Tag: Pecuária

Choques, socos e pauladas: a vida do gado que vira bife na JBS

Choques, socos e pauladas: a vida do gado que vira bife na JBS

Um bezerro é queimado no rosto com um ferro quente em Mato Grosso, bois tomam choques elétricos para entrar em um caminhão em Goiás, um animal recebe pauladas ao atravessar um curral em São Paulo e um filhote recém-nascido é arrastado pelo pescoço no Mato Grosso do Sul. Cenas como essas foram registradas pela Repórter Brasil em fazendas que fornecem gado à JBS, a maior produtora de proteína animal do mundo e dona de marcas como Friboi e Swift. As práticas dos seus fornecedores violam a política de bem-estar animal estabelecida pela própria empresa. Além disso, o tratamento dado aos bois tampouco segue as recomendações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) sobre o assunto. Para averiguar como as fazendas fornecedoras da JBS tratam os animais, a Repórter Brasil percorreu quatro estados diferentes entre dezembro de 2015 e fevereiro de 2016. Os locais visitados constam em um site da empresa, batizado de “Confiança desde a Origem”. O site mostra a localização, os nomes e as datas em que as fazendas forneceram bois aos frigoríficos da JBS. A partir dos dados georreferenciados fornecidos pela empresa, a reportagem encontrou os locais com o uso de GPS. Em sua página oficial na internet, a JBS divulga que sua carne é produzida a partir de animais tratados com “respeito e sem sofrimento” e que os mantém livres de “dor, injúria e doença”, uma descrição distante da realidade encontrada nas fazendas. A empresa também afirma que seus fornecedores recebem treinamento constante sobre o assunto, mas fazendeiros e empregados ouvidos pela reportagem alegam nunca ter recebido supervisão da empresa. “Nunca veio ninguém fiscalizando nada....

Resposta da JBS sobre bem-estar animal

Leia a íntegra dos questionamentos da Repórter Brasil e das respostas da JBS a respeito da reportagem “Choques, socos e pauladas: a vida do gado que vira bife na JBS”: 1) Em diversos casos, a localização das fazendas no site “Confiança Desde a Origem”, mantido pela empresa, aponta para locais equivocados, como áreas urbanas, fazendas com outras culturas, rios, lagos e até terras indígenas. Além disso, há casos de fazendas cujos nomes não conferem com os dados que constam do site. A que a empresa atribui os erros do site “Confiança Desde a Origem”? Os dados geográficos das fazendas fornecedoras de gado são checados periodicamente por uma empresa terceira para evitar possíveis erros de localização. No entanto, para uma resposta mais precisa é necessário que sejam apontados quais são as fazendas que supostamente estão com a localização geográfica incorreta. Além disso, para as oito fazendas citadas é necessário que seja fornecido a data de consulta no site “Confiança desde a Origem” e, também a data de produção e número de SIF utilizado na consulta. Outro ponto que necessita de esclarecimento é se a coordenada geográfica indicada pela reportagem para cada uma dessas fazendas foi retirada do site “Confiança desde a Origem” ou se foi coletada por meio de GPS em campo, ou ainda, por meio de outra ferramenta como, por exemplo, o Google Earth/Maps. A JBS esclarece que a parametrização utilizada para a coleta de dados, como sistema de projeção e Datum, pode influenciar o dado geográfico, causando, inclusive, deslocamentos de posição, tornando os dados incomparáveis. A JBS utiliza como parâmetro o sistema de projeção Geográfico e Datum WGS84 em...
Maranhão nomeia sócio de empresa flagrada com escravos para o governo

