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Íntegra das respostas sobre acusado por chacina fornecer gado à JBS e à Marfrig

Confira os posicionamentos da JBS e Marfrig referentes à reportagem “Acusado por chacina de Colniza cria gado em fazenda irregular e vende a fornecedores da JBS e Marfrig”

Os posicionamentos são referentes à reportagem Acusado por chacina de Colniza cria gado em fazenda irregular e vende a fornecedores da JBS e Marfrig .

JBS

A JBS afirma que é irresponsável qualquer tentativa de vinculação da Companhia à pessoa mencionada pela reportagem, que nunca esteve em sua lista de fornecedores. A empresa há mais de 10 anos é comprometida com a compra responsável de matéria-prima, e não adquire animais de fazendas envolvidas com desmatamento de florestas nativas, invasão de terras indígenas ou áreas de conservação ambiental,  violência rural, conflitos agrários e que utilizam trabalho forçado ou infantil. A Companhia vem trabalhando em parceria com o Ministério Público Federal e a sociedade civil para aprimorar ainda mais seus controles, contribuindo para o combate da entrada de animais provenientes de fazendas irregulares ou de triangulações de gado na sua cadeia produtiva.

Marfrig

Aproveitamos a oportunidade para destacar algumas informações importantes sobre a nossa estratégia de sustentabilidade, em particular sobre os nossos compromissos para com uma cadeia de fornecimento livre de desmatamento e ações relacionadas a fornecedores indiretos.

A sustentabilidade é um dos pilares estratégicos da Marfrig Global Foods e, nesse sentido, a Marfrig vem trabalhando continuamente para implementar as melhores práticas de ESG, alinhadas com os princípios para investimentos responsáveis. Em relação à governança corporativa, a Marfrig criou um Comitê de Sustentabilidade para discutir, avaliar e definir prioridades de sustentabilidade. Este comitê inclui membros do conselho de administração da empresa, bem como um membro especialista externo. A Marfrig também incorporou sustentabilidade em seu conselho de administração, nomeando um membro do conselho que é reconhecido como referência sobre o tema no Brasil e no exterior.

A Marfrig desenvolveu e implementou uma plataforma de sustentabilidade baseada em cinco pilares fundamentais:

Controle de origem: pilar em que Marfrig gerencia a origem da matéria-prima, tendo como principais elementos a conservação da biodiversidade, cadeia de abastecimento livre de desmatamento, condições de trabalho, terras indígenas;

Redução das emissões de gases com efeito de estufa: Neste pilar, a Marfrig procura meios e tecnologias para uma operação de baixo carbono, incluindo  o desenvolvimento de novos produtos de baixo carbono (lançamento da Carne Carbono Neutro (CCN) e da Carne de Baixo Carbono (CBC) em parceria com a EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, racionalização de itinerários e rotas, novas formas de transporte e logística, operação mais eficiente em nossas unidades de produção;

Bem-estar animal: Marfrig segue rigorosamente os princípios de bem-estar animal, aplicando as recomendações da World Animal Protection e também em linha com as mais rigorosas normas internacionais para abate humanitário;

Uso de recursos naturais: A Marfrig promove o uso consciente da água em seus processos produtivos, também buscando novas formas de geração de energia a partir de fontes limpas e renováveis (como exemplo podemos citar a geração de energia eólica na unidade de Tacuarembó – Uruguai);

Efluentes e Resíduos: A Marfrig garante o tratamento e a gestão desses subprodutos para que tenham um descarte ambientalmente responsável.

A Marfrig está plenamente consciente dos desafios relacionados à cadeia produtiva pecuária e reconhece seu papel como importante agente de transformação para garantir a produção em relação à conservação dos biomas brasileiros, especialmente a Amazônia. Nesse sentido, a Marfrig Global Foods reafirma todos os seus compromissos ambientais, especialmente seus esforços para garantir a cadeia de suprimentos livre de desmatamento.

Desde 2009, a Marfrig mantém compromisso público com o “Desmatamento Zero” no bioma amazônico. Como parte deste esforço, estabeleceu diretrizes estratégicas e operacionais que são concretizadas em planos de ação para fortalecer o controle da origem do gado e mitigar quaisquer riscos de fornecimento de gado de zonas críticas associadas a desmatamento e condições de trabalho degradantes e ilegais.

Marfrig reconhece a urgência e os desafios relacionados com o aquecimento global e está em consonância com as resoluções do Acordo de Paris sobre a redução das emissões de gases com efeito de estufa. No Brasil, a maioria das emissões está relacionada ao uso da terra, e a pecuária desempenha um papel importante nesta questão.  No entanto, é importante destacar que tem havido progressos significativos neste setor no sentido de implementar inovações e novas tecnologias para aumentar produtividade Arroba/Hectare (@/Ha), reduzindo assim os níveis de emissões. Dessa forma, de 1990 a 2018 a produtividade do setor no Brasil aumentou 176%, de 1,[email protected]/Ha/Ano para 4,5 @/Ha/Ano. O aumento da produção foi de 139% nesse período. (Fonte:  BeefReport-Abiec 2019)

A Marfrig tem trabalhado ativamente no setor e especialmente com seus fornecedores para contribuir para a produção de gado de baixo carbono. Nesta linha, estabeleceu uma parceria em 2018 com a EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – entidade de pesquisa e inovação mais importante nessa área no Brasil, para o desenvolvimento e aplicação de um protocolo de produção da Carne Carbono Neutro (CCN) e também da Carne de Baixo Carbono (CBC). Este protocolo estabelece os procedimentos para a produção em sistema de Integração Lavoura Pecuária e Floresta.

