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História acorrentada

Caieira em sítio arqueológico próximo ao Parque Nacional da Serra da Capivara (foto Cristiane Buco/Fundham) Mão de obra escrava está sendo utilizada para destruir parte do patrimônio cultural da humanidade no meio do sertão nordestino. Sítios arqueológicos que contêm pinturas rupestres datadas em 40 mil anos são dinamitados ou dilapidados a golpes de picareta. O motivo não podia ser mais banal, as rochas de origem calcária servem de matéria-prima para a fabricação de cal, utilizado na construção civil. O governo sabe muito bem o que acontece, mas faz vistas grossas há anos, obedecendo a interesses dos políticos locais. Enquanto isso, essas pinturas, que talvez sejam as mais antigas em todo o mundo, podem deixar de existir de uma hora para outra como parte das comemorações dos 500 anos de Brasil. O Parque Nacional da Serra da Capivara, localizado no município de São Raimundo Nonato, no Estado do Piauí, possui a maior concentração de pinturas rupestres das Américas, com mais de 30 mil desenhos em 417 sítios arqueológicos catalogados – dos quais apenas 11 foram efetivamente explorados. Foi lá que a arqueóloga Niède Guidon, diretora do parque, encontrou vestígios de ocupação humana que remontam 500 séculos. Isso colocou de pernas para o ar as teorias norte-americanas de que os primeiros sapiens vieram a pé pelo Estreito de Bering e daí povoaram o continente. Pois, para que isso seja verdade, os mais antigos vestígios têm que estar lá e não aqui – ao contrário do que os achados na Serra da Capivara mostram. Independentemente da guerra acadêmica que se instalou, é inegável a importância da região para ajudar a revelar como...