Em 2026, a ONG Repórter Brasil e a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) realizam o projeto Escravo, nem pensar! de formação de Policiais militares da Polícia Militar do Maranhão sobre o tema do trabalho escravo e assuntos correlatos. A metodologia do projeto consiste na formação de Cadetes do Curso de Formação de Oficiais (CFO) da Polícia Militar do Maranhão (PMMA) e do Curso de Formação de Oficiais do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA).
A iniciativa é apoiada pelo The Freedom Fund e conta com a parceria da Coetrae-MA (Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo do Maranhão). A formação conta com palestras de representantes de órgãos e entidades que atuam na erradicação do trabalho escravo no Maranhão: Polícia Federal, Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, Comissão Pastoral da Terra e Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascarán.
O projeto está sendo implementado entre janeiro e dezembro de 2026, e seus objetivos são:
- Sensibilizar profissionais da Segurança Pública sobre o seu papel no combate ao trabalho escravo no Brasil.
- Preparar profissionais da Segurança Pública para:
- Atuar no encaminhamento de vítimas de trabalho escravo.
- Identificar situações de trabalho escravo e dar o devido encaminhamento.
- Encaminhar denúncias de trabalho escravo segundo o Fluxo Nacional de Atendimento a Vítimas de Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas.
O trabalho escravo no Maranhão
O Maranhão é um estado estratégico para a erradicação do trabalho escravo no Brasil, porque a incidência do problema em seu território é frequente. De 1995 a 2025, foram escravizados 3.944 trabalhadores no estado, colocando-o na 3ª posição no ranking nacional por nº de libertados. O problema está concentrado em atividades rurais, sobretudo na agropecuária. Dos 264 casos de trabalho escravo registrados no estado, 161 (64%) foram flagrados na pecuária e 39 (16%) na atividade do carvão vegetal.