ONG Repórter Brasil

Missão 

Identificar e tornar públicas situações que ferem direitos trabalhistas e causam danos socioambientais no Brasil visando à mobilização de lideranças sociais, políticas e econômicas para a construção de uma sociedade de respeito aos direitos humanos, mais justa, igualitária e democrática.

– Transparência: Financiamento, Prestação de Contas, Auditorias e Atividades
– Conheça a história da Repórter Brasil
– Veja os Objetivos, os Princípios e o Estatuto e veja quem faz parte da Diretoria e do Conselho Fiscal
– Premiações e homenagens
– Conheça a equipe da Repórter Brasil

– Licença para reprodução de conteúdos da Repórter Brasil

Quem somos – A Repórter Brasil foi fundada em 2001 por jornalistas, cientistas sociais e educadores com o objetivo de fomentar a reflexão e ação sobre a violação aos direitos fundamentais dos povos e trabalhadores no Brasil. Devido ao seu trabalho, tornou-se uma das mais importantes fontes de informação sobre trabalho escravo no país. Suas reportagens, investigações jornalísticas, pesquisas e metodologias educacionais têm sido usadas por lideranças do poder público, do setor empresarial e da sociedade civil como instrumentos para combater a escravidão contemporânea, um problema que afeta milhares de pessoas.

Estrutura – A Repórter Brasil possui duas áreas principais de atuação que reúnem todos os seus projetos: Jornalismo e Pesquisa, responsável pela produção de informação e análises que subsidiam lideranças sociais, políticas e econômicas; e Metodologia Educacional, voltada para difusão de informações sobre direitos e intercâmbio de conhecimento, envolvendo acadêmicos, educadores, trabalhadores e lideranças comunitárias. Duas outras áreas fortalecem o trabalho desenvolvido pelas equipes, uma de articulação e representação em diferentes âmbitos institucionais, e uma de estrutura financeira e administrativa. A Repórter Brasil tem suas contas analisadas por auditoria independente anualmente.

PROGRAMAS DA REPÓRTER BRASIL

Jornalismo – Considerada o principal centro de informações sobre combate ao trabalho escravo no Brasil, a Repórter Brasil ampliou sua área de atuação ao longo dos anos e hoje, com cobertura variada sobre violações de direitos humanos e questões socioambientais, tem influenciado na formulação de políticas públicas e servido como referência para outros veículos de imprensa. O site reporterbrasil.org.br é tido como referência não só no Brasil, mas também no exterior, sendo comum o intercâmbio de informações com jornalistas de alguns dos principais veículos de imprensa do planeta. Com a estratégia de distribuição gratuita de conteúdo e licença aberta para livre reprodução, a equipe consegue ampliar o alcance das denúncias ao republicar suas investigações em outros veículos como Folha, UOL, El País Brasil, Mongabay (EUA) e The Guardian (Inglaterra), colocando em debate temas de fundamental importância, tais como violações trabalhistas, impactos socioambientais de grandes obras e da indústria extrativista, grandes empresas do agronegócio, comunidades tradicionais, desmatamento, reforma agrária, violência no campo, indústria farmacêutica, políticos, entre outros. A Repórter Brasil tem ainda como tradição a elaboração de especiais multimídias, alguns deles premiados, tais como 100 anos de servidão, Campo em Guerra, Profissão Madeireiro, Ruralômetro, O mapa dos agrotóxicos na água, A nova cara do Velho Chico, Cova Medida, entre outros. Nestes 20 anos de atuação, o jornalismo da Repórter Brasil já ganhou alguns dos prêmios mais importantes do país, como o Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos e o Prêmio MPT de Jornalismo. Além disso, fomos finalistas de importantes premiações internacionais, como o The Sigma Awards, o Data Journalism Awards e o Prêmio Gabriel García Marquez, um dos mais importantes do mundo.

Com o objetivo de ampliar o alcance das informações reunidas pelos diferentes programas da organização, a Repórter Brasil mantém um núcleo de produções audiovisuais, responsável também pela realização de documentários de temática trabalhista e socioambiental. Várias dessas produções obtiveram reconhecimento em prestigiados festivais do gênero e foram contempladas com importantes prêmios jornalísticos e cinematográficos. Destacam-se o média-metragem “Carne Osso – O Trabalho em Frigoríficos” (2011), selecionado para o “Festival de Gramado” e “É Tudo Verdade”, vencedor do DOK Leipzig (Alemanha) e do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos de Melhor Documentário para Televisão. O longa-metragem “Jaci – Sete Pecados de uma Obra Amazônica” (2015), por sua vez, foi agraciado com o Prêmio Gabriel García Marquez, da Colômbia. Já os documentários “Não Respire – Contém Amianto” (2016) e “GIG – A Uberização do Trabalho” (2019) venceram o prêmio do público na Mostra Ecofalante de Cinema, em São Paulo. 

