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Finanças

Voltar para Eles Mandam O mapa do setor financeiro mudou bastante desde a adoção do Plano Real, em 1994. No início do Real, havia no país 241 bancos. Hoje são menos de 180. A estabilidade monetária, o aumento do comércio exterior e as privatizações de concessões públicas e de bancos estaduais trouxeram uma nova realidade ao setor. Primeiro, grandes instituições estrangeiras aumentaram sua presença. Após intervenção do Banco Central, em 1997, parte saudável do Banco Bamerindus, que era controlado pelo ex-senador José Eduardo Andrade Vieira, foi transferida ao HSBC. A venda de bancos controlados por Estados ou pela União também reforçou essa tendência no mercado nacional: o controle do Banespa foi vendido para o Santander. Em receita em 2012, segundo o anuário Valor Grandes Grupos 2013, publicado em novembro de 2013, Santander e HSBC estão entre os dez maiores em receita líquida. A chegada de novas forças coincidiu com o aumento de escala de grupos nacionais, movimento oriundo da venda de bancos estatais pelos governos, pelas dificuldades econômicas de bancos menores ou pela busca de maior escala. O Bradesco adquiriu várias instituições: em 1997, o BCN, em 1999 o Banco do estado da Bahia, em 2002, o Banco do Espírito Santo, em 2003 o BBVA, em 2009 a Agora Corretora. O Itaú não ficou para trás e anunciou a maior operação do setor: em novembro de 2008, anunciou a fusão de suas operações com o Unibanco, criando assim o Itaú Unibanco, com uma receita em 2012 de R$ 146 bilhões. Os bancos estatais ganharam também maior poder de fogo. Em 2008, o Banco do Brasil incorporou o Banco do Estado de Santa Catarina (BESC), o Banco do Estado do Piauí (BEP). Em 2009, foi ainda incorporado o Banco Nossa Caixa e, por meio de uma parceria estratégica, foram adquiridas 50% das ações do Banco Votorantim. A Caixa Econômica Federal se fortaleceu por conta do aumento da participação do crédito imobiliário na economia. Em dez anos, o crédito habitacional pulou de uma fatia de 2,5% do PIB para 7,5%, sendo que o banco estatal é um dos principais veículos de distribuição desse crédito. Essa concentração de forças teve impacto sobre o consumidor. Em março de 2013, as pessoas físicas e jurídicas tinham R$ 1,7 trilhão depositado em bancos. Desse valor, 83% – ou R$ 1,4 trilhão – estão em apenas cinco instituições ou conglomerados financeiros: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco e Santander. Em 1995, apenas 68% dos depósitos estavam nos cinco maiores grupos, segundo estudo do blog Achados Econômicos. Entre as forças tradicionais também houve um surgimento de uma nova instituição poderosa: o BTG Pactual. A BTG, empresa global de investimentos com escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Londres, Nova Iorque e Hong Kong adquiriu em abril de 2009 o Banco UBS Pactual. Em 2012, foi realizada a Oferta Pública Inicial de Ações (IPO), com a captação de R$ 3,65 bilhões, tornando-se uma das maiores empresas de valor de mercado entre as empresas listadas na Bolsa. Os bancos têm também ampliado sua esfera de atuação. Seguros e previdência serão outros dois focos importantes do setor para continuar aumentando a rentabilidade. No Bradesco, o braço de seguros e previdência responde por 30% dos seus ganhos. Em 2008, o Itaú anunciou acordo de associação com a Porto Seguro, reforçando sua presença no segmento de seguros. Com o acordo, passou a ter a liderança em seguros nos ramos de automóvel e residência. Voltar para Eles Mandam

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O mapa do setor financeiro mudou bastante desde a adoção do Plano Real, em 1994. No início do Real, havia no país 241 bancos. Hoje são menos de 180. A estabilidade monetária, o aumento do comércio exterior e as privatizações de concessões públicas e de bancos estaduais trouxeram uma nova realidade ao setor. Primeiro, grandes instituições estrangeiras aumentaram sua presença.

Após intervenção do Banco Central, em 1997, parte saudável do Banco Bamerindus, que era controlado pelo ex-senador José Eduardo Andrade Vieira, foi transferida ao HSBC. A venda de bancos controlados por Estados ou pela União também reforçou essa tendência no mercado nacional: o controle do Banespa foi vendido para o Santander. Em receita em 2012, segundo o anuário Valor Grandes Grupos 2013, publicado em novembro de 2013, Santander e HSBC estão entre os dez maiores em receita líquida.

A chegada de novas forças coincidiu com o aumento de escala de grupos nacionais, movimento oriundo da venda de bancos estatais pelos governos, pelas dificuldades econômicas de bancos menores ou pela busca de maior escala. O Bradesco adquiriu várias instituições: em 1997, o BCN, em 1999 o Banco do estado da Bahia, em 2002, o Banco do Espírito Santo, em 2003 o BBVA, em 2009 a Agora Corretora.

O Itaú não ficou para trás e anunciou a maior operação do setor: em novembro de 2008, anunciou a fusão de suas operações com o Unibanco, criando assim o Itaú Unibanco, com uma receita em 2012 de R$ 146 bilhões. Os bancos estatais ganharam também maior poder de fogo. Em 2008, o Banco do Brasil incorporou o Banco do Estado de Santa Catarina (BESC), o Banco do Estado do Piauí (BEP). Em 2009, foi ainda incorporado o Banco Nossa Caixa e, por meio de uma parceria estratégica, foram adquiridas 50% das ações do Banco Votorantim.

A Caixa Econômica Federal se fortaleceu por conta do aumento da participação do crédito imobiliário na economia. Em dez anos, o crédito habitacional pulou de uma fatia de 2,5% do PIB para 7,5%, sendo que o banco estatal é um dos principais veículos de distribuição desse crédito. Essa concentração de forças teve impacto sobre o consumidor. Em março de 2013, as pessoas físicas e jurídicas tinham R$ 1,7 trilhão depositado em bancos. Desse valor, 83% – ou R$ 1,4 trilhão – estão em apenas cinco instituições ou conglomerados financeiros: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco e Santander. Em 1995, apenas 68% dos depósitos estavam nos cinco maiores grupos, segundo estudo do blog Achados Econômicos.

Entre as forças tradicionais também houve um surgimento de uma nova instituição poderosa: o BTG Pactual. A BTG, empresa global de investimentos com escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Londres, Nova Iorque e Hong Kong adquiriu em abril de 2009 o Banco UBS Pactual. Em 2012, foi realizada a Oferta Pública Inicial de Ações (IPO), com a captação de R$ 3,65 bilhões, tornando-se uma das maiores empresas de valor de mercado entre as empresas listadas na Bolsa.

Os bancos têm também ampliado sua esfera de atuação. Seguros e previdência serão outros dois focos importantes do setor para continuar aumentando a rentabilidade. No Bradesco, o braço de seguros e previdência responde por 30% dos seus ganhos. Em 2008, o Itaú anunciou acordo de associação com a Porto Seguro, reforçando sua presença no segmento de seguros. Com o acordo, passou a ter a liderança em seguros nos ramos de automóvel e residência.

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