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Seminário termina com Carta-Compromisso contra o Trabalho Escravo no Mato Grosso

Ao todo, 11 municípios da região do Araguaia assumiram compromissos contra escravidão. Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo pretende espalhar iniciativa

Pedro Casaldáliga foi homenageado por seu trabalho em defesa dos direitos humanos

Pedro Casaldáliga foi homenageado por seu trabalho em defesa dos direitos humanos. Fotos: Gustavo Ohara

O seminário “1970-2012: a Luta pela Erradicação do Trabalho Escravo no Brasil”, foi encerrado no fim da tarde deste sábado, 2 de fevereiro, com a apresentação da Carta-Compromisso contra o Trabalho Escravo, assinada por representantes de 11 municípios da região do Araguaia, no noroeste do estado, todos reunidos pela Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo do Mato Grosso (Coetrae-MT). O compromisso foi inicialmente assumido por Alto da Boa Vista, Bom Jesus, Confresa, Querência, Santa Teresinha, São José do Xingu, Porto Alegre do Norte, Ribeirão Cascalheira, São Félix do Araguaia, Terra Nova Dourada e Vila Rica. A ideia é fazer com que cidades de outras regiões do estado também participem e assinem a carta este ano.

Entre os compromissos assumidos estão o de apoiar e construir políticas públicas municipais para o combate ao trabalho escravo, fortalecer ações destinadas ao acesso à terra e programas de qualificação profissional, e inserir o tema na grade curricular das escolas municipais. Além disso, as prefeituras se comprometem a deixar de adquirir produtos e fazer negociações com pessoas e empresas flagradas explorando trabalho escravo e a colocar o Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) como órgão prioritário para trabalhadores resgatados e pessoas em situação vulnerável.

Clique aqui para baixar uma cópia do arquivo em PDF da Carta-Compromisso divulgada no encontro

Homenagens e comprometimento
Durante o seminário, o bispo Pedro Luís Casaldáliga foi homenageado por seu trabalho na luta contra a escravidão e em defesa dos direitos humanos. No evento, também foram celebrados os 20 anos da existência do Ministério Público do Trabalho. O procurador-chefe Thiago Gurjão Alves Ribeiro entregou uma placa em reconhecimento ao religioso.

Foram realizadas mesas de debate sobre trabalho escravo e sobre como a educação pode ser uma ferramenta importante no combate a esta violência e ao trabalho infantil. Moradores locais e de cidades da região participaram. Os palestrantes defenderam que o evento sirva como um ponto de partida para novas ações e para o fortalecimento do combate à escravidão contemporânea, com mais participação da sociedade civil. “A luta não se esgota com os entes que trabalham o tema. Se não existir na sociedade civil a demanda, não chegaremos ao fim desejado que é a erradicação, o término por completo desta prática. O campo jurídico e judicial é apenas um deles. A luta é sobretudo política. A superexploração do trabalhador, que é irmã siamesa do trabalho escravo, se encontra presente em todo rastro de desenvolvimento que o país vai passando”, afirmou o procurador Rafael Garcia.

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Veja abaixo mais fotos do seminário:

* Atualizado às 12h13 de 4/02/2013 para correção de informações: são 11 os municípios que assumiram o compromisso – não 12, conforme informado anteriormente.


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4 Comments

  1. O tempo e suas mazelas não diminui o ardor em lutar contra injustiças. A D. Pedro e sua equipe deve ser tributado muito do que se conseguiu na luta para erradicar o trabalho escravo e degradante no Brasil . Quero registrar minha homenagem ao frei Jean Ranganés , que veio de Paris para o Xingu participar desta luta e que faleceu recentemente; e lembrar também o alagoano Cícero, do MST de Campos de Goytacazes, que trabalhou desde os oito de idade, por canaviais do Brasil inteiro, para encontrar a morte de tocaia,quando tentava construir um novo mundo para seus filhos .

    jeaan R

  2. Povo que não foge da luta!
    Pequena correção: dom Pedro Maria Casaldáliga Plá.

  3. Oi Luis Claudio,
    Parabéns a você pelo trabalho jornalístico, parabéns a Diocese pela iniciativa e a boa articulação desta movimento contra o trablho escravo, e principalmente parabéns ao nosso querido Pedro Casaldáliga. Apesar das condições difíceis foi uma alegria estar com ele aqui no nosso Mosteiro. Que Deus continue a abenço´-los e o Espirito Santo de Deus a iluminá-los e a dar muita energia para continuação de tantos trabalhos a serem feitos aí no Mato Grosso.
    Um abração, Arcelina

  4. Não tenho palavras para dizer que conhecer Pedro Casaldáliga é um presente de Deus. Amigo, companheiro de luta, por muitos anos no CIMI, pela causa indígena, junto à OPAN. Mestre Divino, com sua sabedoria muito nos ensinou a conviver,com as pessoas, compreender os índios , fazer nossas as lutas destes povos tão sofridos e tão discriminados. Aprendemos que os sem-terra também tinham direitos que os governos e trustes econômicos faziam de tudo para não lhes contemplar. Nunca calar,sempre estar do lado dos que lutam por um mundo melhor para os necessitados. Pedro, mesmo longe e, com uma enorme vontade de te encontrar,quero te dizer que não precisamos de modelos; não precisamos de heróis; pois temos um amigo que nos mostra que a glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delícia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você. Aquele que me deu meu apelido de Calu tinha um lema que sempre me dizia ” sei em Quem acredito”. É por isso que meu coração se enche de alegria cada vez que seu trabalho é reconhecido. Fico feliz em fazer parte da família do TRT23ª Região e do MPT ,que tem reconhecido a semente que plantastes neste País e no coração dos homens de boa vontade. Valeu, Pedro, se me permite quero abraçar-te e sonhar um dia em revê-lo para recordarmos nossa caminhada. Calu e Família.

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