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Cuidado com a roupa suja

"Nike, Adidas, Levi´s e outros 30 gigantes do vestuário vão criar índice verde" diz o título da notícia veiculada esta semana em vários portais, a partir de reportagem do jornal inglês The Guardian. A intenção, louvável, dessas empresas é expor aos consumidores uma espécie de selo de pegada ecológica de seus produtos. Os objetivos dessa Coligação do Vestuário Sustentável, como está sento chamada a iniciativa, terá duas etapas: 1 – Minimizar impactos da indústria sobre o meio ambiente com a redução do consumo de energia elétrica e água, restrição do uso de produtos químicos e diminuição do volume de resíduos produzidos e das emissões de gases de efeito estufa; 2 – Otimizar uma produção mais limpa baseada no tal índice verde, com a avaliação de matérias-primas, esquemas de transporte e embalagens sustentáveis. Muito bom. Mas a reportagem não diz nada sobre incluir nesse "pacote do bem" uma avaliação das condições de trabalho nas oficinas de costura contratadas por essas multinacionais e outras grandes (e pequenas) indústrias de confecções. A própria Nike foi denunciada, anos atrás, por utilizar trabalho escravo e até infantil no Vietnã e na Indonésia. No Brasil, essa prática ilegal também é moda. No ano passado, a rede de lojas de vestuário feminino Marisa foi processada e multada por comercializar roupas produzidas com trabalho escravo. Em geral, as vítimas são bolivianos que entram no país clandestinamente, são explorados por pequenas oficinas terceirizadas e obrigados a trabalhar em condições desumanas por salários ridículos. No mesmo ano, a famosa marca de moda jovem 775 também enfrentou a Justiça com atitude semelhante. Sofreu processo por contratar uma oficina que produzia suas roupas com o suor de duas operárias bolivianas, com histórico de uma rotina de violência física e moral. Detalhe: os dois casos foram relatados em ambiente urbano, a cidade de São Paulo. Imagine o que não deve acontecer por esse Brasil afora. O Grupo de Combate à Fraude e à Terceirização Irregular do Ministério do Trabalho investiga também três outras grandes redes varejistas de roupas no país por casos semelhantes. Zelar pelo meio ambiente é ótimo, mas sem esquecer dos direitos humanos. Cabe a nós, consumidores, ficar de olho nas empresas. Afinal, ninguém gosta de vestir roupa suja. Sustentável na práticaAfonso Capelas Jr

"Nike, Adidas, Levi´s e outros 30 gigantes do vestuário vão criar índice verde" diz o título da notícia veiculada esta semana em vários portais, a partir de reportagem do jornal inglês The Guardian. A intenção, louvável, dessas empresas é expor aos consumidores uma espécie de selo de pegada ecológica de seus produtos.

Os objetivos dessa Coligação do Vestuário Sustentável, como está sento chamada a iniciativa, terá duas etapas: 1 – Minimizar impactos da indústria sobre o meio ambiente com a redução do consumo de energia elétrica e água, restrição do uso de produtos químicos e diminuição do volume de resíduos produzidos e das emissões de gases de efeito estufa; 2 – Otimizar uma produção mais limpa baseada no tal índice verde, com a avaliação de matérias-primas, esquemas de transporte e embalagens sustentáveis.

Muito bom. Mas a reportagem não diz nada sobre incluir nesse "pacote do bem" uma avaliação das condições de trabalho nas oficinas de costura contratadas por essas multinacionais e outras grandes (e pequenas) indústrias de confecções.

A própria Nike foi denunciada, anos atrás, por utilizar trabalho escravo e até infantil no Vietnã e na Indonésia. No Brasil, essa prática ilegal também é moda. No ano passado, a rede de lojas de vestuário feminino Marisa foi processada e multada por comercializar roupas produzidas com trabalho escravo. Em geral, as vítimas são bolivianos que entram no país clandestinamente, são explorados por pequenas oficinas terceirizadas e obrigados a trabalhar em condições desumanas por salários ridículos.

No mesmo ano, a famosa marca de moda jovem 775 também enfrentou a Justiça com atitude semelhante. Sofreu processo por contratar uma oficina que produzia suas roupas com o suor de duas operárias bolivianas, com histórico de uma rotina de violência física e moral. Detalhe: os dois casos foram relatados em ambiente urbano, a cidade de São Paulo. Imagine o que não deve acontecer por esse Brasil afora.

O Grupo de Combate à Fraude e à Terceirização Irregular do Ministério do Trabalho investiga também três outras grandes redes varejistas de roupas no país por casos semelhantes.

Zelar pelo meio ambiente é ótimo, mas sem esquecer dos direitos humanos. Cabe a nós, consumidores, ficar de olho nas empresas. Afinal, ninguém gosta de vestir roupa suja.

Sustentável na prática
Afonso Capelas Jr


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