Em 2023, a Repórter Brasil e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese-MG) desenvolveram o projeto Escravo, nem pensar! em Minas Gerais – 2023. A iniciativa foi implementada em 37 unidades socioassistenciais de 24 municípios do estado. Ao todo, foram prevenidas 839 pessoas do trabalho escravo, entre servidores e usuários atendidos.
Essa iniciativa contou com a parceria da Organização Internacional do Trabalho e o apoio do Fundo Global para Erradicar a Escravidão Moderna e o Departamento de Estado dos Estados Unidos da América.
Os profissionais formados diretamente pela equipe do ENP! foram responsáveis pela multiplicação de conteúdos, materiais e referências relacionados ao tema do trabalho escravo e assuntos correlatos para equipamentos socioassistenciais de seus municípios, como CRAS, CREAS, Centro Pop, Centros de Acolhida e serviços conveniados para fortalecer o atendimento a trabalhadores vulneráveis e vítimas de trabalho escravo e tráfico de pessoas
O projeto foi implementado de janeiro a dezembro de 2023, e seus objetivos são:
- Sensibilizar profissionais das redes estadual e municipais de Assistência Social sobre o seu papel no contexto da erradicação do trabalho escravo.
- Mobilizar profissionais das redes estadual e municipais de Assistência Social a incorporarem o atendimento ao trabalhador resgatado e sua família de acordo com as prerrogativas de seu trabalho cotidiano.
- Articular redes de combate ao trabalho escravo em âmbito local com apoio dos profissionais das redes estadual e municipais de Assistência Social.
- Informar o trabalhador resgatado e sua família sobre seus direitos a programas, serviços e benefícios sociais e aos riscos do aliciamento e do trabalho escravo.
- Contribuir na implementação do fluxo nacional de atendimento às vítimas de trabalho escravo para o atendimento às pessoas/famílias nesta situação.
O trabalho escravo em Minas Gerais
Minas Gerais é um local estratégico para a erradicação do trabalho escravo. Na série histórica de registro de casos, que abrange o período de 1995 a 2022, o estado aparece em 2º lugar no ranking nacional em número de trabalhadores escravizados: foram 8.713 libertados em 391 casos. O problema no estado está presente predominantemente em atividades rurais, como em lavouras de café e cana-de-açúcar e na pecuária, mas também há registros em zonas urbanas, como na construção civil e no trabalho doméstico. Minas Gerais figura ainda como o terceiro principal estado de origem dos trabalhadores resgatados em todo o Brasil, sendo que aproximadamente uma em cada dez vítimas é mineira (11%).
Confira o caderno de resultados do projeto Escravo, nem pensar! em Minas Gerais – 2023.