Marcelo Aro, secretário do governo Zema, já foi acusado de agressão por ex-namorada

Boletim de ocorrência registrado em outubro de 2007 por ex-namorada relata que pré-candidato ao Senado por Minas Gerais teria desferido “socos e pontapés” contra ela; outros registros mostram supostos episódios de desobediência em abordagens policiais
Por Daniel Camargos | Edição Carlos Juliano Barros

PRÉ-CANDIDATO ao Senado e secretário de Estado do Governo de Minas Gerais, Marcelo Aro (PP) foi acusado de agressão por uma ex-namorada em um boletim de ocorrência registrado em Belo Horizonte, em outubro de 2007, quando ele tinha 20 anos. Segundo o documento ao qual a Repórter Brasil teve acesso, a autora, então com 17, afirmou à Polícia Civil ter sido vítima de “socos e pontapés”.

De acordo com o histórico da ocorrência, a jovem compareceu à delegacia acompanhada da mãe. Disse que o caso teria ocorrido por ciúmes, após o fim do relacionamento, e relatou ter sofrido agressões que “não deixaram marcas”. 

O documento afirma também que Aro teria ameaçado não só a ex-namorada, mas também amigos dela. As agressões teriam ocorrido em 14 de outubro de 2007 — o boletim de ocorrência foi formalizado no dia seguinte.

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Hoje, aos 39 anos, Aro ocupa um dos cargos mais estratégicos da gestão de Romeu Zema (Novo). Como secretário de Estado de Governo, é responsável pela articulação política e institucional do Executivo mineiro. Antes disso, foi vereador de Belo Horizonte e deputado federal por dois mandatos. 

Além do boletim de ocorrência de 2007, a reportagem teve acesso a outros dois registros policiais em que Marcelo Aro é citado.

Um deles foi registrado também na capital mineira em dezembro de 2008 por desobediência. Segundo o documento, policiais militares foram acionados para atender uma ocorrência de perturbação do sossego em uma casa no bairro Havaí. O boletim afirma que, ao chegar ao local, os policiais teriam encontrado som alto vindo da residência e pedido que o volume fosse reduzido.

Apontado no boletim como responsável pelo local, Aro teria se recusado a obedecer e discutido com os policiais. O documento afirma que ele acabou preso em flagrante, por desobediência.

Outro boletim foi registrado em abril de 2012, no município de Nova Lima, como ameaça. Segundo o documento, um cabo da Polícia Militar teria abordado Aro durante patrulhamento no bairro Vila da Serra. O documento afirma que o veículo que ele conduzia estaria estacionado sobre a calçada, em frente a uma boate.

De acordo com o relato do policial, Aro teria se exaltado durante a abordagem e questionado a ação. O registro também menciona que ele teria telefonado para um coronel da PM, durante a ação policial, sem explicar exatamente o motivo da ligação.

“Garimpo de registros policiais da época da juventude”, diz Aro

Procurado pela reportagem, Marcelo Aro afirmou que os três boletins de ocorrência citados na matéria “não resultaram em processo, indiciamento ou condenação”. O pré-candidato ao Senado também disse que boletins de ocorrência não estabelecem culpa e afirmou que a divulgação ocorre em meio ao cenário eleitoral. Leia a íntegra da nota enviada por ele para a Repórter Brasil:

“Os três boletins de ocorrência mencionados — registrados há 15, 17 e 18 anos — não resultaram em nenhum processo, indiciamento, condenação ou qualquer punição. Do ponto de vista jurídico e factual, são registros que se encerraram em si mesmos, sem desdobramento algum. É importante lembrar que um boletim de ocorrência é um instrumento administrativo acessível a qualquer cidadão, que pode registrar o que quiser — o que não confere ao relato caráter de verdade apurada nem de culpa estabelecida. 

Não por coincidência, esse material vem a público exatamente no momento em que apareço com 15% nas pesquisas, em segundo lugar na corrida ao Senado. Quando faltam elementos para atacar, recorrem ao garimpo de registros policiais da época da juventude que nunca caminharam adiante. Essa escolha fala por si. Sou pai de seis filhos e tenho uma trajetória pública conhecida. Sei bem para quem presto contas. Não vou me distrair com política de baixo nível. Vou seguir fazendo o que sempre fiz: trabalhando pelo povo de Minas Gerais”.

Aos 39 anos, Aro ocupa um dos cargos mais estratégicos da gestão de Romeu Zema (Novo). Antes disso, foi vereador de Belo Horizonte e deputado federal por dois mandatos. 
(Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados)
Aos 39 anos, Aro ocupa um dos cargos mais estratégicos da gestão de Romeu Zema (Novo). Antes disso, foi vereador de Belo Horizonte e deputado federal por dois mandatos. (Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados)

Pré-candidato ao Senado, Aro usa ‘perfil família’ para conquistar eleitorado

Em vídeo publicado no fim do mês passado nas redes sociais, Marcelo Aro aparece sentado no sofá da sala ao lado da esposa e dos seis filhos. Em determinado momento, ele diz que, após o nascimento de uma das filhas com a síndrome de Cornélia de Lange, passou a considerar como missão de vida atuar em favor de pessoas com deficiência e doenças raras.

Formado em jornalismo e em direito, Aro passou a apresentar, nos últimos meses, um quadro no programa Balanço Geral, da TV Record Minas, com formato semelhante ao adotado pelo deputado federal Celso Russomanno (Republicanos-SP) na televisão paulista. “Se você teve seu direito atropelado, é só me ligar. Mas não diga alô, diga arô”, disse no vídeo gravado em frente à sede da emissora.

“Nosso futuro senador! Boto fé!”, comentou na publicação o presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Juliano Lopes (Podemos). Aro teve papel fundamental na eleição de Lopes para a presidência da Câmara da capital mineira. 

Nos bastidores da política local, ele ajudou a articular um grupo de vereadores conhecido como “Família Aro”, bloco informal que reúne parlamentares próximos ao secretário e que atua de forma coordenada nas disputas internas do Legislativo municipal.

O vídeo faz parte de uma estratégia recorrente nas redes sociais do político. Em seus perfis públicos, Aro costuma divulgar conteúdos com a família, com mensagens de cunho religioso e relatos pessoais. A construção de uma imagem de homem de família tem acompanhado a trajetória pública do pré-candidato ao Senado. 

A trajetória pública de Aro começou ainda jovem. Ele conta ter sido vocalista de uma banda ligada à igreja católica antes de ingressar na política. Em 2012, foi eleito vereador em Belo Horizonte, cinco anos após o registro do boletim de ocorrência em que foi acusado de agressão pela ex-namorada. Em 2014, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados, sendo reeleito para um segundo mandato.

A política também faz parte da história familiar do secretário. Marcelo Aro é filho do deputado estadual Zé Guilherme (PP) e de uma ex-vereadora de Belo Horizonte, Professora Marli. A família também marca presença histórica no futebol mineiro. Desde a década de 1960, seus integrantes ocupam cargos de direção na Federação Mineira de Futebol (FMF), entidade responsável pela organização das competições profissionais no estado.

Atualmente, o presidente da federação é Adriano Aro, irmão do secretário. Marcelo Aro ocupa o cargo de vice-presidente da entidade.

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