Na semana do dia da Conscientização da Nacional sobre as Mudanças Climáticas, tentamos entender como o trabalho escravo se relaciona com as mudanças climáticas.
O trabalho escravo está principalmente nas atividades econômicas que são vetores de desmatamento e de emissão de gases de efeito estufa e que, consequentemente, contribuem para as mudanças climáticas. São elas: pecuária, produção de carvão vegetal e desmatamento.
Na Amazônia, 83% dos casos de trabalho escravo, que ocorreram em 81 dos 91 municípios*, responsáveis por 75% do desmatamento de todo o bioma em 2023, estavam concentrados nessas atividades. Desses casos, foram resgatados 13.282 trabalhadores, 69% do total de vítimas entre 1995 e 2024.
No caso do desmatamento, o cruzamento de dados do projeto Perfil Resgatado da Repórter Brasil** com os do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) Cerrado e do Prodes do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) indicam forte relação entre trabalho escravo e desmatamento na Amazônia e no Cerrado.
No Cerrado, bioma com maior taxa de desmatamento do país, dos dez municípios com maior área desmatada em 2024, em apenas um não houve registro de trabalho escravo de 1995 a 2024. Todos eles estão na região conhecida como Matopiba – que compreende os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, em que há forte avanço da fronteira agrícola sobre a vegetação – onde ocorreu 76% do desmatamento desse bioma.
No Cerrado, além de estar em carvoarias e pecuária, o trabalho escravo também foi encontrado nas monoculturas de soja, café e algodão cujo avanço da área plantada ocorre às custas do desmatamento do bioma. Juntos, correspondem a 78% dos casos de trabalho escravo e a 96% do número de trabalhadores resgatados nesses locais e no mesmo período.
*Esses municípios são definidos como prioritários para ações de prevenção, controle e redução dos desmatamentos ou com desmatamento monitorado e sob controle. Eles fazem parte do Programa UcM (União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais na Amazônia) do governo federal.
**A partir de dados do Ministério do Trabalho e Emprego.

Foto: João Ripper