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No Brasil, lista suja do trabalho escravo tem novo recorde

BRASÍLIA/BRASIL – No Brasil, a Lista Suja do trabalho escravo nunca foi tão extensa, e fechou 2011 com a inclusão de 52 empregadores. Com isso, a lista atingiu um novo recorde de 294 infratores entre pessoas físicas e jurídicas, segundo dados do Ministério do Trabalho. Passaram a constar da lista em dezembro grupos de usineiros, madeireiros, fazendeiros e empresários do ramo imobiliário, de supermercados e shoppings, além de políticos e até médicos. A construtora BS, contratada pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil (Enersus), responsável pela hidréletrica de Jirau (no Rio Madeira, em Rondônia, extremo Norte do País) está entre os novos integrantes da relação. O perfil dos infratores foi elaborado pela ONG Repórter Brasil, que acompanha o Ministério do Trabalho. Segundo a ONG, a Construtora BS foi flagrada utilizando 38 trabalhadores nas condições análogas à escravidão (de endividamento para com o patrão, além da situação precária dos alojamentos). Criada em 2005, a Lista Suja é atualizada a cada seis meses. Quem for incluído só sai depois de dois anos, após o pagamento das dívidas trabalhistas e multas. Para ficar fora, a empresa também não pode ser reincidente. A maior penalidade, Segundo o diretor de fiscalização da área no Ministério do Trabalho, Alexandre da Cunha Lyra, é a impossibilidade desses infratores de obter crédito em bancos públicos: "Eles (os incluídos) não estão preocupados com o valor da multa ou a caracterização de crime, mas com o bolso, com a possibilidade de não poder tomar crédito". Ele não atribui o crescimento da Lista Suja ao aumento da exploração de mão-de-obra escrava, mas ao aperto da fiscalização e à inclusão imediata na...

Novos casos de escravidão urbana entram na "lista suja"

Casos de exploração em um restaurante, em um hotel e até de vendedores de redes nas ruas estão entre os 52 novos registros incluídos na chamada "lista suja" do trabalho escravo. O cadastro de empregadores mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego chegou a 294 nomes na última atualização, marca recorde desde que foi divulgado pela primeira vez, há mais de oito anos. De acordo com o auditor fiscal Renato Bignami, assessor da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a tendência é que, com o aumento da fiscalização nas cidades, o número de inclusões resultantes de flagrantes em áreas urbanas aumente ainda mais nas próximas atualizações. Todos os que fazem parte da "lista suja" tiveram chance de defesa em processos administrativos antes da inclusão.  Viga improvisada (imagem central) segurava o teto de quarto de trabalhadores do Hotel São Marcos (fachada, à esq.) Baldes (à dir.) colhiam infiltrações no teto (Divulgação SRTE/MT) Renato destaca que, até agora, a inspeção do trabalho vem concentrando as ações de fiscalização de trabalho escravo urbano na indústria têxtil e na construção civil e que, por isso, o número de empresas desses setores na "lista suja" deve crescer. Ele relaciona a exploração, não aos setores específicos, mas sim ao aumento da terceirização nas cadeias produtivas, que faz com que, muitas vezes, a empresa perca o controle sobre os serviços e produtos pelos quais é responsável. "Não há comprovação que determinado setor da economia tem maior inclinação para essa característica [exploração de trabalho escravo], em detrimento de outros", ressalta o auditor. Nos flagrantes que resultaram na atualização mais recente,...

