Em 2025, a ONG Repórter Brasil e a Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda do Pará (SEASTER-PA) realizaram o projeto Escravo, nem pensar! de formação de gestores e técnicos da Assistência Social do Pará sobre o tema do trabalho escravo e assuntos correlatos. A ação foi implementada em 20 unidades socioassistenciais de 17 municípios do estado. Ao todo, foram formados 80 profissionais da assistência social.
A iniciativa contou com a parceria da Comissão Pastoral da Terra e Movimento Xingu Vivo para Sempre, e o apoio do The Freedom Fund.
O projeto foi implementado de janeiro a dezembro de 2025, e seus objetivos são:
- Sensibilizar profissionais das redes estadual e municipais de Assistência Social sobre o seu papel no contexto da erradicação do trabalho escravo.
- Mobilizar profissionais das redes estadual e municipais de Assistência Social a incorporarem o atendimento ao trabalhador resgatado e sua família de acordo com as prerrogativas de seu trabalho cotidiano.
- Articular redes de combate ao trabalho escravo em âmbito local com apoio dos profissionais das redes estadual e municipais de Assistência Social.
- Informar o trabalhador resgatado e sua família sobre seus direitos a programas, serviços e benefícios sociais e aos riscos do aliciamento e do trabalho escravo.
- Contribuir na implementação do fluxo nacional de atendimento às vítimas de trabalho escravo para o atendimento às pessoas/famílias nesta situação.
O trabalho escravo no Pará
O Pará é um estado estratégico para a erradicação do trabalho escravo no Brasil, porque a incidência do problema em seu território é frequente. De 1995 a 2023, foram escravizados 13.537 trabalhadores no estado, colocando-o na 1ª posição no ranking nacional por nº de libertados[1]. O problema está concentrado em atividades rurais, sobretudo na agropecuária. Dos 680 casos de trabalho escravo registrados no estado, 457 (67%) foram flagrados na pecuária e 73 (11%) no carvão vegetal, mas há presença ainda do trabalho escravo no desmatamento, na mineração e em lavouras em geral.
[1] Os dados de trabalho escravo presentes neste documento são do Ministério do Trabalho e Emprego e foram sistematizados pela ONG Repórter Brasil e a Comissão Pastoral da Terra.