Tag: Moda

Nova revista feminina quer mudar o jogo contra o trabalho escravo

Zara, Marisa, Pernambucanas, Sete Sete Cinco, Renner, M. Officer, Le Lis Blanc, Bo.Bô… Infelizmente, a lista de empresas da moda que usaram trabalho escravo nos últimos anos no Brasil poderia encher um artigo inteiro. Saber o que a maioria delas têm em comum, porém, pode nos ajudar a combater o problema com mais eficiência: sua clientela principal está entre as mulheres. Ou seja: é justo dizer que, hoje, as mulheres são uma das mais fiéis patrocinadoras de trabalhos análogos à escravidão no Brasil e no mundo. Contudo, demonizá-las seria um erro. As mulheres são, por sua vez, vítimas de uma publicidade violenta e de revistas femininas que estimulam um consumismo desenfreado e  irresponsável. Pouco se fala da linha de produção a não ser para consagrar designers ou enriquecer grifes anunciantes. As revistas femininas de hoje se comportam como se suas leitoras não tivessem consciência. Estudos comprovaram, ainda por cima, que o consumidor brasileiro interiorizou essa imagem e aderiu a este padrão de comportamento. Pesquisadores da Faculdade de Gestão e Negócios da Universidade Federal de Uberlândia (MG) analisaram a repercussão do caso Zara, em 2011, quando foi revelado que a marca pagava R$ 2 por peça aos costureiros em São Paulo. A conclusão foi triste: consumidores não só acreditavam que este tipo de crime compensava financeiramente como não estavam dispostos a deixar de comprar produtos da marca em retaliação. Em nossos ensaios de moda, marcas transgressoras estão fora. Vamos visitar fábricas nas periferias do mundo fashion, como China e Bangladesh, e investir em um jornalismo que não trate as leitoras com condescendência Prova isso o crescimento do mercado da moda,...
Fiscalização resgata haitianos escravizados em oficina de costura em São Paulo

Fiscalização resgata haitianos escravizados em oficina de costura em São Paulo

Doze haitianos e dois bolivianos foram resgatados de condições análogas às de escravos em uma oficina têxtil na região central de São Paulo. O resgate ocorreu no início deste mês após fiscalização de auditores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e uma procuradora do Ministério Público Trabalho (MPT). As vítimas trabalhavam no local há dois meses produzindo peças para a confecção As Marias, mas nunca receberam salários e passavam fome. O caso é inédito. Apesar de imigrantes haitianos já terem sido resgatados da escravidão no Brasil, até então, nenhum havia sido libertado nem no Estado de São Paulo, nem no setor têxtil. Segundo a fiscalização, antes de serem aliciados, os haitianos estavam sendo abrigados pela pastoral Missão Paz, mantida pela paróquia Nossa Senhora da Paz para acolher migrantes de outros países que chegam a São Paulo. Além de alojar os migrantes, a pastoral promove palestras a empresários sobre a cultura e os direitos dos estrangeiros, onde os interessados em contratar os recém-chegados preenchem fichas com informações que são usadas para verificar a situação trabalhista das empresas na Justiça e monitorar as contratações. De acordo com o padre Paolo Parise, que coordena a missão desde 2010, o interesse dos empresários pela Missão Paz diminui quando eles são informados de que os migrantes têm os mesmos direitos dos demais trabalhadores no Brasil. O padre diz que, de janeiro a julho deste ano, 587 empresas contrataram 1710 migrantes através da pastoral. O número de empresas, porém, equivale a apenas um terço do total de interessados que assistem à palestra inicial. MTE assina protocolo contra escravidão Em coletiva de imprensa, o superintendente regional de São Paulo do MTE,...
Com nova atualização, App Moda Livre monitora 45 marcas e varejistas de roupa

