#145 – Irã, etanol, trabalho escravo: qual a relação?

Desde o início da guerra no Irã, o preço do barril de petróleo vem subindo consideravelmente, o que tem impacto direto na oferta e no preço dos combustíveis. Frente a esse cenário, o Brasil possui uma salvaguarda importante: os biocombustíveis, como etanol e biodiesel.  Isso fez com que o aumento dos preços de todos os combustíveis na bomba não fosse uma calamidade por aqui: o preço subiu 20% no Brasil, enquanto, nos Estados Unidos, chegou a 40%.

A demanda crescente pelos biocombustíveis deve pressionar o mercado a intensificar a produção de cana-de-açúcar, principal matéria-prima usada na fabricação desse tipo de combustível no Brasil. Com isso, a necessidade por mão de obra também se amplia. Nos últimos anos, o setor da cana foi um dos principais em que se flagrou trabalho escravo. Foram resgatados dessa condição ao menos 110 trabalhadores em 2024, 571 em 2023 e 487 em 2022. Entre 2003 e 2023, foram 12.516 resgatados no total.

Os resgates do início dos anos 2000 aconteceram principalmente na colheita da cana, mas o crescimento da mecanização dessa atividade provocou a diminuição dos casos de trabalho análogo ao escravo após 2009. Os resgates mais recentes, que voltaram a aumentar a partir de 2021, aconteceram no plantio, atividade que passou a ser terceirizada pelos produtores, algo possibilitado pela Lei 13.429 de 2017, conforme informa o boletim Monitor #22, produzido pela Repórter Brasil.

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