Para família Mutran, valor de indenização por desapropriação é ´ridículo´

 18/12/2008

A indenização que será dada aos Mutran é alvo de polêmica. Para a família, o valor é "ridículo". Para os movimentos sociais, é um "prêmio" injusto.

Segundo Délio Mutran, os R$ 21 milhões propostos pelo Incra são "ridículos". Para ele, o que piora a situação é que, do total, R$ 12 milhões serão descontados como compensação pelo desmatamento ilegal de uma área da propriedade.

"As benfeitorias ali valem pelo menos três vezes isso", afirmou. "O dinheiro da indenização deveria dar, teoricamente, para comprar outra fazenda como a Cabaceiras. Onde vou fazer isso, com R$ 9 milhões [valor já com o desconto]?"

Um perito contratado pelos Mutran tentará, no curso do processo, demonstrar que as casas, cercas e currais valem mais do que o proposto.

Maria Raimunda César, da coordenação do MST no Pará, disse que, de qualquer forma, a indenização será um "prêmio".

"Foi constatado trabalho escravo, crime ambiental. Houve apropriação indevida de área da União e não foi cumprida a função social. Com tudo isso, a indenização termina sendo um prêmio para a família."

Para ela, o "governo brasileiro está pagando por uma terra que já é do povo brasileiro". O fato de os Mutran pedirem o triplo, disse Maria Raimunda, "mostra a postura de exploração [adotada pela família]".

Apesar de considerar que os Mutran não deviam "receber nada", ela disse que no acampamento 26 de março, montado na área, "o clima é de festa". "Mostra que valeu a pena. Foi construído um território de resistência, que acabou denunciando a problemática do trabalho escravo na região."

Agora, a invasão deve se tornar um assentamento. Amanhã, uma cerimônia na Cabaceiras com o presidente do Incra, Rolf Hackbart, e da governadora Ana Júlia Carepa (PT) lançará também a "pedra fundamental" de uma escola agrotécnica federal no local.

18/12/2008

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