A ESCALA 6X1 vai mesmo acabar? Como está a discussão no governo e no Congresso Nacional? Se a proposta entrar em vigor, os salários vão continuar os mesmos? E quais vão ser os impactos sobre a economia?
Nesta quarta-feira (15), a Câmara dos Deputados pode dar um importante passo para a redução da jornada de trabalho no país — e para a extinção da escala que garante somente um dia inteiro de descanso a quem tem carteira assinada no Brasil.
A Repórter Brasil preparou uma lista de perguntas e respostas para você tirar as principais dúvidas sobre o tema. Confira abaixo.
1) O fim da escala 6×1 já foi aprovado?
Não. O governo ainda não finalizou o texto do projeto de lei que pretende enviar ao Congresso Nacional sobre o tema — e pode ser que nem envie.
No momento, existem duas PECs (Propostas de Emenda Constitucional) em discussão na Câmara dos Deputados.
A PEC 8/2025, de autoria da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), foi incorporada à PEC 221/2019, de Reginaldo Lopes (PT-MG), em fevereiro deste ano. Esse é o texto-base em discussão na Câmara.
2) O que dizem exatamente as PECs?
A PEC 8/2025 fala especificamente do fim da escala 6×1 e propõe uma escala 4×3, de quatro dias de trabalho para três de descanso.
Já a PEC 221/2019 fala em redução gradual da jornada de trabalho para 36 horas semanais em dez anos, sem mencionar expressamente o fim da 6×1.
3) Quando a Câmara vai decidir sobre o assunto?
Na quarta-feira (15), a Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Câmara, planeja votar um parecer sobre o fim da 6×1, levando em conta os textos das duas PECs.
Se o parecer pelo fim da escala 6×1 for aprovado, o tema vai ser votado por todos os deputados no plenário. Em caso de aprovação em dois turnos, segue para o Senado. Se passar por lá, sem nenhuma modificação, aí sim passa a valer o fim da 6×1.
4) Por que governo e Câmara divergem sobre o fim da escala 6×1?
O governo federal quer enviar um PL (projeto de lei) para acelerar a aprovação da medida, já que esse tipo de proposta exige menos votos e pode tramitar em regime de urgência. Já o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defende que o tema siga por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), que já está em análise na Casa e tem tramitação mais longa.
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5) O salário vai diminuir com a redução da jornada?
Atualmente, as propostas em discussão preveem a redução da jornada sem diminuição do salário, com o objetivo de preservar o poder de compra dos trabalhadores.
O governo defende uma jornada semanal máxima de 40 horas, numa escala 5×2. Ou seja: no máximo, oito horas de trabalho, de segunda a sexta-feira.
Mas tudo depende do texto que será aprovado no Congresso Nacional.
6) O fim da escala 6×1 pode prejudicar a economia?
Esse é o grande debate. Representantes do comércio e da indústria dizem que o fim da escala 6×1 vai encarecer o custo da contratação de mão de obra e aumentar a informalidade.
Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), por exemplo, isso poderia elevar em média 6,2% os preços ao consumidor final e provocar uma perda de R$ 76 bilhões no PIB brasileiro.
Por outro lado, um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) calcula entre 7,14% e 15,32% o aumento no custo da hora trabalhada, a depender da redução da jornada. Segundo os pesquisadores, seria uma elevação comparável aos reajustes do salário mínimo já absorvidos pelo mercado no passado.
Ainda de acordo com o Ipea, a última grande redução da jornada no Brasil ocorrida em 1988, de 48 para 44 horas semanais, não provocou um colapso econômico.
7) A medida pode gerar mais empregos?
Esse é outro ponto polêmico. Um estudo da Unicamp (Universidade de Campinas) estima que o fim da 6×1 poderia estimular a criação de 4,5 milhões de vagas. Por outro lado, entidades empresariais contestam essa projeção.
Segundo o estudo do Ipea, o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal para 40 horas não devem provocar uma queda abrupta do PIB brasileiro, mas também não será capaz de gerar milhões de empregos.
8) Como começou o movimento pelo fim da escala 6×1?
O tema ganhou força no ano passado, impulsionado pelo movimento VAT (Vida Além do Trabalho), criado pelo vereador da capital fluminense Rick Azevedo (PSOL-RJ).
A principal bandeira do VAT é a promoção da saúde mental e a garantia do fim de semana livre para que trabalhadores tenham mais tempo de lazer e de convivência com a família.
Para o Ipea, o fim da 6×1 pode inclusive tornar mais atrativos os empregos com carteira assinada, ao limitar a jornada. E também pode estimular empresas a adotarem sistemas mais produtivos para contornar o aumento de custos.
9) Vai haver redução gradual da jornada?
Ainda não é possível dizer se e como vai acontecer a redução da jornada.
Originalmente, a PEC 8/2025, de Erika Hilton, propõe não só a jornada de 36 horas semanais, mas também a escala 4×3 (quatro dias de atividade para três de descanso). O texto não prevê redução gradual do tempo de trabalho.
Já a PEC 221/2019, de autoria de Reginaldo Lopes, fala apenas em reduzir a jornada semanal de 44 horas para 36 horas semanais, ao longo de dez anos.
Em entrevistas, no entanto, o deputado Reginaldo Lopes tem defendido a redução de 44 para 40 horas semanais, ao longo de cinco anos. Ou seja, se a proposta de diminuição fosse aprovada pelo Congresso em 2026, a jornada com limite de 40 horas só valeria a partir de 2031.
10) Haveria algum tipo de apoio financeiro para as empresas durante a transição?
Esse é outro importante ponto pendente. Ainda não está claro se e como o Estado brasileiro ajudaria as empresas, principalmente as de pequeno porte, caso o fim da escala 6×1 seja aprovado.
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