Em 2025 e 2026, a ONG Repórter Brasil e a Secretaria de Estado de Assistência Social do Mato Grosso do Sul (SEAD-MS) realizam a segunda etapa do projeto Escravo, nem pensar! de formação de gestores e técnicos da Assistência Social do Mato Grosso do Sul sobre o tema do trabalho escravo e assuntos correlatos.
A iniciativa conta com o apoio do Ministério Público do Trabalho e a parceria da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais do Mato Grosso do Sul (FETTAR-MS).
Os objetivos do projeto são:
- Sensibilizar profissionais das redes estadual e municipais de Assistência Social sobre o seu papel no contexto da erradicação do trabalho escravo.
- Mobilizar profissionais das redes estadual e municipais de Assistência Social a incorporarem o atendimento ao trabalhador resgatado e sua família de acordo com as prerrogativas de seu trabalho cotidiano.
- Articular redes de combate ao trabalho escravo em âmbito local com apoio dos profissionais das redes estadual e municipais de Assistência Social.
- Informar o trabalhador resgatado e sua família sobre seus direitos a programas, serviços e benefícios sociais e aos riscos do aliciamento e do trabalho escravo.
- Contribuir na implementação do fluxo nacional de atendimento às vítimas de trabalho escravo para o atendimento às pessoas/famílias nesta situação.
O trabalho escravo no Mato Grosso do Sul
O Mato Grosso do Sul é um estado estratégico para a erradicação do trabalho escravo no Brasil, porque a incidência do problema em seu território é frequente. Ele é o sétimo estado com o maior número de pessoas encontradas em condições análogas à escravidão do Brasil: ao todo, foram 3.109 libertações entre 1995 e 2023, em 110 casos. Esse número corresponde a 5% dos 63.426 trabalhadores escravizados no país. O município de Brasilândia lidera o ranking, onde foram escravizadas 1.011 pessoas, o que representa 32,5% do total do estado. Em seguida aparecem Iguatemi (21%), Naviraí (13%), Porto Murtinho (4%), Dourados (2%) e Corumbá (2%). O problema está concentrado em atividades rurais, sobretudo na agropecuária. Dos 110 casos de trabalho escravo registrados no estado, 44 (40%) foram flagrados na pecuária e 20 (19%) em lavouras diversas, como cana-de-açúcar, soja e mandioca.