Com nova atualização, App Moda Livre monitora 45 marcas e varejistas de roupa

Já está no ar a mais recente atualização do aplicativo Moda Livre. Disponível gratuitamente para Android e iPhone, o APP apresenta de forma ágil e acessível as medidas que as principais marcas e varejistas de roupa do país vêm tomando para evitar que as peças vendidas a seus clientes sejam produzidas por trabalho escravo. Lançado em dezembro de 2013, o app foi desenvolvido pela ONG Repórter Brasil, referência nacional na defesa dos direitos humanos. Nesta nova atualização, a base de empresas avaliada pelo Moda Livre foi ampliada para incluir mais nomes consagrados no mercado nacional da moda. É o caso das holdings Inbrands – que controla grifes refinadas como Ellus, Richards, Mandi e Bobstore – e do grupo AMC Têxtil, responsável por marcas conhecidas do público brasileiro, como Forum, Colcci e Triton. Outra companhia detentora de marcas valiosas (como Siberian, Crawford e Memove), a Valdac Global Brands também integra o hall de companhias analisadas pela equipe da Repórter Brasil. Há também varejistas presentes de norte a sul do Brasil, como as Lojas Americanas, e fabricantes de roupas bastante tradicionais no mercado nacional – como Malwee e Marisol. Moda e trabalho escravo O Moda Livre avalia os principais grupos varejistas de moda em atividade no país, além das empresas em que a produção de roupa foi marcada por casos de trabalho escravo flagrados por fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A Repórter Brasil convidou todas as companhias a responder a um questionário-padrão que avalia basicamente quatro indicadores: 1. Políticas: compromissos assumidos pelas empresas para combater o trabalho escravo em sua cadeia de fornecimento. 2. Monitoramento: medidas adotadas pelas empresas...
Zara admite que houve escravidão na produção de suas roupas em 2011

Zara admite que houve escravidão na produção de suas roupas em 2011

A Zara admitiu nessa quarta-feira, 21, a ocorrência de trabalho escravo na fabricação de seus produtos em 2011. Foi a primeira vez desde que uma fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 15 trabalhadores imigrantes costurando peças da marca em três oficinas terceirizadas, em maio e junho daquele ano, em Americana (SP) e São Paulo (SP). A admissão ocorreu durante depoimento de João Braga, diretor-geral da empresa no Brasil, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Trabalho Escravo da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Perguntado pelo presidente da comissão, o deputado estadual Carlos Bezerra Jr. (PSDB), sobre a existência de condições análogas à escravidão em sua cadeia produtiva por ocasião do flagrante, o executivo respondeu afirmativamente e admitiu, na sequência, que a Zara não monitorava a AHA, fornecedora que havia terceirizado a produção para as oficinas onde foram encontrados os trabalhadores resgatados.   A Zara foi convocada a prestar depoimento à CPI por, segundo Bezerra, não ter assumido a responsabilidade sobre o caso e por ter deixado de promover alterações em seu sistema de produção de modo que a situação não se repita. Segundo o deputado, a exploração de trabalhadores faz parte do modelo produtivo da marca, não sendo algo pontual. Ele cita como exemplo a denúncia de trabalho escravo envolvendo peças da empresa em abril de 2013 na Argentina, ocorrida após o flagrante no Brasil. Durante a audiência dessa quarta-feira, a CPI do Trabalho Escravo apontou que a Zara descumpriu o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado com o MTE e o Ministério Público do Trabalho (MPT) em dezembro de 2011, documento que contém...
Após flagrante de escravidão, Justiça ameaça bloquear produção de grife Fenomenal

Após flagrante de escravidão, Justiça ameaça bloquear produção de grife Fenomenal

“No mundo da lua”. Assim Sidney Pinheiro Fuchida, advogado da Fenomenal Internacional, marca de roupa de São Paulo (SP), disse que vivem os procuradores do Trabalho que responsabilizaram a empresa pelo flagrante de trabalho escravo em uma oficina clandestina ocorrida em agosto de 2013. Segundo ele, em declaração dada ao portal UOL em fevereiro deste ano, “mais da metade dos brasileiros não tem as condições que esses trabalhadores tinham. Entra em uma favela para você ver”. Tais afirmações foram feitas após o Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizar uma ação civil pública para que as empresas MP Amorim Eireli e Inovax Confecções, donas da marca Fenomenal, pagassem uma indenização de R$ 1 milhão por dumping social (R$ 500 mil) e por submeter os trabalhadores a condições análogas à escravidão (R$ 500 mil). Dumping social é caracterizado como uma situação em que a empresa descumpre obrigações trabalhistas com a intenção de aumentar seu lucro, causando prejuízos tanto aos trabalhadores quanto às concorrentes. Apesar de terem quitado as pendências trabalhistas dos trabalhadores afetados, as empresas haviam se recusado a assinar com o MPT um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), por meio do qual se comprometiam a uma série de obrigações de “fazer” e “não fazer”. Diante da recusa, o procurador do Trabalho João Eduardo de Amorim ajuizou a ação civil pública. Em 19 de março, o juiz do Trabalho Elizio Luiz Perez concedeu liminar favorável ao MPT, e determinou a interdição das sedes das empresas, no bairro do Brás, em São Paulo, e a proibição de comercialização da marca Fenomenal, até que elas comprovassem “o estabelecimento de plano seguro de...