Empresas de deputados e senadores devem R$ 372 milhões à Previdência

Enquanto debatem a Reforma da Previdência, deputados federais e senadores estão associados a empresas que devem R$ 372 milhões ao INSS. Segundo levantamento da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional,  73 deputados e 13 senadores estão ligados a grupos devedores da previdência – 1 em cada 7 congressistas. As empresas presentes no levantamento têm parlamentares como sócios, presidentes, fundadores ou administradores. Casos em que os CNPJs estão vinculados aos CPFs dos congressistas. Entre elas, há redes de televisão e rádio, hotéis, frigoríficos, companhias siderúrgicas e até diretórios de partidos políticos. Acessa a íntegra do documento e conheça o nome de todos os deputados e senadores. Dívidas milionárias Entre os devedores, 4 senadores e 11 deputados têm empresas que somam dívidas superiores a um milhão de reais. O líder do ranking é o senador Fernando Collor (PTC-AL). O ex-presidente está associado a cinco empresas que devem R$ 112 milhões, todas elas atuam no ramo de comunicação. A TV Gazeta, retransmissora da TV Globo, tem Collor como sócio e deve R$ 46 milhões ao INSS. A assessoria de imprensa do senador afirmou, por e-mail, que “o Senador não participa diretamente da gestão das empresas de comunicação de sua família, mas acompanha os esforços da diretoria para, mesmo diante do quadro de grave retração econômica, assegurar a continuidade da atividade e garantir o emprego de funcionários, ainda que sacrificando momentaneamente a pontualidade no cumprimento de algumas obrigações de natureza fiscal”. Entre os deputados federais, a maior dívida é de Marinaldo Rosendo (PSB-PE), com R$ 105 milhões. Somente a PR Distribuidora de Bebidas e Alimentos, da qual ele é sócio, deve R$ 99 milhões ao...

Nota de Antônio José Junqueira Vilela

“No final de 2016, o produtor rural Antônio José Junqueira Vilela, seus familiares e funcionários foram vítimas de uma operação desastrosa arquitetada pelo Ibama. Imputou-se a inocentes acusações esdrúxulas como a de crime ambiental, lavagem de dinheiro, corrupção e trabalho escravo. Com o avanço das investigações, contudo, as suposições e ilações feitas estão sendo desmentidas. Toda a criação de gado do produtor foi feita em fazendas que não tinham restrições para a atividade agropecuária, tanto que a Fazenda Curuá já possuía e ainda tem certidão de regularidade do próprio Ibama. Mesmo após a deflagração da operação Rios Voadores, não existe qualquer denúncia formal sobre a existência de trabalho análogo à escravidão em relação às pessoas envolvidas com a criação de gado. Também não existe e tampouco foi encontrado gado registrado em nome de Antônio José Junqueira Vilela criado em áreas embargadas. Sobre a denúncia de trabalho análogo à escravidão, Antônio José Junqueira Vilela esclarece que em toda sua vida profissional já empregou e contratou centenas de funcionários e nunca sequer foi condenado por qualquer processo trabalhista. As fazendas do produtor rural nunca foram incluídas em listas de trabalho escravo. Também nunca existiu denúncia no Ministério do Trabalho e nem sequer ação trabalhista dos funcionários apontados como “escravos”. Quanto às demais acusações, por se basearem em perícias errôneas, escutas telefônicas fora de contexto e ilações fantasiosas, estão caindo uma a uma na Justiça. O Ibama já reconheceu um dos seus muitos erros e cancelou multas ambientais expressivas. No mesmo sentido, em outro equívoco, o Ibama apontava como sendo de “laranjas” áreas desmatadas que posteriormente foram reconhecidas pela Justiça como terras...

“Eu fui escravo na fazenda Brasil Verde”

Há vinte anos Francisco Meireles foi resgatado em condição de trabalho escravo na fazenda Brasil Verde, no Pará. A promessa de trabalho que o fez sair do Piauí era boa. Teria salário com carteira assinada para cuidar do gado e roçar. “Mas não foi o que aconteceu”, diz. Francisco soube que o caso prescreveu no Brasil, mas não que entidades de direitos humanos levaram o caso a tribunais internacionais nem que, no final do ano passado, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil a ressarcir os trabalhadores resgatados. A descoberta veio pela internet, quando o irmão de Meireles mostrou a ele o especial multimídia “Eu Fui Escravo”, publicado em maio deste ano pela Repórter Brasil.  Ali, Meireles reconheceu os amigos e a própria história. “Nem acreditei quando reconheci meus colegas nas fotos da reportagem. Eu fui escravo na fazenda Brasil Verde também”, disse Francisco Meireles, 38 anos, por telefone, sobre como descobriu que os dias de violência que sofreu não ficaram impunes. As fotos que Meireles menciona são de trabalhadores resgatados na fazenda Brasil Verde em 2000 e de familiares. A partir dos protagonistas da Brasil Verde, a Repórter Brasil mostrou as histórias de um país que não superou o combate ao crime.   “Vi e lembrei de tudo. Os fiscais (funcionários da fazenda) vigiavam a gente o tempo todo, sempre armados. Não deixavam ninguém sair”, diz sobre “as memórias feias” guardadas. “Para acordar a gente, o fiscal cutucava nosso pé com um tição de fogo. Não tem como esquecer o que vivi lá.” Meireles pediu ajuda à Repórter Brasil pelas redes sociais. Mandou fotos da carteira de trabalho, onde o nome do...

