Tag: imigração

“Não somos escravos”, imigrantes revelam estigma e como combatem crime

Direção e Guião: Cristina de Branco e Miguel Dores Fotografia, montagem e legendas: Cristina de Branco Captação e montagem de som: Miguel Dores Imagens adicionais (Acuarela Paraguaya): Visto Permanente Coordenação: Ana Aranha Realização: Repórter Brasil e Mutirão Apoio: DGB Bildungswerk Bund Esta reportagem foi realizada com o apoio da DGB...

“Alguns brasileiros tratam os haitianos como escravos”

  Laurie Jeanty inclina o dorso para frente e gesticula com convicção ao falar da diferença de tratamento dada por empregadores aos funcionários brasileiros e haitianos. “Não são todos, mas alguns manipulam os haitianos”. Ela não se conforma com as mentiras e golpes aplicados a imigrantes que abandonaram tudo para reconstruir a vida em um novo país. Laurie se refere aos contratos informais em que se promete um valor, mas se paga outro. Dos empregadores que mentem ao reter a carteira de trabalho e devolvem, meses depois, sem assinar ou pagar os benefícios. E dos casos de trabalho escravo envolvendo haitianos que já foram flagrados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. “Precisamos de um lugar para continuar a vida, não parar”. Laurie resolveu correr atrás dos direitos dos conterrâneos ao ajudar a criar a União Social dos Imigrantes Haitianos (Usih), associação nacional da qual é tesoureira. O coordenador é Fedo Bacourt, professor de história e de línguas que só conseguiu emprego na construção civil. Fedo se recente que essa seja a “única porta de entrada para os imigrantes no Brasil”. Ao andar pelos canteiros de obra onde trabalha, não se conforma ao encontrar pedreiros e ajudantes de obra que eram médicos, professores e advogados no Haiti. Depois de uma reunião com mais de 150 haitianos, fundaram a Usih em setembro de 2014. Mas, por serem imigrantes, enfrentam uma série de dificuldades para formalizar o grupo. Com a ponte feita pela central sindical CSP-Conlutas, representantes da Usih fizeram uma reunião com deputados e senadores e participaram de uma audiência pública no Senado, onde pediram agilidade na emissão dos documentos. Os haitianos...
2015 é um ano para se olhar para o Paraguai

2015 é um ano para se olhar para o Paraguai

É injusto por tudo o que significa o México de Emiliano Zapata, Frida Kahlo e Juan Rulfo, mas o termo “mexicanização” virou sinônimo de coisa ruim. É usado para falar do risco de determinado país cair nas garras do narcotráfico, ou ter um governo autoritário disfarçado de democrático, como nas sete décadas em que o PRI esteve no poder. O termo encontrou sentido até na economia. Mexicanizar nessa área significa apostar nas maquilas, como são conhecidas as linhas de montagem industriais voltadas à exportação e que, via de regra, superexploram o trabalhador. Enfim, quando alguém diz que um país está se mexicanizando, costuma não ser boa coisa. Quando estive em Assunção, em dezembro, para investigar a crescente migração de jovens paraguaios rumo ao Brasil, foi justamente isso que ouvi de interlocutores sobre a situação do Paraguai. As agruras que atingem a população local estão cada vez mais parecidas às enfrentadas pelos mexicanos – escalada da violência, tráfico de drogas e corrupção política. Isso pode parecer estranho neste momento em que o PIB paraguaio cresce a taxa muitas vezes maior do que a brasileira, puxado pela lavoura da soja. Mas as coisas ficam mais claras para quem, como nós da Repórter Brasil, acompanha esse setor do agronegócio, marcado pela concentração de renda e pequena geração de emprego. A realidade é que uma pequena diáspora paraguaia rumo ao Brasil foi iniciada neste novo milênio. O Ministério da Justiça brasileiro relata a existência de 17 mil paraguaios na região metropolitana de São Paulo. Mas o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai, que pude visitar em Assunção, estima-os entre 45 mil e 60...

Em São Paulo, protesto pede fim da violência contra imigrantes

Organizações da sociedade civil realizam, neste domingo (7), ato em São Paulo exigindo um basta à violência contra os imigrantes. Este é o tema da Marcha dos Imigrantes, que ocorre desde 2007 e chega à oitava edição neste ano. A manifestação terá início na Praça da República, com concentração a partir das 9h, e sairá em caminhada às 10h pelas ruas da capital paulista até a Praça da Sé. O ato lembra o Dia Internacional do Migrante, proclamado em 2000 pela Organização das Nações Unidas (ONU) para ser comemorado em 18 de dezembro. Confira também como foi a Marcha dos Imigrantes de 2013 A violência sofrida pelos imigrantes no Brasil é agravada devido às barreiras de idioma, falta de informações e xenofobia, que tornam estas pessoas mais vulneráveis à escravidão, tráfico de pessoas, assédio moral e outras questões trabalhistas e sociais. Além disso, a manifestação deve ressaltar os problemas do Estatuto do Estrangeiro que, criado durante a ditadura militar, em 1981, tem como foco a “segurança nacional” e encara os imigrantes como ameaças. Para as mulheres, a questão é ainda mais delicada, já que as barreiras são aprofundadas por questões de gênero que, não raro, resultam em violência doméstica e discriminação no ambiente de trabalho. Por isso, para o ato deste ano, foi articulado também um Bloco de Mulheres que dê visibilidade a estes problemas. Serviço 8ª Marcha dos Imigrantes 7 de dezembro, às 9h CONCENTRAÇÃO: Praça da República, São Paulo (SP) (ver mapa) CONVOCAÇÃO: CAMI – Centro de Apoio ao...