Tag: Trabalho Escravo

Tramontina comprou madeira de serraria flagrada com trabalho escravo

A rede que abastece madeira para os utensílios domésticos da Tramontina incluiu, em anos recentes, uma serraria flagrada com trabalho escravo contemporâneo. A fabricante abastece as lojas do Walmart no Brasil, Carrefour e do Grupo Pão de Açúcar, entre elas o Ponto Frio, as Casas Bahia e o Extra.com. Procurada pela reportagem, a empresa afirmou que interrompeu as compras ao tomar conhecimento dos problemas da serraria flagrada pelo crime (leia a resposta completa da Tramontina). A mesma realidade foi detectada em exportadores que compraram de serrarias amazônicas responsabilizadas por submeter trabalhadores a condições análogas às de escravo. Elas vendem madeira para empresas como a USFLoors, que abastece a rede de materiais para construção norte-americana Lowe´s. Outro comprador é a Timber Holdings, que já forneceu madeira para obras no Central Park e na Brooklyn Bridge. Tanto a US Floors quanto a Timber Holdings, procuradas pela reportagem, disseram que a madeira comprada por eles não é a mesma envolvida no flagrante de trabalho escravo. A rede de relações comerciais que liga as marcas brasileiras e internacionais às serrarias foi descoberta em investigação da Repórter Brasil e confirmada pelas empresas. Embora a reportagem não possa traçar o destino exato de cada pedaço de madeira, pois os produtos se misturam nos vendedores intermediários, a investigação revela que a rede de fornecedores de grandes grupos varejistas e da construção civil está contaminada pela prática criminosa. Ou seja, essas marcas estão financiando redes que exploram o trabalho escravo. Os casos investigados começam em duas serrarias que operam no oeste do Pará, um dos principais polos de expansão da indústria madeireira na Amazônia brasileira. Uma delas...

Fundo da ONU recebe inscrições de projetos de combate ao trabalho escravo até 1º de março

O Fundo Voluntário das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão está com as inscrições abertas para receber projetos que serão desenvolvidos entre janeiro e dezembro de 2018 até o dia 1º de março. Podem participar organizações que atendem diretamente vítimas da escravidão contemporânea e seus familiares, por meio de assistência médica, psicológica, humanitária, financeira, jurídica ou educacional, incluindo capacitação e formação profissional. Ações para a geração de renda também são aceitas. Organizações governamentais e partidos políticos não podem se inscrever. As inscrições podem ser feitas em inglês, francês ou espanhol pela plataforma eGrants Online System (GMS). Traduções feitas por tradutores online, como o Google Tradutor, são aceitas. As organizações que não possuem acesso à internet devem entrar em contato com o fundo, para pedir as devidas instruções. (Antes de realizar a inscrição, leia as instruções aqui). Os projetos serão avaliados e selecionados até o final de 2017, e devem ser executados entre janeiro e dezembro do ano seguinte. As organizações contempladas receberão o recurso (que pode chegar a 20 mil dólares) nos primeiros meses de 2018, e deverão prestar contas dos gastos. O Fundo pode conceder novos apoios anualmente até o limite de cinco renovações. As entidades que se inscrevem pela primeira vez devem comprovar experiência de ao menos dois anos com assistência direta às vítimas de escravidão contemporânea. Nesta edição, será dada prioridade aos projetos que implementem ações que possam ser estendidas por vários anos, projetos que deem assistência especializada a vítimas de trabalho forçado e outras forma de escravidão, a crianças vítimas de casamento precoce, e/ou a mulheres e crianças, e projetos que operem em situações de...

Justiça determina que governo volte a divulgar “lista suja” da escravidão

A Justiça do Trabalho determinou, nesta segunda (19), que o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, e o governo federal voltem a publicar – em até 30 dias – o cadastro de empregadores que tenham submetidos pessoas à condição análoga à de escravo – conhecido como a ”lista suja do trabalho escravo”. A decisão, de caráter liminar, atendeu a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho, que denunciou a omissão do poder público. A divulgação da ”lista suja” foi suspensa em dezembro de 2014, quando o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, atendeu a um pedido de liminar de uma associação de incorporadoras imobiliárias que questionava a constitucionalidade da lista. Contudo, após a publicação de uma nova portaria interministerial (número 4, de 11 de maio de 2016), com mudanças em critérios de entrada e saída do cadastro, a ministra Cármen Lúcia levantou a proibição. Desde então, o ministério poderia divulgar uma nova atualização da lista, mas não o fez. Criada em 2003 pelo governo federal, a ”lista suja” é considerada pelas Nações Unidas um dos principais instrumentos de combate ao trabalho escravo no Brasil e apresentada como um exemplo global por garantir transparência à sociedade e um mecanismo para que empresas coloquem em prática políticas de responsabilidade social. Rubens Curado Silveira, juiz da 11a Vara do Trabalho de Brasília, afirmou em sua decisão que ”há mais de uma década, esse cadastro vem se destacando entre as medidas relevantes no enfrentamento do tema, em perfeito alinhamento aos princípios constitucionais da publicidade e da transparência”. O não cumprimento impõe multa diária de R$ 10 mil, entre outras medidas...

4 em cada 10 marcas não se comprometem com o combate ao trabalho escravo. Descubra quais

A dez dias do natal, a nova versão do aplicativo Moda Livre oferece, de forma ágil e acessível, informações sobre marcas da indústria de roupas envolvidas em casos de trabalho escravo no Brasil. O aplicativo revela quais são as empresas comprometidas com o combate ao crime e quais já foram flagradas explorando a prática. Das 101 marcas avaliadas, 49 tiveram a pior avaliação. A ferramenta já foi considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma referência mundial no combate ao trabalho escravo na indústria de roupas.   Faça o download do aplicativo para iOS (Iphone) e Android.   O Moda Livre passa a monitorar marcas como as grifes Levi’s e Calvin Klein, a rede de fast fashion Forever 21, além das esportivas Nike, Puma, Adidas e Reebok. Companhias brasileiras relevantes no mercado como o Grupo Soma (responsável pela Farm e pela Animale) e as marcas TNG, Osklen e Cavalera, também aparecem na atualização do Moda Livre. Redes de lojas populares, como a Besni e o magazine Torra Torra, também foram contempladas.  A atualização conta com a inclusão de 27 novas empresas. Desenvolvido pela Repórter Brasil, o aplicativo passa a avaliar as ações tomadas por 101 marcas e varejistas de vestuário para garantir que as peças fabricadas no país sejam integralmente produzidas de acordo com a legislação trabalhista. Além disso, o Moda Livre segue também monitorando empresas cuja produção de roupas já foi marcada por casos de escravidão (flagrados por fiscais do Ministério do Trabalho), como ocorreu com as marcas Handbook e Brooksfield Donna. Metodologia A Repórter Brasil envia um questionário-padrão a todas as marcas e grupos varejistas de...

“Não somos escravos”, imigrantes revelam estigma e como combatem crime

Direção e Guião: Cristina de Branco e Miguel Dores Fotografia, montagem e legendas: Cristina de Branco Captação e montagem de som: Miguel Dores Imagens adicionais (Acuarela Paraguaya): Visto Permanente Coordenação: Ana Aranha Realização: Repórter Brasil e Mutirão Apoio: DGB Bildungswerk Bund Esta reportagem foi realizada com o apoio da DGB...