#136 – Beneficiada pelo acordo UE-Mercosul, agropecuária é marcada por trabalho escravo

O acordo comercial assinado entre Mercosul e União Europeia neste sábado (17) é o maior do tipo na história do bloco sulamericano. Entre os setores beneficiados, o agronegócio se destaca: 77% dos produtos agropecuários terão as taxas zeradas até 2040. No Brasil, os ganhos podem chegar a US$ 11 bilhões.

A maior entrada de produtos agrícolas brasileiros no mercado europeu pode beneficiar a economia, mas escancara um problema social: o agronegócio é amplamente marcado por graves violações de direitos humanos. Dados do projeto Perfil Resgatado, da ONG Repórter Brasil, mostram que mais da metade (53%) dos casos de trabalho escravo no país ocorreram na agropecuária. Só a pecuária, que gerou cerca de US$ 1,8 bilhão em exportações para a UE no último ano, responde por 32% dos casos confirmados desde 1995, o equivalente a 1.140 casos e 16.888 trabalhadores resgatados.

O café – principal produto brasileiro exportado para a União Europeia e que terá as tarifas zeradas gradualmente até 2040 – também está associado ao problema: nos últimos 30 anos, foram 193 casos de empregadores autuados por trabalho escravo no setor, somando 3.868 resgates individuais.

Os dados demonstram que parte das principais atividades do agronegócio nacional envolvidas na negociação tem sido realizada por mão-de-obra escravizada. Ou seja, ainda que o acordo possa trazer boas notícias para as relações comerciais entre os blocos, milhares de trabalhadores continuam submetidos a péssimas condições laborais.

Foto: Sergio Carvalho/Repórter Brasil

EDUCARB

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 20/01/2026

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