Tag: Frigoríficos

JBS, Sadia e Marfrig varrem doenças de trabalhadores para debaixo do tapete

JBS, Sadia e Marfrig varrem doenças de trabalhadores para debaixo do tapete

Quando encontrei Osmarina no portão de sua casa, ela sequer conseguia ficar em pé sozinha. Para caminhar menos de dez metros, amparou-se na parede apoiando o outro braço em sua filha. Ela havia passado um ano deitada em sua cama após uma cirurgia na cervical, e agora reaprendia a andar, mas ainda sem conseguir mexer o pescoço e as mãos. Osmarina conta que “destruiu” a coluna trabalhando no frigorífico da JBS em Lins, interior de São Paulo, durante onze anos. Ela pegava pedaços de carne em uma esteira e os colocava dentro de caixas, oito horas por dia. A relação entre carregar pedaços de boi com quinze quilos e destruir as costas pode parecer clara. Mas, para a JBS, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Hoje, Osmarina está “encostada” com uma aposentadoria do INSS, que ela conta sequer ser suficiente para os seus remédios. Osmarina mora em Santa Terezinha, um bairro pobre da periferia de Lins onde quase toda casa tem um funcionário da JBS. Fui levado até ela por outros trabalhadores em situações parecidas, que listavam vizinhos com lesões por esforço repetitivo, inflamações nos músculos, hérnia de disco e dificuldades de audição. Todos creditavam isso ao tempo no frigorífico, e se sentiam desamparados pela empresa. Os moradores de Santa Terezinha são vítimas de uma prática comum de diversos frigoríficos: eles não comunicam todas as doenças geradas ou agravadas pelo trabalho à Previdência Social conforme a lei manda, segundo fiscalização do Ministério do Trabalho e o relato de trabalhadores do bairro. Casos como esse sustentam uma complexa indústria de subnotificações de doenças, onde os trabalhadores...
Da fazenda ao frigorífico: a cadeia de problemas trabalhistas na JBS

Da fazenda ao frigorífico: a cadeia de problemas trabalhistas na JBS

Da fazenda ao curtume, trabalhadores ligados à JBS queixam-se do desrespeito a direitos básicos em todas as etapas da indústria da carne. Na semana passada, em 15 de julho, essas condições de trabalho viraram caso de polícia em Santa Catarina. Determinado pelo Ministério Público do Trabalho, o inquérito conduzido pela Polícia Federal irá investigar a submissão de trabalhadores à condição análoga a de escravo, jornadas exaustivas, lesão corporal e exposição dos funcionários a graves riscos devido às condições de um frigorífico em São José, na grande Florianópolis. Os problemas trabalhistas não se resumem a uma ou outra etapa da produção da JBS, a maior produtora de proteína animal do mundo, que registrou lucro líquido de R$ 4,6 bilhões em 2015. A Repórter Brasil ouviu, em três estados do país, vaqueiros em fazendas, caminhoneiros da empresa, além de empregados de frigoríficos e curtumes – onde o couro dos bois é tratado. As denúncias não são restritas a violações à legislação trabalhista. Todos os entrevistados enfatizam a falta de apoio da JBS, mesmo após acidentes graves e doenças ocupacionais. Clique nas fotos para conhecer as condições de trabalho em cada etapa de produção do gado e do couro da JBS: Essa reportagem faz parte de uma investigação da Repórter Brasil sobre  a indústria da carne e do couro no Brasil. Confira novas reportagens na semana que vem. Frigorífico “A vida dele não tem preço” Andreza Ventura da Silva perdeu o marido há cinco anos. Trabalhador do frigorífico da JBS em Lins, interior de São Paulo, Luís André de Oliveira morreu dentro de uma câmara fria, área de armazenamento de carnes onde...
A árdua tarefa de pôr o frango na caixa