JBS comprou de fazendas flagradas com trabalho escravo e desmatamento ilegal

A JBS comprou gado de fazendas que foram flagradas com trabalho escravo contemporâneo e desmatamento ilegal. A revelação foi feita por investigação da Repórter Brasil em parceria com o jornal britânico The Guardian e levou o mercado inglês Waitrose, sétimo maior da Inglaterra, a retirar a carne da empresa brasileira de suas prateleiras. A Inglaterra é um dos 150 países que importam carne da JBS. A reportagem rastreou a carne da empresa brasileira em alguns dos maiores mercados do Reino Unido, como o Waitrose, Sainsbury’s, Marks & Spencer, Co-Op, Lidl e Princes. Alguns deles vendem a carne brasileira em latas que levam a marca do próprio mercado. O NHS, sistema de saúde público britânico, também tem fornecedor que compra da empresa brasileira. As violações foram cometidas por fornecedores da JBS no Pará. A empresa alega ter parado de comprar dos fornecedores assim que as informações vieram a público (leia resposta na íntegra). O caso de trabalho escravo entre fornecedores da empresa foi flagrado em fazenda de gado fiscalizada pela operação Rios Voadores em 2015. A equipe, formada por Ibama, Ministério Público Federal e Polícia Federal, encontrou trabalhadores dormindo em barracos sem paredes, portas ou qualquer proteção contra insetos ou cobras – muito comuns na região próxima à mata fechada. A água para beber era retirada do mesmo rio onde os bois bebiam e defecavam. Não havia geladeira ou condições mínimas de higiene para manter a comida. O quadro foi caracterizado como trabalho análogo ao de escravo na denúncia feita pelo Ministério Público Federal, onde consta ainda a existência da escravidão por dívida. Os custos da alimentação e dos poucos...

Resposta da Sainsbury’s

Declaração do porta-voz da empresa: “We’re very open about our ethical trade standards and commitments to sustainability, and always expect our suppliers to adhere to our Code of Conduct for Ethical Trade” Ainda, em resposta às alegações, recebemos da Sainsbury’s, o seguinte complemento: “All of our suppliers have to adhere to our ethical standards and follow our Code of Conduct for Ethical Trade. Our code covers key principles including guaranteeing the local minimum wage, providing a safe workplace, no use of forced or child labour, voluntary overtime and ensuring workers are not discriminated against or harassed. All Sainsbury’s suppliers are regularly required to show compliance with our Code of Conduct for Ethical Trade (built on the ETI Base Code) and to provide evidence of continuous improvements in worker welfare. We take our suppliers’ approach to trade very seriously and believe that by working collaboratively with suppliers and their supply chains, we’re better able to influence positive change. We’re also committed to ensuring our own brand products will not contribute to global deforestation by 2020. We’ve already made significant progress and geographically restrict the sites we source from in Brazil.”   Leia a íntegra da reportagem em: “JBS comprou de fazendas flagradas com trabalho escravo e desmatamento ilegal”...

Respostas da JBS

Respostas às perguntas enviadas pela Repórter Brasil em parceria com o The Guardian: Repórter Brasil — Operation Rios Voadores revealed that, in 2013, JBS bought cattle from the Curuá farm, from Altamira (PA), on behalf of Ana Paula Junqueira. This is the same farm where slave labour was detected during an operation undertaken by the Federal Public Ministry. How does the company justify the purchase of cattle reared using this criminal practice? JBS — The Curuá farm has never been included in the Ministry of Labor’s ‘black list’ for slave labour. As stated at the time, as soon as JBS became aware of irregularities in the Curuá farm’s operations in 2016, all livestock purchases from the Ana Paula Junqueira family were immediately stopped. As previously detailed, JBS does not buy cattle from any farms which have any association with slave labour, as listed by the Brazilian government and updates all of the information contained in the list of areas embargoed by IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Brazilian Environmental Agency) and the Ministry of Labor’s ‘black list’ of slave labour on a daily basis. Repórter Brasil — Operation Rios Voadores revealed that JBS bought cattle from Antônio Junqueira Vilela and Ana Paula Junqueira Vilela, which, according to public data provided by IBAMA, included areas embargoed for environmental crimes. Why, even with access to this information, did the company continue to buy livestock from these owners? JBS — This is an issue that surfaced several years ago and was swiftly dealt with at that time. In 2013, JBS purchased cattle from Ana Paula Junqueira Vilela’s...