Nos dias 30 e 31 de março, Porto Alegre recebeu o primeiro módulo formativo do projeto Escravo, nem pensar! no Rio Grande do Sul – Prevenção ao trabalho escravo em contexto de crise climática. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a atuação de gestores e técnicos do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) na erradicação do trabalho escravo e no entendimento da relação entre exploração laboral e mudanças climáticas no estado.
Realizado pela ONG Repórter Brasil e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social do Rio Grande do Sul (SEDES-RS), o projeto tem como diretriz formar gestores e técnicos de unidades socioassistenciais e secretarias municipais gestoras do SUAS. A proposta é fortalecer ações preventivas e preparar as unidades socioassistenciais para acolher e encaminhar adequadamente os trabalhadores resgatados e as suas famílias aos serviços sociais. A ação conta com a parceria da Comissão Estadual para a Erradicação ao Trabalho Escravo do Rio Grande do Sul (Coetrae-RS) e o apoio da Fundação Avina.
A primeira etapa de formação contou com a participação de 78 profissionais de 20 municípios estratégicos do estado. Durante os encontros, os participantes aprofundaram os aspectos conceituais do trabalho escravo e debateram a identificação desse problema no Rio Grande do Sul. A programação também incluiu a análise da política pública de erradicação, a sua relação direta com a rede socioassistencial e a construção de planos de ação para multiplicar o conhecimento nas secretarias e equipamentos municipais.
O projeto será implementado ao longo de 2026. São previstos ainda mais dois módulos formativos, além de atividades de implementação nos municípios contemplados.
O Rio Grande do Sul tem enfrentado desafios no combate a esse crime, com episódios recentes de resgates atrelados a atividades rurais, como as colheitas da uva e da maçã, além de lavouras de fumo, arroz e na agropecuária e na extração de madeira. No meio urbano, houve casos também na construção civil e no trabalho doméstico. Diante desse cenário complexo, a qualificação contínua da Assistência Social atua como linha de frente para garantir a proteção de direitos, a reinserção segura de pessoas em situação de vulnerabilidade e o rompimento definitivo do ciclo de exploração laboral.