A árdua tarefa de pôr o frango na caixa

Todos os dias, aproximadamente 15 milhões de frangos são transportados no Brasil das fazendas para o abate em frigoríficos. O trajeto é feito por caminhões com centenas de caixas empilhadas, cada uma delas contendo algo entre sete e dez aves. Colocar os frangos nessas caixas – e, posteriormente, as caixas em cima dos caminhões – é uma tarefa árdua, realizada por equipes que percorrem rodovias e estradas de terra a bordo de pequenas vans. Num único dia de labuta, cada uma dessas equipes, compostas por cerca de dez trabalhadores cada, visita diversas propriedades e é facilmente responsável pela apanha de mais de 50 mil animais. Ausência de carteira assinada, jornadas excessivas – inclusive às madrugadas – e condições insalubres são apenas alguns dos problemas comumente enfrentados pelos milhares de trabalhadores que se dedicam à atividade, na qual já foram inclusive flagradas situações de escravidão contemporânea. “Dentro da nossa categoria, é o pessoal mais explorado”, avalia Siderlei de Oliveira, presidente da Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação (Contac/CUT). A precária situação laboral dos apanhadores de frango é um dos temas centrais tratados no segundo número do Monitor, boletim que divulga periodicamente os estudos setoriais e de cadeia produtiva da Repórter Brasil. Em “A indústria do frango no Brasil”, o leitor também encontrará análises sobre a situação dos integrados e o problema das doenças ocupacionais que acometem os trabalhadores no setor. Em 2015, o Brasil ultrapassou a China e se tornou o segundo maior produtor mundial de carne de frango, atrás apenas dos Estados Unidos. No comércio internacional desse produto, porém, o país já é há algum tempo...

Exposição itinerante debate as condições de trabalho no Brasil

Uma exposição multimídia, interativa e itinerante sobre o universo de três categorias de trabalhadores: cortadores de cana-de-açúcar, empregados de frigoríficos e operadores de telemarketing. Esse é o novo projeto coordenado pela Repórter Brasil para sensibilizar o público sobre a necessidade de se debater a qualidade das condições de trabalho no Brasil hoje. Nesta quarta 12, o projeto “Mundo do Trabalho” foi habilitado para começar a tentar captar, por meio da Lei Rouanet, até R$ 4,9 milhões com a iniciativa privada para a realização da mostra. A exposição e suas atividades paralelas terão entrada gratuita em todas as cidades por onde passar. O projeto não irá captar recursos de empresas estatais. À semelhança de outros espaços temáticos, como o Museu do Futebol e o Museu da Língua Portuguesa, ambos instalados em São Paulo (SP), a exposição de artes visuais “Mundo do Trabalho” irá convidar o público a fazer uma profunda reflexão sobre atividades econômicas com as quais os brasileiros lidam diariamente – mas cujas entranhas ainda são pouco conhecidas. O projeto é desenvolvido em parceria com a Tomara! Educação e Cultura, empresa reconhecida pela organização de diversas exposições em todo o país. Tomando como inspiração as últimas tecnologias para equipamentos culturais, a exposição vai trazer vídeos, fotografias, infográficos – além de instalações que proporcionem interatividade mecânica e digital – para que o visitante se coloque na pele dos trabalhadores retratados. Medidas de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, auditiva e física também constam do projeto para garantir acesso amplo e irrestrito. A mostra será montada em espaços públicos de grande circulação – como praças e parques – com fácil acesso...

Frigorífico terá que pagar R$ 230 mil a funcionária que perdeu quatro dedos

O frigorífico Tyson foi condenado a pagar R$ 230 mil em danos morais e indenização por dano estético a uma trabalhadora de 21 anos que perdeu quatro dedos da mão direita em uma máquina usada no processamento de frangos em Santa Catarina. À decisão cabe recurso. A empresa também terá que arcar com uma pensão vitalícia no valor de 60% do piso da categoria da trabalhadora até que complete 76,8 anos (expectativa de vida para mulheres nesse estado, segundo o IBGE). A perícia constatou que a lesão roubou, de forma permanente, 60% da sua capacidade laboral. Contratada para trabalhar no corte de animais, ela era escalada com frequência para limpar o equipamento. E, em uma das vezes, os dedos foram esmagados. De acordo com o Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina, a empresa alegou que fornecia treinamento e afirmou que a empregada descumpriu normas de segurança. Contudo, a juíza Maria Beatriz Gubert, da 2ª Vara do Trabalho de São José, concluiu que o processo de limpeza apresentava falhas “A atividade de higienização das máquinas não seguia o padrão recomendado, já que os empregados a executavam com o equipamento ligado e utilizando luva inadequada, sem qualquer orientação ou supervisão da ré”, afirmou a juíza na sentença. Isso me lembrou outro caso que tive conhecimento em uma ação de resgate de trabalhadores escravizados na Amazônia tempos atrás. Aliás, a história dos trabalhadores brasileiros é uma sequência de coisas assim. Em uma fazenda no Sul do Pará, havia uma espécie de tabela para partes do corpo perdidas no serviço. Um dedo valia X. Um braço Y. Uma perna Z. Nada muito caro, claro....