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A moda de explorar o trabalhador

A ideia de democratizar a moda, no sentido de dar à classe média acesso às últimas tendências globais, é bastante forte na comunicação das marcas que se posicionam no segmento fast-fashion. Por essa proposta, o consumidor não entra mais num estabelecimento e aguarda que opções lhe sejam apresentadas por um vendedor no balcão; ele caminha entre araras com todas as peças expostas, e pode montar “looks” segundo suas próprias preferências. É isso que ocorre quando se entra numa loja da Zara, marca espanhola pioneira no segmento. Mas o modelo de negócio criado pelo espanhol Amâncio Ortega, fundador da empresa, é mais complexo do que isso. Há quase 50 anos, Ortega inovou ao integrar os processos de desenho e fabricação, assim como de distribuição e venda. O primeiro objetivo era atentar mais para os interesses do consumidor, evitando encalhe de estoques, que são trocados duas vezes por semana; o segundo, extinguir o distribuidor independente, de modo a reduzir o custo da roupa. “No ambiente atraente da Zara, você pode tocar tudo, ouvir uma música agradável e ser atendida por vendedoras jovens e na moda. Exatamente o contrário do que era habitual nas cadeias e lojas tradicionais”, conta o livro “O gênio da Zara”, best-seller da jornalista Covadonga O’Shea (Editora Seoman, 2008). Esse é, porém, só um dos lados da Zara e das companhias fast-fashion – o mais glamoroso deles, do ponto de vista da indústria e do comércio.  Há um outro lado, mais feio e sem glamour. É o que diz respeito às baixas condições de trabalho com que é fabricada parte dos produtos da indústria da moda, em especial...

Nova atualização do Moda Livre é lançada no Fashion Revolution SP

A mais recente atualização do aplicativo Moda Livre ( iOS (Iphone) e Android), desenvolvido pela Repórter Brasil, foi oficialmente lançada ontem (segunda-feira, 18 de abril) com uma apresentação ao público do Fashion Revolution, em São Paulo. O evento faz parte de uma campanha global que promove iniciativas em todo o mundo para conscientizar consumidores sobre os impactos sociais, ambientais e trabalhistas da bilionária cadeia produtiva da moda. Em debate sobre as políticas de combate ao trabalho na cadeia produtiva da indústria têxtil – que contou com representantes do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil – o APP foi destacado como principal ferramenta de estímulo ao consumo consciente de roupas à disposição do público brasileiro.  O Moda Livre avalia as ações que as principais empresas do setor vêm tomando para evitar que as suas peças sejam produzidas por mão de obra escrava. Além disso, oferece ao consumidor, de forma ágil e acessível, informações sobre as marcas envolvidas em casos de trabalho escravo na indústria do vestuário nacional. Com a nova atualização, realizada com apoio da entidade alemã DGB Bildungswerk, o APP passa a contar com 77 grifes e varejistas em sua base de dados. A ferramenta pode ser baixada gratuitamente para os sistemas iOS e Android. Desde o seu lançamento, em dezembro de 2013, o aplicativo já teve mais de 50 mil downloads. Faça o download do aplicativo para iOS (Iphone) e Android. Escravidão Nos últimos 10 anos, centenas de trabalhadores – principalmente imigrantes de outros países sul americanos – já foram identificados produzindo roupas em situação de escravidão dentro de pequenas e precárias oficinas de costura no Brasil. A...

Moda Livre passa a monitorar 77 grifes e varejistas

A Repórter Brasil lança nesta segunda-feira (18 de abril) uma expansão do seu aplicativo para o consumo consciente de roupas, o “Moda Livre”. Com a atualização, serão incorporadas 25 novas marcas à ferramenta, incluindo alguns dos mais importantes nomes do varejo nacional. Serão atualizadas também as informações sobre as dezenas de grifes já presentes na base de dados. A nova versão do “Moda Livre” será apresentada ao público durante o Fashion Revolution Day SP. A iniciativa faz parte da campanha global Fashion Revolution, que promove eventos em todo o mundo para conscientizar o público sobre o verdadeiro custo da moda e sobre seus impactos, da produção ao consumo. Faça o download do aplicativo para iOS (Iphone) e Android. O Moda Livre avalia as ações que as principais empresas do setor vêm tomando para evitar que as suas peças sejam produzidas por mão de obra escrava. Além disso, oferece ao consumidor, de forma ágil e acessível, informações sobre as marcas envolvidas em casos de trabalho escravo na indústria do vestuário nacional. Com a nova atualização , realizada com apoio da DGB Bildungswerk, o APP passa a contar com 77 grifes e varejistas em sua base de dados. A ferramenta pode ser baixada gratuitamente para Android e Iphone. Desde o seu lançamento, em dezembro de 2 já teve cerca de 50 mil downloads. O Moda Livre é uma realização da equipe de jornalismo da ONG Repórter Brasil. Durante o Fashion Revolution Day SP, além de lançar a nova versão do APP, a ONG também participará de uma roda de conversas sobre a realidade do trabalho escravo no setor. Os escravos da moda Nos últimos...
Condenação do grupo Riachuelo revela o adoecimento das trabalhadoras da moda

