DEPOIS de quase uma década sem que os acusados fossem levados a júri, o caso da chacina de Pau d’Arco volta ao centro das atenções na terça-feira (26). Nesta data, o TJPA (Tribunal de Justiça do Pará) deve julgar os recursos apresentados pelas defesas dos policiais civis e militares indiciados pelo homicídio de dez trabalhadores rurais, ocorrido em 24 de maio de 2017.
A retomada do caso ocorre em meio à repercussão do documentário “Pau D’Arco”, produção da Reporter Brasil e Amana Cine, com direção de Ana Aranha.
O longa-metragem voltou a chamar atenção para a chacina, em especial entre membros do poder judiciário. O Ministério Público Federal passou a monitorar o andamento do processo na Justiça diante das suspeitas sobre um possível processo de apagamento de provas relacionadas ao massacre.
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O filme revelou, entre outros elementos, o assassinato da principal testemunha do caso, Fernando dos Santos Araújo. Ele foi executado com um tiro na nuca em 2021, após receber uma série de ameaças.
Na última quarta-feira (20), o filme foi exibido durante a cerimônia de posse do subprocurador-geral da República Paulo Thadeu como procurador federal dos Direitos do Cidadão, reforçando o simbolismo político e institucional que o caso voltou a adquirir.
A investigação da chacina, conduzida pela Polícia Federal, foi concluída em 2018, pouco mais de um ano após os assassinatos. Desde então, o processo aguardava a análise dos recursos da defesa para que fosse definida a realização do julgamento dos réus.
Ao longo desse período, oito desembargadores se declararam suspeitos para atuar no caso — uma situação considerada incomum e que contribuiu para prolongar ainda mais a tramitação judicial. Ao todo, dois policiais civis e 14 policiais militares foram indiciados pela chacina.
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