Pesquisa –A Repórter Brasil desenvolveu uma metodologia para identificação e rastreamento de cadeias produtivas, que permite a realização de pesquisas que investigam e analisam problemas sociais, trabalhistas e ambientais em relações comerciais. Desde 2003, quando o trabalho teve início, a equipe mapeou cadeias produtivas de centenas de empresas com atuação no Brasil e no exterior, ampliando a transparência e fornecendo informação necessária para transformações. Em diálogo com o setor empresarial, o mapeamento de cadeias produtivas favoreceu a criação do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, acordo que reuniu 400 empresas comprometidas a não manter relações comerciais com quem explora trabalho escravo; juntas, essas empresas têm faturamento que representa mais de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. As pesquisas também contribuíram com a Moratória da Soja, os pactos Conexões Sustentáveis, e os acordos do Greenpeace e do Ministério Público Federal com frigoríficos para combater os impactos da pecuária na Amazônia brasileira e da produção ilegal de carvão. A metodologia tornou-se referência, e passou a ser adotada também por organizações em outros países..

O Centro de Monitoramento de Commodities e Agrocombustíveis (CMA) da Repórter Brasil iniciou suas pesquisas sobre cadeias produtivas focando em culturas agroenergéticas e agrocombustíveis e se expandiu para diversos outros setores. Suas análises técnicas contribuem para uma crítica objetiva dos impactos socioambientais, trabalhistas, fundiários e econômicos desses e de outros setores produtivos. Suas pesquisas são repercutidas em veículos de comunicação no Brasil e no exterior e usadas como referência por universidades e centros de pesquisa de todo o planeta, bem como por empresas nacionais e multinacionais. Os relatórios (cuja versão digital pode ser acessada gratuitamente) estão disponíveis em português, inglês e espanhol, e foram distribuídos na Alemanha, Argentina, Bélgica, Bolívia, Estados Unidos, Espanha, França, Holanda, Itália, Paraguai, Portugal, Reino Unido, Suíça, Uruguai e Venezuela. Mais recentemente, o programa mapeou centenas de cadeias produtivas da pecuária conectadas ao desmatamento, à ocupação de áreas protegidas e ao trabalho escravo, na Amazônia e no Cerrado, resultando em reportagens que alimentaram a página especial Rota do Gado.

Educação – O Escravo, nem pensar! (ENP!) é o primeiro programa educacional de prevenção ao trabalho escravo a atuar em âmbito nacional. Com o desenvolvimento de metodologia educacional própria, desde 2004 o ENP! atua em comunidades em áreas de alta vulnerabilidade social, suscetíveis a violações de direitos humanos como trabalho escravo e tráfico de pessoas.  Suas linhas de ação incluem formação para educadores e lideranças comunitárias; elaboração de publicações didático-pedagógicas; e apoio técnico-financeiro a iniciativas comunitárias locais. Tais atividades já alcançaram mais de 140 municípios em oito estados brasileiros, beneficiando mais de 200 mil pessoas. O programa também foi incluído nominalmente na segunda edição do Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo e consta como meta ou ação de planos estaduais como os do Mato Grosso, Pará, Tocantins e Maranhão. É considerado referência e citado como exemplo por agências das Nações Unidas.

Articulação – A Repórter Brasil é membro da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo de São Paulo e da Comissão Municipal para a Erradicação do Trabalho Escravo de São Paulo e, ao longo dos anos, tem contribuído com o desenvolvimento de políticas para a erradicação desse crime. A organização desempenhou, desde 2003, um papel fundamental na aprovação da PEC do Trabalho Escravo, que prevê o confisco de propriedades em que esse crime seja encontrado – que veio a ser promulgada em junho de 2014. Foi a relatora do II Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo e contribuiu com a organização de planos estaduais por todo o país. É responsável por coletar adesões de candidatos a cargos públicos à Carta Compromisso contra o Trabalho Escravo, a cada eleição desde 2006, que prevê uma série de ações a serem tomadas pelo eleitos. A Repórter Brasil também é considerada um ator internacional relevante, participando de ações globais coletivas, contribuindo com a elaboração de acordos e convenções internacionais e ministrando conferências sobre o desenvolvimento de políticas de combate a esse crime.