Tag: ministério do trabalho e emprego

Diversidade abre a discussão de direitos humanos

Deise Benedito, da organização de mulheres negras “Fala Preta”, e João Ricardo Dornelles, diretor do departamento de Direito da PUC-RJ, falaram sobre o sistema penal brasileiro, a história da discriminação racial no país e a criminalização dos movimentos sociais. Temas espinhosos, reflexões necessárias. Mas a platéia foi a verdadeira protagonista do evento. O clima geral da palestra que se realizou na manhã de ontem, dia 24, era de combate à opressão das instituições. Assim que pôde, uma senhora Argentina se levantou. Revoltada, Guacolda contou que teve o filho assassinado na rua por policiais argentinos. “Foi discriminação: ele era bem moreno, cabeludo e usava roupas de roqueiro”, lamentou, exibindo no peito um enorme broche com a foto do filho e os dizeres “Justiça para Javier, Justiça para todos”. Depois foi a vez de Sérgio, de aparência jovem, um tanto solene. “Eu sou procurador de justiça, trabalho no Ministério Público”. Falou um pouco, reconheceu que o sistema penal brasileiro propaga injustiças sociais, pediu que o MP não fosse visto apenas como órgão de repressão penal. “É preciso haver maior permeabilidade entre os movimentos sociais e o MP: procurem-no, levem suas demandas até ele”, conclamou. Outro homem se levanta. Um tanto desconfortável, declara: “Eu sou português, eu sou o invasor”. Risos na platéia. “Veio fazer a reparação histórica?”, brincou Deise. “Além de português, eu sou policial”. Surpresa geral. “Gostei muito do que a senhora falou, já li isso em muitos livros, mas eu vim aqui para perguntar o que eu posso fazer pelos direitos humanos a partir de hoje. Quero investigar o crime organizado, não o batedor de carteiras”. Palmas e mais...