Condenação do grupo Riachuelo revela o adoecimento das trabalhadoras da moda

O grupo Riachuelo foi condenado a pagar pensão vitalícia a uma de suas ex-funcionárias em mais uma ação que revela as precárias condições de trabalho impostas às costureiras que produzem para as grandes marcas da moda. A condenação descreve um ambiente de trabalho em que a exigência de metas de produção ocorria mediante abusos físicos e psicológicos. Segundo seu relato, a costureira era pressionada a produzir cerca de mil peças de bainha por jornada. A meta, por hora, era colocar elástico em 500 calças ou costurar 300 bolsos. Na ação, a funcionária diz que muitas vezes evitava beber água para diminuir suas idas ao banheiro. Idas que, segundo ela, seriam controladas pelo encarregado mediante o uso de fichas. A ação foi contra a Guararapes Confecções, indústria de roupas do grupo Riachuelo, condenada a pagar uma pensão vitalícia à costureira lesionada devido às atividades exercidas na empresa. A ex-funcionária desenvolveu Síndrome do Túnel do Carpo, que provoca dores e inchaços nos braços. A ação aponta que a trabalhadora teve a sua capacidade laboral diminuída devido ao ritmo de trabalho exaustivo demandado pela fábrica potiguar, onde são confeccionadas peças de roupa vendidas pelas lojas da Riachuelo.     O Tribunal Superior do Trabalho definiu, em dezembro de 2015, que a Guararapes deve pagar o equivalente a 40% da última remuneração da costureira enquanto durar a incapacidade, além de 10 mil reais a título de indenização. A pensão vitalícia pode se prolongar até que ela complete 70 anos. Segundo a funcionária, as idas ao banheiro eram controladas pelo encarregado Outro abuso relatado no processo, que teve início em 2011, foi o atendimento médico...

Nova revista feminina quer mudar o jogo contra o trabalho escravo

Zara, Marisa, Pernambucanas, Sete Sete Cinco, Renner, M. Officer, Le Lis Blanc, Bo.Bô… Infelizmente, a lista de empresas da moda que usaram trabalho escravo nos últimos anos no Brasil poderia encher um artigo inteiro. Saber o que a maioria delas têm em comum, porém, pode nos ajudar a combater o problema com mais eficiência: sua clientela principal está entre as mulheres. Ou seja: é justo dizer que, hoje, as mulheres são uma das mais fiéis patrocinadoras de trabalhos análogos à escravidão no Brasil e no mundo. Contudo, demonizá-las seria um erro. As mulheres são, por sua vez, vítimas de uma publicidade violenta e de revistas femininas que estimulam um consumismo desenfreado e  irresponsável. Pouco se fala da linha de produção a não ser para consagrar designers ou enriquecer grifes anunciantes. As revistas femininas de hoje se comportam como se suas leitoras não tivessem consciência. Estudos comprovaram, ainda por cima, que o consumidor brasileiro interiorizou essa imagem e aderiu a este padrão de comportamento. Pesquisadores da Faculdade de Gestão e Negócios da Universidade Federal de Uberlândia (MG) analisaram a repercussão do caso Zara, em 2011, quando foi revelado que a marca pagava R$ 2 por peça aos costureiros em São Paulo. A conclusão foi triste: consumidores não só acreditavam que este tipo de crime compensava financeiramente como não estavam dispostos a deixar de comprar produtos da marca em retaliação. Em nossos ensaios de moda, marcas transgressoras estão fora. Vamos visitar fábricas nas periferias do mundo fashion, como China e Bangladesh, e investir em um jornalismo que não trate as leitoras com condescendência Prova isso o crescimento do mercado da moda,...