Kinja: o povo indígena com medo do rio
Kinja: o povo indígena com medo do rio
A palavra “mineração” não tem tradução na língua do povo Waimiri Atroari. “Syna iakybyny”, traduzido como “rio poluído”, é a expressão usada pelos indígenas para nomear a atividade de uma mineradora instalada nos limites da terra indígena desde 1982.
Esse é o ponto de partida de uma investigação da Repórter Brasil sobre os impactos da Mineração Taboca no território dos kinja, como se autodenominam os Waimiri Atroari.
Há séculos, eles vivem na região entre o norte do Amazonas e o sul de Roraima. Há 40 anos, porém, relatam que o rio está contaminado por rejeitos da Mineração Taboca, a maior produtora de estanho refinado do Brasil — o minério extraído na floresta amazônica chega à cadeia produtiva de gigantes da indústria automobilística, como a Toyota e a Tesla.
Esse temor não é à toa. Análises químicas identificaram substâncias como chumbo, arsênio e outros metais pesados no igarapé que deságua no Alalaú, o principal rio da terra indígena. Os kinja agora temem que os riscos se espalhem com a nova corrida mineral impulsionada pela transição energética na Amazônia.

Medo de contaminação de rio por mineradora volta a assombrar indígenas no AM, 40 anos após primeiras denúncias
Ministério Público Federal retoma investigação após análise detectar metais pesados em igarapé que alimenta o principal rio da terra indígena Waimiri Atroari, no Amazonas; Mineração Taboca é a maior produtora do país de estanho refinado, insumo que chega às cadeias produtivas da Toyota e da Tesla

Mineradora investigada por contaminação no AM abasteceu Toyota e fornecedor da Tesla
Estanho explorado pela Mineração Taboca já foi vendido para a Toyota e chegou até a cadeia produtiva da Tesla; MPF-AM investiga contaminação por metais pesados na Terra Indígena Waimiri Atroari (AM); mineradora nega relação de poluição com suas operações

Indígenas relatam novas suspeitas de contaminação de rio por mineradora no AM
Fiscalização da Funai afirma que manchas de poluição teriam partido da área de atuação da Mineração Taboca, maior produtora de estanho do Brasil; investigada desde 2021 por possível contaminação na Terra Indígena Waimiri Atroari, empresa diz não haver provas conclusivas

Fear of river contamination by a mining company returns to haunt indigenous people in Amazonas, four decades after first accusations
Brazil’s Federal Public Prosecutor’s Office has reopened an investigation after tests found heavy metals in a stream feeding the river running through the Waimiri Atroari Indigenous Territory in the Amazon rainforest. The output of the country’s top refined tin producer—Mineração Taboca—reaches the supply chains of Toyota and Tesla.

Mining company investigated for Amazon contamination reached Toyota and Tesla’s supply chain
Tin extracted by Mineração Taboca has been sold to Toyota and reached Tesla’s production chain; Brazil’s Federal Public Prosecutor’s Office in Amazonas (MPF-AM) is investigating heavy metal contamination on the Waimiri Atroari Indigenous Land (AM); the company denies its operations are linked to the pollution.

Indigenous people report new suspicions of river contamination by mining company in Amazonas
A FUNAI inspection says pollution stains likely originated in the area operated by Mineração Taboca, Brazil’s largest tin producer; investigated since 2021 over possible contamination in the Waimiri Atroari Indigenous Territory, the company says there is no conclusive evidence
A cadeia produtiva da indústria tech na Amazônia
O especial “Kinja: o povo indígena com medo do rio” faz parte de uma série de reportagens sobre os impactos dos minerais críticos na Amazônia. O projeto é apoiado pela Rainforest Investigations Network, do Pulitzer Center.
EXPEDIENTE
Reportagem e pesquisa: Isabel Harari
Coordenação: Carlos Juliano Barros
Edição de reportagem: Carlos Juliano Barros e Diego Junqueira
Comunicação institucional: Paula Bianchi
Redes sociais: Tamyres Matos e Beatriz Vitória
Design: Rodrigo Bento
Montagem e estrutura: Beatriz Vitória
Fotos: Fernando Martinho
Edição de vídeo: Camila Ribeiro e Nayara Costa