A Marfrig também mantém uma rígida política de compra de animais, bem como um protocolo com critérios e procedimentos que são pré-requisitos para a homologação de fornecedores e fornecimento. Para assegurar o cumprimento de todos os requisitos de previstos na política e protocolo, a Marfrig desenvolveu e mantém uma Plataforma de Monitoramento de fornecedores.

A plataforma adota um sistema de georreferenciamento e geomonitoramento por satélite para monitorar os processos produtivos e as práticas socioambientais de todos os fornecedores da Marfrig, atendendo rigorosamente aos critérios e boas práticas estabelecidos por esta política. Desenvolvida pela empresa Geoflorestas, a ferramenta monitora todas as fazendas que fornecem animais para as plantas de produção da Marfrig. O sistema cruza os dados georreferenciados e documentos das fazendas com informações públicas oficiais para identificar potenciais não conformidades, coibindo que a matéria-prima seja oriunda de fazendas que produzam carne em áreas de desmatamento ou embargadas, sobrepostas a unidades de conservação ou terras indígenas, ou mesmo que utilizem “trabalho escravo”, de acordo com o protocolo de compra. Os critérios adotados pelo protocolo são:

– Desmatamento: critério espacial do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes – INPE), que monitora o desmatamento da Amazônia Legal via satélite;

– Áreas embargadas: lista atualizada diariamente com as áreas embargadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) devido a atividades ilegais;

– Unidades de conservação: critério espacial fornecido periodicamente pelo Ministério do Meio Ambiente em conjunto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que indica a localização exata e os limites das unidades de conservação; 

– Terras indígenas: critério espacial disponibilizado periodicamente pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que indica a localização exata e os limites das terras indígenas protegidas por lei;

– Trabalho escravo: “Cadastro de Empregadores” baseado na “lista suja do trabalho escravo” para empresas envolvidas em práticas de trabalho escravo, publicada pela Secretaria do Trabalho.

Além disso, como parte do esforço para combater o trabalho escravo na cadeia de fornecimento da pecuária, a Marfrig aplicou o critério de não comprar animais de nenhum fornecedor nessa situação desde 2005. Esse engajamento no combate a essas práticas tem sido cada vez mais reiterado, e em 2014, logo após o pacto para a erradicação do trabalho escravo se tornar um Instituto (InPacto), Marfrig reafirmou o compromisso como associado a este instituto.

Também é importante destacar o monitoramento geoespacial em relação à sobreposição de fazendas com Terras Indígenas, em que o monitoramento geoespacial informa quais propriedades estão (ou venham a estar) sobrepostas a áreas de terras indígenas. Com isso, essas propriedades são classificadas como bloqueadas para o fornecimento de animais a Marfrig, preservando as comunidades indígenas e o pleno uso dessas terras por essas populações.

Quando o descumprimento é identificado em qualquer um dos critérios, a fazenda está proibida de fornecer gado para Marfrig até que se comprove sua plena conformidade. A partir do momento em que uma fazenda é cadastrada pela Marfrig e passa a ser monitorada, está sujeita aos requisitos e sanções determinadas na política. Todos os biomas brasileiros são cobertos pela plataforma, com monitoramento geoespacial de desmatamento implementado no bioma amazônico. A plataforma de monitoramento do Bioma Amazônico também inclui uma auditoria independente realizada pela DNV.GL assegurando que a plataforma de monitoramento esteja funcionando efetivamente na prevenção da aquisição de gado ilegal na região. Pelo sétimo ano consecutivo, a Marfrig alcançou 100% de conformidade nessas auditorias. Além disso, a Marfrig é signatária do TAC do Mato Grosso e do acordo do Greenpeace, que abrange operações no bioma amazônico. O cumprimento dos requisitos destes acordos é auditado por auditorias independentes de terceira parte.

A Marfrig está plenamente consciente dos desafios relacionados a cadeia produtiva da pecuária e reconhece seu papel como um importante agente de transformação para garantir a produção vis-à-vis a conservação dos biomas brasileiros, especialmente a Amazônia.

Também é importante enfatizar que, no sentido de reduzir o risco de adquirir animais de áreas afetadas por queimadas no bioma Amazônia, a Marfrig começou a monitorar em agosto deste ano – em tempo real – os focos de incêndio na região. Sempre que qualquer sobreposição de áreas entre as propriedades e os focos de incêndio é identificada, há um alerta para que a compra seja reavaliada até que a situação seja totalmente esclarecida. Esse controle completo é possível graças a plataforma de monitoramento de fornecedores via satélite.

