Kinja: o povo indígena com medo do rio

Kinja: o povo indígena com medo do rio

A palavra “mineração” não tem tradução na língua do povo Waimiri Atroari. “Syna iakybyny”, traduzido como “rio poluído”, é a expressão usada pelos indígenas para nomear a atividade de uma mineradora instalada nos limites da terra indígena desde 1982.

Esse é o ponto de partida de uma investigação da Repórter Brasil sobre os impactos da Mineração Taboca no território dos kinja, como se autodenominam os Waimiri Atroari. 

Há séculos, eles vivem na região entre o norte do Amazonas e o sul de Roraima. Há 40 anos, porém, relatam que o rio está contaminado por rejeitos da Mineração Taboca, a maior produtora de estanho refinado do Brasil — o minério extraído na floresta amazônica chega à cadeia produtiva de gigantes da indústria automobilística, como a Toyota e a Tesla. 

Esse temor não é à toa. Análises químicas identificaram substâncias como chumbo, arsênio e outros metais pesados no igarapé que deságua no Alalaú, o principal rio da terra indígena. Os kinja agora temem que os riscos se espalhem com a nova corrida mineral impulsionada pela transição energética na Amazônia.

Fear of river contamination by a mining company returns to haunt indigenous people in Amazonas, four decades after first accusations

Brazil’s Federal Public Prosecutor’s Office has reopened an investigation after tests found heavy metals in a stream feeding the river running through the Waimiri Atroari Indigenous Territory in the Amazon rainforest. The output of the country’s top refined tin producer—Mineração Taboca—reaches the supply chains of Toyota and Tesla.

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A cadeia produtiva da indústria tech na Amazônia

O especial  “Kinja: o povo indígena com medo do rio” faz parte de uma série de reportagens sobre os impactos dos minerais críticos na Amazônia. O projeto é apoiado pela Rainforest Investigations Network, do Pulitzer Center. 

EXPEDIENTE

Reportagem e pesquisa: Isabel Harari

Coordenação: Carlos Juliano Barros

Edição de reportagem: Carlos Juliano Barros e Diego Junqueira 

Comunicação institucional: Paula Bianchi

Redes sociais: Tamyres Matos e Beatriz Vitória

Design: Rodrigo Bento 

Montagem e estrutura: Beatriz Vitória

Fotos: Fernando Martinho

Edição de vídeo: Camila Ribeiro e Nayara Costa

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