No Carnaval de 2025, auditores-fiscais do trabalho resgataram 303 vendedores de bebida em situação de trabalho escravo nas ruas de Salvador.
As condições de trabalho foram consideradas degradantes em diversos aspectos. Os trabalhadores estavam submetidos ao forte calor, ao sol escaldante e a chuvas e ventanias contando apenas com a proteção de um guarda-sol. Não havia locais para descanso nem locais onde se pudesse preparar e fazer refeições; havia apenas dois banheiros e não houve fornecimento de água potável.
A jornada de trabalho, estimada em algo entre 14 e 20 horas, foi considerada exaustiva. Os trabalhadores não paravam para descansar ou se alimentar porque temiam perder os pontos de venda onde tinham conseguido se instalar. Muitos ficaram no local de trabalho ininterruptamente ao longo de todos os dias do Carnaval. A remuneração vinha apenas no lucro advindo do comércio das bebidas, que deveriam ser adquiridas com os recursos dos próprios vendedores e vendidas por preços tabelados. Embora as bebidas fossem vendidas com valores de 43% a 67% maiores do que o preço de custo, o lucro líquido chegava a quase zero, porque os trabalhadores tinham gastos com alimentação, gelo e outros itens.
Depois de resgatados, cada um dos 303 trabalhadores recebeu os valores de verbas rescisórias e outros encargos.
