Em 2025, a ONG Repórter Brasil e a Secretaria Estadual de Assistência Social do Amazonas (SEAS-AM) realizaram o projeto Escravo, nem pensar! de formação de gestores e técnicos da Assistência Social do Amazonas sobre o tema do trabalho escravo e assuntos correlatos. A ação foi implementada em 16 unidades socioassistenciais de 23 municípios do estado. Ao todo, foram formados 59 profissionais da assistência social.
A iniciativa contou com a parceria da Rede Transdisciplinar da Amazônia (RETA) e o apoio do The Freedom Fund.
O projeto foi implementado de janeiro a dezembro de 2025, e seus objetivos são:
- Sensibilizar e orientar profissionais da assistência social sobre o tema do
- trabalho escravo e assuntos correlatos.
- Sensibilizar e formar profissionais da assistência social para identificar possibilidades de encaminhamento e atendimento mais qualificado para casos de trabalho escravo e outras violações laborais.
- Articular redes de combate ao trabalho escravo em âmbito local, com apoio
- dos profissionais da assistência social.
- Informar o trabalhador resgatado e a sua família sobre direitos a programas
- sociais, e alertar sobre os riscos do aliciamento e do trabalho escravo.
- Informar os usuários da rede socioassistencial sobre a ocorrência do aliciamento e do trabalho escravo no Brasil.
O trabalho escravo no Amazonas
O Amazonas é um estado estratégico para o combate ao trabalho escravo, pois apesar da ocorrência de casos em seu território, ele ainda é invisibilizado. Entre 1995 e 2023, 477 trabalhadores foram libertados sob condições degradantes em 45 casos flagrados, dentre os quais 53% eram relacionados a atividades relacionadas à pecuária. As atividades relacionadas ao extrativismo vegetal, principalmente aquelas referentes ao desmatamento e ao processamento da madeira, também concentram percentagem importante dos casos como demonstrado no gráfico a seguir. Em relação ao extrativismo vegetal, houve ainda trabalho escravo na colheita da piaçava e castanha, mas também na pesca e na extração de minérios.