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Nota da Adere-MG

Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais se manifesta a respeito de relatório da DanWatch sobre condições de trabalho em fazendas de café

A Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais (Adere-MG), organização que articula as lutas de vários sindicatos de empregados rurais, dentre eles o maior sindicato de empregados rurais do estado de Minas Gerais, o Sindicato dos Empregados Rurais da Região Sul de Minas, que representa 28 municípios na região, dente eles vários municípios exportadores de cafés especiais, declara:

Diferentemente da nota da Confederação Nacional do Café (CNC) e Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), a ADERE e seus Sindicatos de Empregados Rurais afirmam que o relatório da Danwatch mostra as vergonhosas e precárias relações do trabalho na cafeicultura mineira, cafeicultura que não respeita os direitos de seus empregados, a legislação trabalhista e que tem ainda as suas senzalas “modernas”, mas mascaradas de alojamento.

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Afirmamos ainda que, se o Ministério do Trabalho fiscalizasse todas as denúncias de trabalho degradante e análogo a escravo em tempo hábil, e se todos seus auditores fiscais observassem e aplicassem a Instrução Normativa 91/2011 e a NR 31 em sua íntegra, a quantidade de casos de trabalho escravo e de trabalhadores libertados seria muito maior, tendo em vista a quantidade de casos iguais que a ADERE e seus sindicatos resolvem através de negociações diretas com vários fazendeiros do estado, para agilizar a retirada de trabalhadores da mesma desumana situação de trabalho escravo flagrada pelo MTE através de denúncias, em especial da ADERE e de Sindicatos articulados.

Ainda, se os auditores fiscais do trabalho ouvissem melhor as denúncias dos trabalhadores nas fazendas de café e não dessem tantos prazos para regularização por parte do cafeicultor, verificariam que a precarização do trabalho no café e os esquemas contábeis para desrespeitar os direitos dos empregados rurais causam enorme prejuízos não só financeiros, mas também sociais a estes empregados, além de um rombo nos cofres públicos.

Afirmamos também que temos posse de muitos documentos que comprovam essa realidade e esperamos que, com a reportagem investigativa da Danwatch “Café Amargo”, os cafeicultores e seus representantes possam atuar de forma séria e honesta para que as coisas comecem a melhorar para os trabalhadores nas lavouras de café, e que nossa luta se fortaleça com isso.

Trabalho escravo, vamos abolir de vez essa vergonha!


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