OIT e MEC lançam cartilha para alfabetizadores contra trabalho escravo

Parte do projeto desenvolvido pela ONG Repórter Brasil, a publicação levará informação aos trabalhadores para preveni-los da escravidão
Por Organização Internacional do Trabalho
 21/06/2006
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O Ministério da Educação iniciou a distribuição das 40 mil cartilhas que serão enviadas a alfabetizadores que atuam no Programa Brasil Alfabetizado para prevenir a ocorrência de trabalho escravo nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Vale do Jequitinhonha.

Fruto de uma parceria inédita entre o  Ministério e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), as cartilhas fazem parte do projeto “Escravo, nem pensar”, desenvolvido pela ONG Repórter Brasil.

Nos últimos, o Brasil alcançou uma posição de destaque no cenário internacional pela luta empreendida contra o trabalho escravo, tal como foi reconhecido no relatório “Uma Aliança Global contra o Trabalho Forçado”, divulgado em 2005 pela OIT.

“Embora o Brasil tenha avançado muito na repressão e combate a esse crime são necessárias ainda medidas de prevenção e informação àquelas comunidades vulneráveis que correm o risco de terem seus trabalhadores aliciados e traficados para serem explorados como escravos principalmente em fazendas Região Norte”, disse Patrícia Audi, coordenadora do Projeto de Combate ao Trabalho Escravo da OIT no Brasil.

A vulnerabilidade desses trabalhadores, a maioria provenientes de estados com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) deve-se, principalmente,  à falta de oportunidade de geração de emprego e renda que permitam a sobrevivência de suas famílias, lembrou Patrícia Audi.

De acordo com dados da OIT, os trabalhadores aliciados para o trabalho escravo são, em sua grande maioria, homens com idade entre 21 e 40 anos, analfabetos ou com pouquíssimos anos de instrução.

“A iniciativa do MEC e da OIT de levar a informação quanto aos riscos de aliciamento e escravidão a essa população, por intermédio do excelente Programa Brasil Alfabetizado, garantirá que essas pessoas tenham a possibilidade de não serem enganadas por falsas promessas de emprego, exploradas de maneira desumana e levados à escravidão contemporânea”, disse Patrícia Audi. “A cartilha informará os principais direitos trabalhistas a essas pessoas, ao mesmo tempo em que lhe garantirá a possibilidade de aprender a ler e a escrever”.

“Este programa tem como objetivo fundamental transformar os alfabetizadores em atores importantes para a prevenção do trabalho escravo no Brasil”, disse o jornalista e cientista político Leonardo Sakamoto, coordernador da ONG Repórter Brasil.

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