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Frigorífico terá que pagar R$ 230 mil a funcionária que perdeu quatro dedos

O frigorífico Tyson foi condenado a pagar R$ 230 mil em danos morais e indenização por dano estético a uma trabalhadora de 21 anos que perdeu quatro dedos da mão direita em uma máquina usada no processamento de frangos em Santa Catarina. À decisão cabe recurso. A empresa também terá que arcar com uma pensão vitalícia no valor de 60% do piso da categoria da trabalhadora até que complete 76,8 anos (expectativa de vida para mulheres nesse estado, segundo o IBGE). A perícia constatou que a lesão roubou, de forma permanente, 60% da sua capacidade laboral. Contratada para trabalhar no corte de animais, ela era escalada com frequência para limpar o equipamento. E, em uma das vezes, os dedos foram esmagados. De acordo com o Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina, a empresa alegou que fornecia treinamento e afirmou que a empregada descumpriu normas de segurança. Contudo, a juíza Maria Beatriz Gubert, da 2ª Vara do Trabalho de São José, concluiu que o processo de limpeza apresentava falhas “A atividade de higienização das máquinas não seguia o padrão recomendado, já que os empregados a executavam com o equipamento ligado e utilizando luva inadequada, sem qualquer orientação ou supervisão da ré”, afirmou a juíza na sentença. Isso me lembrou outro caso que tive conhecimento em uma ação de resgate de trabalhadores escravizados na Amazônia tempos atrás. Aliás, a história dos trabalhadores brasileiros é uma sequência de coisas assim. Em uma fazenda no Sul do Pará, havia uma espécie de tabela para partes do corpo perdidas no serviço. Um dedo valia X. Um braço Y. Uma perna Z. Nada muito caro, claro....

Engrenagens expostas

Na tarde de 22 de janeiro, William Garcia da Silva fazia faxina no setor mais sujo de sangue e vísceras da unidade de abate de bois do grupo JBS Friboi em Coxim, Mato Grosso do Sul. Ele e seus colegas já haviam avisado ao superior que faltavam grades para isolar componentes perigosos de uma máquina de moagem de ossos e chifres. Mas os alertas foram em vão. Quando se esticou para limpar as engrenagens da moedeira, William teve seu braço violentamente tragado pela máquina. Sozinho, ele reuniu forças para desprender o corpo do equipamento e correr até o departamento de Recursos Humanos à procura de ajuda. Não havia enfermeiro e nem ambulância de plantão. Por sorte, o encarregado do setor de abate ainda estava no local e conduziu – em seu carro particular – William até o hospital público, a trinta minutos do frigorífico. O estrago já estava feito: a rosca amputou seu braço acima do cotovelo e deixou “só o cotoco”, como ele descreve. “Se fosse mais tarde, eu teria morrido porque no final do dia só fica o pessoal da faxina, que não tem carro. Não daria tempo de uma ambulância chegar”, desabafa. William nunca recebeu treinamento para a função que exercia. Ele fazia bicos como jardineiro antes de ser contratado como auxiliar de produção na JBS. Em tese, sua missão diária era abastecer a máquina moedeira. Porém, com a demissão de alguns funcionários, foi escalado para fazer a faxina e a limpeza das máquinas, operação que exige cuidados específicos. Durante as duas semanas em que ficou internado no hospital, William recebeu a visita de um administrador...
JBS é condenada por servir carne com larvas para empregados

JBS é condenada por servir carne com larvas para empregados

A JBS, considerada a maior empresa de processamento de carne do mundo, foi condenada em segunda instância pelo Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, no Mato Grosso, em dois processos* diferentes abertos pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) com base em infrações sistemáticas de leis trabalhistas. As sentenças determinam o pagamento R$ 2,3 milhões em danos morais coletivos por violações que vão desde o desrespeito a jornadas de trabalho e práticas que configuram assédio, até situações que podem afetar a saúde dos trabalhadores. Entre os problemas estão o fato de a empresa servir alimentos contaminados aos empregados, incluindo carne com larvas de moscas varejeiras, e o vazamento de gás amônia na unidade industrial de Juruena (MT).  A Repórter Brasil entrou em contato com a empresa para obter um posicionamento. Por meio da assessoria de imprensa, a JBS afirmou que não concorda e pretende recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho para tentar reverter a decisão. Até a publicação desta reportagem, a JBS não comentou as acusações. Para o procurador Sandro Sardá, responsável pelo Projeto de Atuação em Frigoríficos do MPT, as condenações refletem o descaso da empresa em relação aos trabalhadores. “A JBS adota uma conduta deliberada em não proteger a saúde dos seus empregados mesmo diante dos graves agentes de risco presentes no processo produtivo em frigoríficos”, afirma. “É uma conduta absolutamente incompatível com o ordenamento jurídico constitucional e com o porte da JBS, que é a maior processadora de proteína animal do mundo. A empresa pratica dumping social e somente procede a adequação das condições de trabalho mediante condenações judiciais”, ressalta. Carne com larvas A contaminação da carne servida aos empregados dentro da unidade industrial é destacada na sentença do relator do processo, o desembargador Osmair Couto,...