Atualizada, "lista suja" do trabalho escravo chega a 294 nomes

A "lista suja" do trabalho escravo, cadastro de empregadores pegos em flagrante na exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão, nunca teve tantos nomes. Atualizada nesta semana, a relação cresceu com a entrada de 52 novos registros e chegou ao recorde de 294 nomes. Entre os que entraram estão alguns dos principais grupos usineiros do país, madeireiras, empresários e até uma empreiteira envolvida na construção da usina hidrelétrica de Jirau. A lista inclui ainda médicos, políticos, famílias poderosas e casos de exploração de trabalho infantil e de trabalho escravo urbano, que será tema de reportagem especial da Repórter Brasil nos próximos dias. Rãs nadam em a água que era consumida pelos empregados libertados. Leia mais (Foto: SRTE/MA) Divisão por estado dos incluídos no cadastro 1. Pará (PA)……………….92. Mato Grosso (MT)…….8     Minas Gerais (MG)……84. Paraná (PR)……………5 5. Rondônia (RO)………..4    Maranhão (MA)……….47. Espírito Santo (ES)……3    Goiás (GO)…………….3    Santa Catarina (SC)….310.Alagoas (AL)…………..1     Amazonas (AM)……….1    Rio de Janeiro (RJ)…..1    São Paulo………………1    Tocantins (TO)…………1 Após serem flagrados explorando mão-de-obra escrava, todas as pessoas e empresas tiveram chance de defesa em processos administrativos. Somente depois de esgotados todos os recursos, foram incluídas no cadastro. Entre os novos registros, há casos como o de Lidenor de Freitas Façanha Júnior, cujos trabalhadores, sem opções, bebiam água infestada com rãs, e o do fazendeiro Wilson Zemann, que explorava crianças e adolescentes no cultivo de fumo. Entre os estados com mais inclusões nesta atualização estão novamente o Pará e o Mato Grosso, com nove e oito nomes inseridos, respectivamente. A incidência do problema no chamado arco do desmatamento demonstra que a utilização de trabalho escravo na derrubada da mata...

JBS compra gado de fazenda da “lista suja do trabalho escravo”

O maior frigorífico do mundo, o JBS S/A, foi notificado pelo Ministério Público Federal (MPF) por comprar gado bovino de forma irregular no estado do Mato Grosso. A empresa comprou animais de propriedades rurais da "lista suja do trabalho escravo", que foram embargadas por irregularidades ambientais e que se localizam em terras indígenas Maraiwatsede. Em 2010, o frigorífico assinou com o MPF um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para regularizar a sua cadeia produtiva da carne no estado. Porém, a partir do cruzamento de dados provenientes de outros órgãos públicos (como do Ibama, Incra e Ministério do Trabalho e Emprego), foi constatado que a JBS continuava com irregularidades em suas relações comerciais. No período de um ano, a empresa comprou 3.476 cabeças de gado de propriedades com infrações ambientais, trabalhistas e que ocupam terras indígenas. Com a notificação do MPF, o frigorífico JBS tem um prazo de dez dias úteis para prestar esclarecimentos e informar as providências para regularizar sua compra de animais para o...

Escravidão urbana

‘Caso Zara’ chama a atenção para mazela contemporânea que envolve 251 empregadores no Brasil, incluindo companhia de engenharia da Baixada, no Rio, e outras cinco empresas sediadas em áreas industriais Rio – Casos recentes de violação dos Direitos do Trabalho – como o da confecção de Americana, no interior paulista, que fornecia peças à rede Zara produzidas por mão de obra mantida em condições que feriam a dignidade – trouxeram à tona a discussão do trabalho escravo contemporâneo. No País, o crime é proibido há mais de 100 anos. Mas, só nos últimos oito, cerca de 30 mil trabalhadores já foram resgatados em condições análogas à escravidão. Entre os 251 empregadores que integram a "lista suja" do Ministério do Trabalho (MTE), que pode ser consultada por qualquer cidadão, seis são de áreas urbanas e um deles é do Rio. A Bell Construções, empresa sediada em Jardim Gramacho, Duque de Caxias, foi contratada pela companhia de telefonia Claro, em 2009, e levou 18 trabalhadores da Baixada para Vila Velha (ES) a fim de implantar cabos de fibra óptica. Segundo relatório do MTE, os operários foram mantidos por 20 dias em condições degradantes de alojamento: não havia cama, água potável nem locais adequados para preparo de refeições. Itens básicos de higiene, como pastas de dente e sabonete, não eram repostos. A jornada de trabalho começava às 7h e terminava após as 20h, ou seja, 13 horas ao todo, quando o permitido por lei são 8 horas. Um dos trabalhadores era Marcelo Marques, morador de Nova Iguaçu. O operário é pai de duas crianças e relatou a O DIA as condições em...