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Fundação Museu do Homem Americano pode fechar

A Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), que cuida do Parque Nacional Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, Piauí, passa por dificuldades financeiras e ameaça fechar suas portas. O parque ocupa uma área de 100 mil hectares e possui mais de 700 sítios arqueológicos, com a maior concentração de pinturas rupestres das Américas, fundamentais para o estudo da evolução do homem e da ocupação do continente americano. Em 1991, o Parque Nacional Serra da Capivara foi reconhecido pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade. Sua estrutura, que conta com 350 km de estradas e 120 sítios preparados para visitação, foi considerada pela ONU a melhor da América Latina. O parque é ainda uma área de proteção ambiental, com fauna e flora riquíssimas. Em 2002, segundo a direção do parque, houve problemas no envio de dinheiro do governo federal, e o ano de 2003 teria sido catastrófico para a fundação. “A primeira liberação de verba de 2003 veio no dia 24 de dezembro, como presente de Natal”, ironiza Niède Guidon, arqueóloga, diretora do parque e da fundação. Foram R$ 248 mil procedentes do Ministério da Cultura, destinados à conservação dos sítios arqueológicos. Mas, segundo Niède, seriam necessários R$ 220 mil mensais para a manutenção do parque. Em 2003, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara aprovou emenda ao orçamento do Ministério do Meio Ambiente para ampliação do sistema nacional de unidades de conservação. A emenda previa cerca de R$ 20 milhões para os parques nacionais, sendo R$ 3 milhões destinados ao da Serra da Capivara. Como o orçamento geral não condizia com os recursos do país, o governo federal...

Diversidade abre a discussão de direitos humanos

Deise Benedito, da organização de mulheres negras “Fala Preta”, e João Ricardo Dornelles, diretor do departamento de Direito da PUC-RJ, falaram sobre o sistema penal brasileiro, a história da discriminação racial no país e a criminalização dos movimentos sociais. Temas espinhosos, reflexões necessárias. Mas a platéia foi a verdadeira protagonista do evento. O clima geral da palestra que se realizou na manhã de ontem, dia 24, era de combate à opressão das instituições. Assim que pôde, uma senhora Argentina se levantou. Revoltada, Guacolda contou que teve o filho assassinado na rua por policiais argentinos. “Foi discriminação: ele era bem moreno, cabeludo e usava roupas de roqueiro”, lamentou, exibindo no peito um enorme broche com a foto do filho e os dizeres “Justiça para Javier, Justiça para todos”. Depois foi a vez de Sérgio, de aparência jovem, um tanto solene. “Eu sou procurador de justiça, trabalho no Ministério Público”. Falou um pouco, reconheceu que o sistema penal brasileiro propaga injustiças sociais, pediu que o MP não fosse visto apenas como órgão de repressão penal. “É preciso haver maior permeabilidade entre os movimentos sociais e o MP: procurem-no, levem suas demandas até ele”, conclamou. Outro homem se levanta. Um tanto desconfortável, declara: “Eu sou português, eu sou o invasor”. Risos na platéia. “Veio fazer a reparação histórica?”, brincou Deise. “Além de português, eu sou policial”. Surpresa geral. “Gostei muito do que a senhora falou, já li isso em muitos livros, mas eu vim aqui para perguntar o que eu posso fazer pelos direitos humanos a partir de hoje. Quero investigar o crime organizado, não o batedor de carteiras”. Palmas e mais...