evitar acidentes. No entanto quando porventura estes ocorrem, são emitidas CAT's e a Marborges arca com todas as despesas médicas do tratamento e recuperação do funcionário. Periodicamente todos os funcionários são submetidos a exames médicos gratuitos. Apenas as consultas particulares realizadas em clínica conveniada são cobradas.

A Marborges também disponibiliza atendimento médico na área de prevenção de câncer de útero e serviços oftálmicos, além de patrocinar diversos eventos festivos das Comunidades vizinhas, fornecendo também seus equipamentos na melhoria das Estradas, Escolas, Centro Comunitários, etc.

- Q.C. e R.S. denunciam casos de contaminação. "Na Marborges, têm tanque [que] eles chamam de tibórna, é uma água fedorenta. Dá problema para pisar. Não pode meter a mão, é uma química forte e eles trabalham sem nenhuma proteção. Lá tem varias pessoas contaminadas. Quando estão adubando, as pessoas não podem ficar lá. Alguns vomitam", diz Q.C. R.S. confirma: "Nós somos atingidos pelos resíduos da Marborges. Não podemos tomar água. Estamos onde expele a fossa deles. Ela joga tudo nas fontes e vaza. Há necessidade de combater porque os igarapés estão contaminados".

RESPOSTA
A Marborges faz o aproveitamento de todos os subprodutos industriais (cachos vazios, fibra, casca, torta e efluente) que retornam à plantação como Fertilizantes Orgânicos, substituindo em parte os fertilizantes químicos NPK e assim garantindo a sustentabilidade de sua atividade.

O efluente é um subproduto líquido gerado na usina de beneficiamento. È basicamente o suco do fruto do dendê, sem o óleo. É puramente orgânico e não tem nenhum tipo de química. É com certeza, muito menos "fedorento" que os fertilizantes orgânicos provenientes de dejetos animais. Não representa nenhum perigo à saúde, sendo constituído de 95% de água e 5% de matéria orgânica. A aplicação é feita com tratores atrelados a um tanque que distribui o fertilizante orgânico diretamente às palmeiras nos plantios. A distribuição é realizada sob a supervisão de Técnico de Meio-Ambiente. A dosagem de matéria orgânica aplicada por hectare é inferior ao aporte natural de matéria orgânica de uma floresta. As parcelas escolhidas não ficam próximas a igarapés, o produto é rapidamente absorvido pelo solo. Não há, portanto risco de "contaminação".
A empresa foi fiscalizada diversas vezes pela Secretaria do Meio Ambiente - SEMA que deu parecer favorável às práticas adotadas.

- A Repórter Brasil contatou a Marborges por telefone e solicitou posicionamento da empresa sobre as denúncias. Depois do primeiro contato com um funcionário identificado como Daniel, as ligações não foram mais atendidas.

A repórter deve ter contatado a empresa justamente no dia útil do mês (geralmente uma segunda feira) em que todo o pessoal é liberado para tratar de assuntos particulares, pois bancos, dentistas, alguns comércios não abrem aos sábados à tarde e domingos. O Sr. Daniel era naquele momento o vigilante de plantão. Apesar de ter um cargo de responsabilidade, o mesmo não tem como atribuições o de representar a empresa. Um simples contato no dia seguinte teria esclarecido todos os fatos acima. O celular contatado pela repórter não é o do vigilante e sim da própria empresa."

 

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