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JBS comprou de fazendas flagradas com trabalho escravo e desmatamento ilegal

A JBS comprou gado de fazendas que foram flagradas com trabalho escravo contemporâneo e desmatamento ilegal. A revelação foi feita por investigação da Repórter Brasil em parceria com o jornal britânico The Guardian e levou o mercado inglês Waitrose, sétimo maior da Inglaterra, a retirar a carne da empresa brasileira de suas prateleiras. A Inglaterra é um dos 150 países que importam carne da JBS. A reportagem rastreou a carne da empresa brasileira em alguns dos maiores mercados do Reino Unido, como o Waitrose, Sainsbury’s, Marks & Spencer, Co-Op, Lidl e Princes. Alguns deles vendem a carne brasileira em latas que levam a marca do próprio mercado. O NHS, sistema de saúde público britânico, também tem fornecedor que compra da empresa brasileira. As violações foram cometidas por fornecedores da JBS no Pará. A empresa alega ter parado de comprar dos fornecedores assim que as informações vieram a público (leia resposta na íntegra). O caso de trabalho escravo entre fornecedores da empresa foi flagrado em fazenda de gado fiscalizada pela operação Rios Voadores em 2015. A equipe, formada por Ibama, Ministério Público Federal e Polícia Federal, encontrou trabalhadores dormindo em barracos sem paredes, portas ou qualquer proteção contra insetos ou cobras – muito comuns na região próxima à mata fechada. A água para beber era retirada do mesmo rio onde os bois bebiam e defecavam. Não havia geladeira ou condições mínimas de higiene para manter a comida. O quadro foi caracterizado como trabalho análogo ao de escravo na denúncia feita pelo Ministério Público Federal, onde consta ainda a existência da escravidão por dívida. Os custos da alimentação e dos poucos...

JBS compra gado de áreas desmatadas ilegalmente e leva multa de R$24 milhões

A JBS, maior produtora de proteína animal do mundo e dona das marcas Friboi, Seara e Swift, comprou gado criado em fazendas onde ocorreu desmatamento ilegal no sul do Pará.  A prática é considerada crime ambiental e revela um esquema de manipulação dos documentos que certificam a origem do boi. O caso foi descoberto pela operação Carne Fria, deflagrada pelo Ibama nesta semana e que investigou 15 frigoríficos e 20 fazendas que comercializaram boi criado em áreas embargadas (onde qualquer atividade econômica élegalmente proibida).  Segundo o Ibama, essa investigação não tem relação com a operação Carne Fraca, deflagrada na semana passada pela Polícia Federal. Entre os compradores, estavam dois frigoríficos da JBS, um em Redenção e outro em Santana do Araguaia. Nas duas unidades, a empresa adquiriu 49.468 cabeças de gado e foi multada em R$ 24,7 milhões pela prática. No total, o Ibama notificou 11 frigoríficos no Pará, 3 no Tocantins e 1 na Bahia, entre eles o Cooperfrigo, Plena, Xinguara, Mercúrio e Rio Maria. Entre as fazendas, está a fazenda Café Paraíso do grupo Santa Bárbara, ligado ao Opportunity do banqueiro Daniel Dantas. Procurada pela reportagem, o grupo que comanda as fazendas respondeu que não há embargo em seu nome no Conjunto Vale Sereno, que englobaria a área em questão. “O Conjunto Vale Sereno tem uma extensão total de 83 mil hectares, o que significa que ainda que se considere o entendimento do IBAMA, há área de sobra para criação de gado”, afirma a nota (leia a resposta completa do grupo Santa Bárbara). Os frigoríficos estão impedidos pelo Ibama de comprar e abater carne até que mostrem ao instituto novas...