Maranhão nomeia sócio de empresa flagrada com escravos para o governo

Camilo Figueiredo, ex-deputado estadual e sócio em uma empresa agropecuária flagrada com trabalho análogo ao de escravo, foi nomeado assessor especial da Casa Civil do governo do Estado do Maranhão. O governador Flávio Dino (PC do B) assinou durante a campanha eleitoral a Carta-Compromisso contra o Trabalho Escravo, iniciativa da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho escravo (Conatrae). Um dos compromissos assegura que será “prontamente exonerada qualquer pessoa que ocupe cargo público de confiança sob minha responsabilidade que vier a se beneficiar desse tipo de mão de obra”. Dino foi um dos mais atuantes membros da Conatrae, quando atuava como juiz federal. Em março de 2012, sete trabalhadores foram resgatados de situação análoga à de escravo na fazenda Bonfim, em Codó (MA), em ação conjunta da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão, do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal. A propriedade pertencia à Líder Agropecuária, que tinha como sócios, além de Camilo, outras pessoas de sua família. A Líder Agropecuária foi inserida no cadastro de empregadores flagrados com mão de obra análoga à de escravo, conhecido como a “lista suja”, e estaria lá até agora se o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, não tivesse atendido a um pedido da associação das incorporadoras imobiliárias e, durante o recesso de final de ano, suspendido a “lista suja” por liminar. (leia mais sobre essa decisão clicando aqui). Na época do resgate, o então deputado pelo PSD informou à Repórter Brasil que desconhecia as denúncias e que a fazenda era administrada por seu pai, Biné Figueiredo, ex-prefeito de Codó. Camilo se disse surpreso ao ser...
Herdeiro da família Bertin entra na ‘lista suja’ da escravidão

Herdeiro da família Bertin entra na ‘lista suja’ da escravidão

A família Bertin já foi uma das de maior destaque do ramo de frigoríficos do mundo. Com uma estratégia agressiva de exportações, o grupo ficou entre os principais do país na última década. Vendendo carne para Europa desde 1984, a família conquistou diferentes mercados em todo planeta. A empresa foi fundada em 1977 por Henrique Bertin, filho do pecuarista João Bertin, e passou a ser controlada por seus cinco irmãos depois de sua morte, em 1981. Após o ápice, marcado pela aquisição da indústria de laticínios Vigor no final da última década, veio o declínio nos últimos anos. Os irmãos até hoje estão entre os mais ricos do país e figuram na lista de bilionários da revista “Forbes”. Diversificaram atividades, apostando em empreendimentos em áreas como energia e infraestrutura, mas já não têm mais tanto poder. Desde que a rede de frigoríficos dos Bertin foi incorporada pelo grupo JBS-Friboi, considerado o maior produtor de carne do planeta, os irmãos Bertin perderam controle dos rumos do negócio. A aproximação entre os dois grupos começou no final da última década e foi consolidada em 2013, com a aprovação da negociação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O processo foi marcado por discordâncias e reclamações dos irmãos, que chegaram a acionar a Justiça para tentar reverter o resultado. No final, os irmãos tornaram-se acionistas da rede de frigoríficos, mas sem poder de voto para influenciar nos rumos da empresa. A redução de poder dos Bertin se consolida com a inclusão, nesta segunda-feira, dia 30, de João Bertin Filho, o irmão que leva o nome do patriarca da família, no cadastro de empregadores flagrados...

Agropecuária Santa Bárbara Xinguara pagará R$ 700 mil em acordo com o MPT

Empresa não reconheceu a prática de trabalho degradante, mas aceitou pagar a indenização por dano moral coletivo Até junho de 2014, a Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A terá que pagar à Justiça o total de R$ 700 mil. A quantia, estipulada como indenização por dano moral coletivo, foi acordada em audiência entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) em Marabá, autor de ação civil pública contra o grupo econômico, e os representantes legais da ré, na Vara do Trabalho de Xinguara, Sudeste paraense. A ação do MPT contra a Santa Bárbara teve origem após uma inspeção do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), em fevereiro do ano passado, que resultou na lavratura de 44 autos de infração em uma das fazendas de propriedade da agropecuária e no resgate de 5 trabalhadores encontrados em condições degradantes de trabalho. Na conciliação com o Ministério Público do Trabalho, a empresa contestou as práticas apontadas pela fiscalização, mas concordou em pagar a indenização por dano moral coletivo, requerida judicialmente. Segundo o acordo firmado na última quarta-feira (27), a Agropecuária terá ainda que cumprir obrigações de fazer e não fazer, como: quitar salários, rescisões trabalhistas e realizar os recolhimentos previdenciários e do Fundo de Garantia em dia; observar os direitos de férias remuneradas e 13º salário; respeitar a jornada de trabalho e o descanso entre jornadas; garantir moradia familiar e áreas de convivência para os trabalhadores com iluminação, ventilação e condições sanitárias adequadas; fornecer equipamentos de proteção individual e restringir o acesso a agrotóxicos. A multa por infringir as obrigações é de R$ 5.000 por item, reversível ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)....