Tag: Têxtil

O Verso da Oficina

Produção: Repórter Brasil Roteiro: Cristina de Branco e Miguel Dores Imagem e edição: Cristina de Branco Som direto: Miguel Dores   Esta reportagem foi realizada com o apoio da DGB Bildungswerk ...
Condenação do grupo Riachuelo revela o adoecimento das trabalhadoras da moda

Condenação do grupo Riachuelo revela o adoecimento das trabalhadoras da moda

O grupo Riachuelo foi condenado a pagar pensão vitalícia a uma de suas ex-funcionárias em mais uma ação que revela as precárias condições de trabalho impostas às costureiras que produzem para as grandes marcas da moda. A condenação descreve um ambiente de trabalho em que a exigência de metas de produção ocorria mediante abusos físicos e psicológicos. Segundo seu relato, a costureira era pressionada a produzir cerca de mil peças de bainha por jornada. A meta, por hora, era colocar elástico em 500 calças ou costurar 300 bolsos. Na ação, a funcionária diz que muitas vezes evitava beber água para diminuir suas idas ao banheiro. Idas que, segundo ela, seriam controladas pelo encarregado mediante o uso de fichas. A ação foi contra a Guararapes Confecções, indústria de roupas do grupo Riachuelo, condenada a pagar uma pensão vitalícia à costureira lesionada devido às atividades exercidas na empresa. A ex-funcionária desenvolveu Síndrome do Túnel do Carpo, que provoca dores e inchaços nos braços. A ação aponta que a trabalhadora teve a sua capacidade laboral diminuída devido ao ritmo de trabalho exaustivo demandado pela fábrica potiguar, onde são confeccionadas peças de roupa vendidas pelas lojas da Riachuelo.     O Tribunal Superior do Trabalho definiu, em dezembro de 2015, que a Guararapes deve pagar o equivalente a 40% da última remuneração da costureira enquanto durar a incapacidade, além de 10 mil reais a título de indenização. A pensão vitalícia pode se prolongar até que ela complete 70 anos. Segundo a funcionária, as idas ao banheiro eram controladas pelo encarregado Outro abuso relatado no processo, que teve início em 2011, foi o atendimento médico...

Respostas da Guararapes, empresa do grupo Riachuelo

– A sexta Turma do TST condenou a Guararapes Confecções ao pagamento de R$ 10 mil e pensão mensal a uma costureira que teve sua capacidade laboral diminuída devido à jornada exaustiva de trabalho exigida pela empresa. A decisão foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (RN). Como a empresa responde à condenação? A Guararapes Confecções cumpre rigorosamente a aplicação da jornada de trabalho prevista na CLT – 8,75 horas diárias de trabalho de segunda a sexta-feira, totalizando carga horária de 43,75 horas semanais. Além disso, a companhia conta com auditoria interna em todas as suas operações, com o objetivo de monitorar o cumprimento do Código de Ética e os horários de trabalho de acordo com a legislação. – Segundo a condenação, as idas ao banheiro da funcionária eram controladas por uma encarregada do setor mediante fichas. A empresa aceita essa pratica entre os encarregados, ela faz parte da política atual? O Grupo Guararapes não adota essa política e não compactua com a prática em questão. – Segundo o TRT, a funcionária desenvolveu a Síndrome do Túnel do Carpo devido ao sistema de trabalho, o que provocava dores e inchaços nos braços. Após ser medicada com analgésico na enfermaria, a funcionária recebia a determinação de retornar ao trabalho. Quais medidas a empresa tomou para evitar que esse tipo de determinação volte a acontecer? A alegação da reclamante não foi reconhecida pelo TRT. De qualquer forma, nos casos em que a área médica não detecta inaptidão clínica, o colaborador é consultado para saber se há condições de retornar ao trabalho. – A empresa continua exigindo que seus funcionários atinjam metas? ...

Posicionamento da Casas Pernambucanas sobre condenação por trabalho escravo

Parte integrante da matéria “Casas Pernambucanas é condenada a multa de R$ 2,5 milhões por trabalho escravo” “No que diz respeito à recente decisão em primeira instância proferida pelo juiz do trabalho, Marcelo Donizeti Barbosa, no caso que envolveu subcontratado de fornecedor da Pernambucanas em abril de 2011, a empresa informa: 1. Desde sua fundação, em 1908, a Pernambucanas é uma empresa legalista. Está ao lado do desenvolvimento das cidades brasileiras e da economia nacional, além de investir na geração de empregos formais e na qualificação de seus mais de 16 mil funcionários – a ponto de em 2005 ter inaugurado uma Universidade própria. 2. A empresa registrou em 2013 um faturamento de R$ 4,6 bilhões, obtidos por meio de suas vendas no vestuário têxtil, mas sobretudo pelas vendas de eletroeletrônicos e produtos financeiros. Não há lógica, portanto, que a empresa queira obter alguma vantagem econômica promovendo a precarização do trabalho em qualquer elo de sua cadeia de fornecimento e menos ainda em situações isoladas, como esta na qual fomos enganados por fornecedores há quatro anos. 3. O cuidado com as questões trabalhistas sempre foi pauta na Pernambucanas. A ponto de em 2003, preocupada com as informações relacionadas à crescente informalidade do mercado têxtil brasileiro, a empresa tenha registrado no 2º Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Capital – SP, o contrato que rege até hoje sua relação com fornecedores. Nele, deixa claro suas exigências relacionadas à legalidade, não admitindo o uso de mão de obra infantil, condições análogas à escravidão ou qualquer situação que precarize o trabalho e a dignidade. 4....
Casas Pernambucanas é condenada a multa de R$ 2,5 milhões por trabalho escravo

Casas Pernambucanas é condenada a multa de R$ 2,5 milhões por trabalho escravo

Uma das maiores empresas de varejo do Brasil, a Casas Pernambucanas foi condenada a pagar R$ 2,5 milhões por explorar trabalhadores em condições análogas às de escravos. A sentença foi proferida em primeira instância em São Paulo na última sexta-feira, 5, pelo juiz Marcelo Donizeti Barbosa em ação movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Cabe recurso. Inicialmente, ao ser procurada pela reportagem, a empresa afirmou não ter sido notificada. Nesta terça-feira, dia 9, depois da publicação desta matéria, a Pernambucanas enviou novo posicionamento afirmando que recorrerá da decisão, que iniciou um programa de fiscalização da produção após o flagrante e que os fornecedores agiram de má fé na ocasião (leia na íntegra)*. A condenação ocorreu por dois flagrantes, em 2010 e 2011, na cadeia produtiva da empresa. No total, foram resgatadas da escravidão 31 pessoas – entre elas, dois adolescentes de 16 e 17 anos – vindas da Bolívia, Paraguai e Peru. Em ambos os casos, as vítimas foram submetidas a jornadas exaustivas e servidão por dívidas, além de produzirem peças em oficinas consideradas em condições degradantes pela fiscalização, composta por auditores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e procuradores do MPT. Clique para baixar a decisão na íntegra Os trabalhadores eram subcontratados para trabalhar, em São Paulo, em oficinas informais pagas pelas empresas Dorbyn Fashion Ltda. e Nova Fibra Confecções Ltda. Estas, por sua vez, eram contratadas pela Casas Pernambucanas para a produção de roupas que seriam vendidas em sua rede de lojas. No processo, a empresa não contestou as condições degradantes flagradas nas duas ocasiões pela fiscalização e centrou sua argumentação em dizer que não...