Justificativa das empresas para dívidas com o INSS

A Repórter Brasil procurou todas as empresas ativas citadas na reportagem Reforma da Previdência ignora R$ 426 bilhões devidos por empresas ao INSS. Leia abaixo a íntegra das respostas enviadas pelas companhias: JBS “A Companhia esclarece que os débitos previdenciários mencionados tiveram seus pagamentos propostos com créditos em dinheiro que a JBS tem para receber. Não se questionam nem os débitos nem os créditos, e sim a forma de pagamento que efetivamente ocorreu mediante a compensação com créditos homologados da Companhia, que representam dinheiro. A própria Receita Federal já propôs a compensação dos mesmos créditos e débitos, mas por ineficiência nos seus sistemas e resistência em regular a matéria, a proposta foi realizada muito após o vencimento do débito da JBS, quando a mesma já havia realizado a compensação espontaneamente. A JBS não pode ser penalizada pela mora da Receita Federal em ressarcir seus créditos, mesmo porque se de um lado o Fisco não reconhece a correção dos créditos da Companhia, de outro, tenta exigir os débitos tardiamente, corrigidos e com multa.” A Receita Federal foi procurada pela Repórter Brasil e não se pronunciou.” Marfrig “A Companhia, conforme destaca em suas notas explicativas, discute judicialmente a possibilidade de compensação de débitos previdenciários com créditos relativos ao PIS e a COFINS. Ainda, na mesma linha, a Companhia aderiu ao programa de parcelamento de tributos federais que admitiam a utilização de prejuízo fiscal para quitação de tais débitos. Por fim, a Companhia informa que possuía créditos suficientes para a liquidação dos débitos da empresa, via compensação.” Caixa Econômica Federal “Com relação à lista dos 500 maiores devedores da previdência social, a...

Reforma da Previdência ignora R$ 426 bilhões devidos por empresas ao INSS                 

Enquanto propõe que o brasileiro trabalhe por mais tempo para se aposentar, a reforma da Previdência Social ignora os R$ 426 bilhões que não são repassados pelas empresas ao INSS. O valor da dívida equivale a três vezes o chamado déficit da Previdência em 2016. Esses números, levantados pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), não são levados em conta na reforma do governo Michel Temer. “O governo fala muito de déficit na Previdência, mas não leva em conta que o problema da inadimplência e do não repasse das contribuições previdenciárias ajudam a aumentá-lo. As contribuições não pagas ou questionadas na Justiça deveriam ser consideradas [na reforma]”, afirma Achilles Frias, presidente do Sindicado dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz). A maior parte dessa dívida está concentrada na mão de poucas empresas que estão ativas. Somente 3% das companhias respondem por mais de 63% da dívida previdenciária. A procuradoria estudou e classificou essas 32.224 empresas que mais devem, e constatou que apenas 18% são extintas. A grande maioria, ou 82%, são ativas. Na lista das empresas devedoras da Previdência, há gigantes como Bradesco, Caixa Econômica Federal, Marfrig, JBS (dona de marcas como Friboi e Swift) e Vale. Apenas essas empresas juntas devem R$ 3,9 bilhões, segundo valores atualizados em dezembro do ano passado. A Repórter Brasil entrou em contato com essas empresas para entender quais são os pontos em desacordo. O Bradesco afirma que não comenta processos judiciais. A JBS diz que está negociando a dívida com a Receita Federal. A Marfrig afirma, em nota, que discute judicialmente a possibilidade de compensação de débitos previdenciários com créditos relativos ao PIS...

Electroshocks, punching, and beatings: the life of cows turned into meat at JBS

A calf is branded on the face with a hot iron in Mato Grosso, bulls are electroshocked to make them get on a truck in Goiás, an animal is beaten while walking across the stockyard, and a newborn is dragged by the neck in Mato Grosso do Sul. Scenes like these were documented by Repórter Brasil at ranches that supply cattle to JBS—the biggest producer of animal protein in the world and owner of companies such as Friboi and Swift. These practices violate the animal-welfare policies established by JBS itself. Additionally, the treatment of the cows does not follow the recommendations of the Ministry of Agriculture, Livestock, and Provision (MAPA) on this subject. In order to ascertain how the cattle ranches that supply JBS treat their animals, Repórter Brasil went to four different states between December 2015 and February 2016. The locations visited are listed on a website that belongs to JBS called Confiança desde a Origem (“Trust Since the Beginning”). The website shows locations, names, and dates on which the farms supplied JBS’ slaughterhouses with cattle. Using the georeferenced data provided by the company, our team was able to find the locations using GPS. On its official website, JBS says that its meat is produced from animals treated with “respect and without suffering” and that it keeps them free from “pain, injuries, and diseases,” a description that could not be further from what was seen on the ranches. The company also states that its suppliers receive training in this area, but the farmers and workers that were heard by our team said that they never had any supervision...