A Marfrig também mantém uma sólida plataforma de para aplicação das práticas de bem-estar animal, na qual garante tratamento humanitário durante todo o processo, desde transporte ao abate, mitigando os riscos de lesões e dor. Ele também garante que os animais não passem fome ou sede.

Outra iniciativa é o programa Marfrig Club, cujo princípio orientador é fortalecer as relações com os fornecedores, incentivando a adoção de boas práticas agropecuárias nas fazendas fornecedoras. O programa é baseado em três pilares (Respeito Animal, Respeito Social e Respeito Ambiental) que fornece informações sobre a produção, nutrição, manejo e origem dos animais abatidos em nossas unidades. Em 2018, mais de 80% dos animais processados no Brasil eram provenientes de propriedades do Marfrig Club.

Para complementar seus mecanismos de garantia de pecuária sustentável, a Marfrig integra o Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS) desde a sua fundação. Neste fórum, participa de discussões e do desenvolvimento de iniciativas para a criação de uma cadeia da pecuária bovina responsável, integrando critérios relacionados ao respeito aos seres humanos, animais e meio ambiente. 

A produção brasileira de gado é bastante complexa. É descentralizada e espalhada em um extenso território, compreendendo vários biomas brasileiros, incluindo a Amazônia. No Brasil, existem mais de 214 milhões de cabeças  http://www.agricultura.gov.br/assuntos/politica-agricola/agropecuaria-brasileira-em-numeros produzidas por cerca de 2.5  milhões de fazendas  https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6624#resultado (IBGE  2017 – Instituto Brasileiro de Geografia e  Estatística). Além disso, a produção não é vertical, que é quando uma fazenda tem o ciclo completo (desde o nascimento do animal até a etapa de engorda e acabamento). Na produção pecuária brasileira há três níveis de especialização, 1.  Cria, em que o produtor é especializado na produção de bezerros, 2. Recria, na qual o produtor se dedica a etapa de crescimento de animais e 3. Engorda (acabamento), a última fase em que os animais são preparados para serem destinados ao abate. As fases 1 e 2 são os chamados fornecedores indiretos.

Pioneira nessa área, a Marfrig, desde 2012, solicita ações voluntárias de seus fornecedores, por meio da ferramenta Request for Information (RFI), os nomes dos  produtores e fazendas dos quais podem ter adquirido animais (no caso de fazendas que não sejam de ciclo completo) para promover a transparência e fortalecer ainda mais os dados sobre a origem dos animais fornecidos a Marfrig.

Em outubro de 2019, a Marfrig estabeleceu uma parceria com a ONG WWF (World Wildlife Fund) para participar do programa Colaboração para Florestas e Agricultura (CFA), uma iniciativa conjunta lançada em 2016 pela National Wildlife Federation (NWF), The Nature Conservancy (TNC), World Wildlife Fund (WWF), Gordon and Betty Moore Foundation e vários outros parceiros estratégicos. Essa parceria é baseada na aplicação de um processo de três etapas apresentadas no Guia Operacional CFA (Avaliar, Planejar, Executar), que apoia as empresas na construção de uma cadeia de suprimentos livre de desmatamento e conversão (DCF). A primeira etapa da avaliação foi realizada e, com os resultados, estão sendo trabalhados em conjunto com o WWF, referindo-se especificamente a fornecedores indiretos, alguns pontos como:

• Estratégia para criar e implementar uma versão do RFI atualizada, a partir da inclusão nos critérios de avaliação da informação geoespacial dos fornecedores indiretos.

• Criar e comunicar a diligência para a verificação de não conformidade dos fornecedores indiretos aos fornecedores diretos e indiretos.

Ainda, referente a fornecedores indiretos, com base nas informações obtidas no programa Marfrig Club, sabemos que atualmente no bioma Amazônia, 47% dos animais abatidos na Marfrig são provenientes de propriedades com ciclo completo e 53% são provenientes de fazendas com ciclo incompleto (13% são de engorda). Com esses dados, estamos trabalhando em parceria com renomadas instituições de pesquisa no Brasil para estabelecer critérios que possam conjuntamente com a ferramenta RFI, mitigar o risco quanto a origem de animais de fornecedores indiretos, sendo um dos produtos dessas pesquisas, um mapa de áreas com “aptidão para a etapa de cria”, ou seja, conheceremos as “zonas de nascimento”. Essas informações, quando agregadas aos dados que já temos através das RFIs, permitirão a verificação cruzada das informações e mapas das áreas mais expostas ao risco de desmatamento e, assim, identificarmos quais fornecedores indiretos também estão mais expostos ao desmatamento.

A Marfrig também faz parte do Grupo de Trabalho para Fornecedores Indiretos (GTFI), que inclui os principais players (produtores, indústria, varejistas e sociedade civil) e envolve toda a cadeia de produção de bovinos a partir de perspectiva sustentável, com foco especial nos chamados fornecedores indiretos. 

A Marfrig Global Foods reconhece seu papel no contexto do desenvolvimento sustentável de suas atividades e é absolutamente comprometida nos temas socioambientais e constantemente desenvolve tecnologias para mitigar riscos, sempre envolvendo os seus fornecedores e dando transparências a todas as partes interessadas.


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