Manual de uso: o que a Repórter Brasil faz e como você pode nos ajudar

Como é feito o nosso trabalho, que em 2026 completa 25 anos.
Por Marcel Gomes

Uma das questões que nós, da Repórter Brasil, mais ouvimos quando estamos conversando com trabalhadores em situação vulnerável ou membros de comunidades afetadas pela violência é a seguinte:

– O que vocês podem fazer por nós?

É uma dúvida natural, muitas vezes lançada no desespero por pessoas que perderam a fé nas autoridades e nas forças de segurança – que, não raro, estão envolvidas diretamente com os conflitos no campo e nas cidades.

A nós, além de manifestar a empatia humanamente necessária nessas horas, cabe explicar como a Repórter Brasil pode – e deve – ajudar. Em se tratando de uma organização da sociedade civil brasileira, ou uma ONG, em bom português, a Repórter Brasil possui a obrigação, inclusive estatutária, de propor soluções aos casos de violações aos direitos humanos e crimes ambientais com os quais atuamos.

Ainda que seja um trabalho de nossa própria equipe buscar as histórias mais importantes e de interesse público, o papel do leitor e da comunidade é fundamental. Muitas vezes, são eles que nos trazem as informações que darão início a novas investigações e projetos. 

Como fazer isso, então?

A forma mais simples é enviar uma mensagem para o e-mail [email protected]. A conta é monitorada diariamente pela coordenação da organização, que encaminha as

mensagens às equipes responsáveis. Para cuidar das demandas, a ONG está dividida em grandes programas, cada um com atuação específica, a serviço dos públicos para os quais se destinam.

O mais visível desses programas, o de Jornalismo, começou a ser construído desde o início da organização, há 25 anos, e se reflete no próprio nome, Repórter Brasil. Nossos jornalistas cobrem pautas sobre áreas que costumam despertar pouca atenção dos veículos tradicionais: Direitos Humanos, Mundo do Trabalho, Povos Tradicionais, Questão Agrária, Socioambiental e Trabalho Escravo.

Todo conteúdo é ainda distribuído nas principais redes sociais, como o Instagram, e por meio de uma newsletter semanal que pode ser assinada, tudo de acesso gratuito.

O Programa de Jornalismo também produz materiais audiovisuais de alta qualidade. Já lançamos 14 documentários ao longo dos anos, sempre tratando de temas sensíveis da realidade brasileira.

Alguns deles estão disponíveis na íntegra em nossa página no Youtube, como “Relatos de um Correspondente da Guerra na Amazônia”, “Carne, Osso”, “GIG – A uberização do trabalho”, “Nosso INSS” e “Não Respire”. O último lançamento, “Pau d’Arco”, ainda está percorrendo o circuito dos festivais.

De um ponto de vista bem prático, os documentários têm sido utilizados por escolas, movimentos sociais e sindicatos em atividades de formação e para promoverem debates. 

Próximo ao time de jornalismo, trabalha a equipe do Programa de Pesquisa e Impacto Social. O foco também é abordar questões de direitos humanos e ambientais, mas para a produção de estudos detalhados, que são divulgados na forma, por exemplo, do boletim Monitor.

O último boletim, de número 24, foi divulgado durante a COP30, em Belém, e tratou do tema dos biocombustíveis. O trabalho apresenta casos de trabalho escravo e crimes ambientais na cadeia produtiva do etanol e do biodiesel, ao mesmo tempo em que lista recomendações para que governos e empresas solucionem os problemas encontrados.

Esse tipo de estudo tem sido utilizado por organizações parceiras para subsidiar campanhas, a reforma de leis e até ações judiciais ou administrativas. Edições do Monitor foram utilizadas, por exemplo, por organizações brasileiras e internacionais para subsidiar demandas na França baseadas na lei de devida diligência daquele país. Foram os casos dos estudos sobre o McDonalds, a rede de supermercados Casino e o banco BNP Paribas.

Como essas atividades exigem um forte suporte de documentação, a Repórter Brasil desenvolveu, nos últimos anos, plataformas de dados oficiais que automatizam a realização de pesquisas sobre cadeias produtivas, permitindo identificar compradores e vendedores de

mercadorias, assim como aqueles que possuem passivos sociais e ambientais.

Essas plataformas não estão disponíveis para o público por contarem dados sensíveis, mas são compartilhadas com parceiros da Repórter Brasil que fazem atividades alinhadas às nossas, tanto outras organizações da sociedade civil quanto órgãos públicos.

Com os resultados desse trabalho, é possível chamar à responsabilidade tanto as grandes empresas envolvidas com malfeitos, quanto as autoridades públicas, seja para aplicar a lei ou, se for o caso, aperfeiçoá-las através de medidas legislativas.

Para isso, o Programa de Pesquisa e Impacto Social também está representado em Brasília, onde podemos monitorar o trâmite legislativo e a execução do orçamento federal nos temas sociais e ambientais.

Parte dessas atividades também é executada pelo Programa de Educação e Políticas Públicas. Sua equipe participa diretamente da construção de políticas nas áreas de direitos humanos e do trabalho, em espaços como a Conatrae (Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo), que acabou de elaborar o III Plano Nacional, e o Observatório do Trabalho Decente no Poder Judiciário, que está construindo um marco específico para o sistema legal.

O programa obteve grande reconhecimento, vale destacar, ao conduzir o primeiro e único projeto de prevenção ao trabalho escravo em nível nacional. Trata-se do “Escravo, nem pensar!”, uma iniciativa de caráter educacional criada em 2004 e que produziu, ao longo dos anos, dezenas de conteúdos metodológicos originais para o enfrentamento do trabalho escravo.

O “Escravo, nem pensar!”, sustentado em uma equipe multidisciplinar, já chegou a mais de 770 municípios de 14 estados brasileiros, beneficiando mais de 1,6 milhão de pessoas através de atividades de formação. Seu público, inicialmente focado em professores e gestores de ensino do sistema público, expandiu-se para as áreas de saúde, segurança e assistência social – todos públicos que eventualmente têm de lidar com a questão do trabalho escravo em seu dia-a-dia.

É por tudo isso que gestores públicos, em busca de uma iniciativa inovadora e já consolidada para difundir direitos humanos e promover melhores condições de trabalho em suas comunidades, também podem contar com a equipe do Programa de Educação e Políticas Públicas.

Neste ano em que chega a seus 25 anos, a Repórter Brasil reforça sua estratégia de integrar jornalismo, pesquisa, incidência política e educação. Assim, a organização busca ampliar o acesso à informação, fortalecer políticas públicas e apoiar iniciativas voltadas à promoção de direitos, combatendo violações e crimes ambientais. Assim, seguimos buscando responder àquela dramática pergunta:

– O que vocês podem fazer por nós?

25 anos investigando para mudar.

A Repórter Brasil já ajudou a impulsionar leis, fortalecer direitos e combater o trabalho escravo.

Em 2026, fazemos 25 anos — e vem muito mais por aí!

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Na imagem, a ribeirinha Lausminda de Jesus e o rio Tapajós, à época ameaçado pela construção de diversas barragens. (Foto: Lilo Clareto/Repórter Brasil)

Nosso trabalho ajudou a impulsionar leis, inspirar políticas corporativas mais responsáveis e combater o trabalho escravo.