Tag: Imigrantes

“Não somos escravos”, imigrantes revelam estigma e como combatem crime

Direção e Guião: Cristina de Branco e Miguel Dores Fotografia, montagem e legendas: Cristina de Branco Captação e montagem de som: Miguel Dores Imagens adicionais (Acuarela Paraguaya): Visto Permanente Coordenação: Ana Aranha Realização: Repórter Brasil e Mutirão Apoio: DGB Bildungswerk Bund Esta reportagem foi realizada com o apoio da DGB...

Cenas da Construção

Grupo Benkadi – Drissa Kante, Bakary Sy, Kougne Diakite, Adame Konate, Seckou Simaga Direção e Roteiro – Cristina de Branco e Miguel Dores Apoio a produção e supervisão de legendagem – Adame Konate Fotografia, edição e legendagem – Cristina de Branco Captação e edição de som – Miguel Dores Coordenação – Ana Aranha Realização – Repórter Brasil e Mutirão Apoio – DGB Bildungswerk Bund Esta reportagem foi realizada com o apoio da DGB...
Os direitos dos peões na construção civil

Os direitos dos peões na construção civil

Apesar dos investimentos bilionários e da massiva geração de emprego na última década, o crescimento da construção civil não foi capaz de resolver um problema crônico: as más condições de trabalho no setor. Alojamentos precários, riscos à integridade física e jornadas acima do limite permitido estão entre as irregularidades mais comuns denunciadas pelos sindicatos. Sem falar na alta taxa de informalidade: de cada dez trabalhadores, só quatro têm carteira assinada. O lançamento do Compromisso Nacional para Aperfeiçoamento das Condições de Trabalho na Indústria da Construção, em 2012, é considerado um avanço por organizações da sociedade civil, mas seus efeitos ainda não limitados. O acordo conseguiu atrair empreiteiras que atuam com obras públicas, mas teve alcance limitado entre empresas que constroem para o setor privado. A perspectiva de que o novo governo de Michel Temer reduza direitos em uma reforma trabalhista e aprove a terceirização traz ainda mais insegurança para os operários. São esses alguns destaques no Monitor #4, o boletim que divulga os estudos setoriais e de cadeia produtiva da Repórter Brasil, chamado “Os direitos dos peões na construção civil”. Motor da economia A indústria da construção civil é considerada um dos principais “motores” da economia nacional. São 7.550.000 trabalhadores atuando na área, o equivalente a mais de 8% da força de trabalho ocupada no país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE). Em sua maioria, são operários do sexo masculino, de baixa escolaridade e que, apesar da baixa remuneração, respondem pelo sustento de suas famílias. Nos últimos anos, o setor ganhou notoriedade ao ser envolvido com outra chaga brasileira: o trabalho análogo ao escravo. Dezenas de...

“Alguns brasileiros tratam os haitianos como escravos”

  Laurie Jeanty inclina o dorso para frente e gesticula com convicção ao falar da diferença de tratamento dada por empregadores aos funcionários brasileiros e haitianos. “Não são todos, mas alguns manipulam os haitianos”. Ela não se conforma com as mentiras e golpes aplicados a imigrantes que abandonaram tudo para reconstruir a vida em um novo país. Laurie se refere aos contratos informais em que se promete um valor, mas se paga outro. Dos empregadores que mentem ao reter a carteira de trabalho e devolvem, meses depois, sem assinar ou pagar os benefícios. E dos casos de trabalho escravo envolvendo haitianos que já foram flagrados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. “Precisamos de um lugar para continuar a vida, não parar”. Laurie resolveu correr atrás dos direitos dos conterrâneos ao ajudar a criar a União Social dos Imigrantes Haitianos (Usih), associação nacional da qual é tesoureira. O coordenador é Fedo Bacourt, professor de história e de línguas que só conseguiu emprego na construção civil. Fedo se recente que essa seja a “única porta de entrada para os imigrantes no Brasil”. Ao andar pelos canteiros de obra onde trabalha, não se conforma ao encontrar pedreiros e ajudantes de obra que eram médicos, professores e advogados no Haiti. Depois de uma reunião com mais de 150 haitianos, fundaram a Usih em setembro de 2014. Mas, por serem imigrantes, enfrentam uma série de dificuldades para formalizar o grupo. Com a ponte feita pela central sindical CSP-Conlutas, representantes da Usih fizeram uma reunião com deputados e senadores e participaram de uma audiência pública no Senado, onde pediram agilidade na emissão dos documentos. Os haitianos...
Quer mais lucro? Terceirize a obra e alicie imigrantes

Quer mais lucro? Terceirize a obra e alicie imigrantes

A grande construtora A contrata a empreiteira B. Esta repassa o serviço para as empresas C e D, que, por sua vez, vão atrás dos operários necessários. Mas C e D não têm sede, não têm patrimônio, não têm capital de giro. Depende do pagamento de B, que depende do dinheiro de A. Quem, no final das contas, acaba pagando por tamanha precariedade? Os trabalhadores, que são submetidos a salários atrasados ou não quitados, alojamentos indignos e contratos de trabalho sem registro em carteira, entre outras violações. A prática das construtoras de terceirizar sua atividade-fim, ou seja, quando se contrata um terceiro para realizar a mesma tarefa da qual se é especialista, é tão comum quanto ilícita, de acordo com a Justiça do Trabalho. E é apontada por quem acompanha questões trabalhistas como uma das principais causas das violações em diversos setores da economia, entre eles a construção civil. Pois, na prática, as empresas terceirizadas atuam apenas como intermediadoras de mão de obra, ajudando a mascarar o vínculo empregatício com a empresa tomadora do serviço e, consequentemente, a baratear os custos trabalhistas. O juiz do Trabalho Marcos Fava, do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, explica que toda reclamação trabalhista que chega em sua mesa envolvendo a construção civil normalmente tem três réus: o empregador, o tomador imediato do serviço e a incorporadora. “No fim das contas, quem vai lucrar mais certamente é a empresa maior, a incorporadora. Ela contrata uma construtora, que contrata várias pequenas empreiteiras. Essas empreiteiras pequenas, que não têm nem telefone, saúde econômica nenhuma, é que contratam os empregados. Essa cadeia de terceirizações precariza...