A PF (Polícia Federal) e o Ministério do Trabalho localizaram ontem em Hortolândia 40 trabalhadores do setor de construção civil em condições precárias. De acordo com a Polícia Federal, os funcionários foram trazidos para construção de uma escola estadual, mas não receberam os salários prometidos e muitos não têm condições de retorno ao seu local de origem. Ninguém foi preso. Semana passada, outros dois alojamentos com trabalhadores em situação análoga à escravidão foram encontrados em Campinas.
A Polícia Federal informou que o alojamento tinha quartos que acomodavam de 6 a 8 pessoas, infestados por percevejos, e que havia dois únicos banheiros para os 40 homens. A comida era constituída por arroz, pouco feijão e um pequeno pedaço de carne.
Os homens eram contratados pela Empreiteira de Mão de Obra Irmãos Moura Ltda, mas estavam vinculados à Construtora Itajaí, que controlava as horas trabalhadas e era responsável pelo fornecimento de alojamento e vales para refeição. Os operários foram aliciados na cidade de Garanhuns (PE).
DENÚNCIA
A Justiça do Trabalho em Hortolândia recebeu uma denúncia formulada pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) sexta-feira e informou à Polícia Federal, ao Ministério do Trabalho e à Procuradoria Regional do Trabalho.
A força tarefa verificou que os trabalhadores foram trazidos de Garanhuns em ônibus possivelmente irregulares, custeando a própria alimentação durante os 3 dias de viagem até São Paulo, de onde foram trazidos para trabalhar em Hortolândia.
SALÁRIO
A empresa retinha o primeiro mês de salário dos trabalhadores, prometendo o pagamento no fim do contrato, mantendo-os assim sem dinheiro e obrigando-os a fazer suas refeições no refeitório.
Segundo a Polícia Federal, as empresas negam as irregularidades. Será instaurado inquérito.
As empresas foram contatadas por meio de seus telefones comerciais a partir das 19h, mas nenhum responsável foi encontrado para se manifestar sobre o caso. A assessoria do governo do Estado foi contatada por volta das 22h, mas não houve retorno.