Resposta da JBS

Respostas da assessoria de imprensa da JBS aos questionamentos da Repórter Brasil sobre a reportagem “Da fazenda ao frigorífico: a cadeia de problemas trabalhistas na JBS”. As manifestações da empresa estão em itálico: TRANSPORTE – O trabalhador Romero José da Costa (ex-motorista da JBS na cidade de São Luiz de Montes Belos) alega que fazia jornadas de 18 a 20 horas por dia durante os 17 anos em que trabalhou nos grupos Bertin e JBS. A JBS confirma essa informação? – Como a empresa controla o sistema de trabalho dos motoristas para evitar que eles sejam obrigados a fazer jornadas exaustivas, colocando sua via e a de outros em risco? – O motorista relata que, hoje, sofre de estreitamento da coluna, hérnia de disco, bico de papagaio e problemas de insônia, problemas que teriam sido desenvolvidos devido o trabalho para a JBS. A empresa reconhece esses problemas? – O motorista se envolveu em dois acidentes na estrada enquanto trabalhava, um deles enquanto quando era funcionário da Bertin e outro como funcionário da JBS. Ele alega que a empresa nunca o ajudou com advogado ou qualquer outro custo. A empresa o auxiliou nesses acidentes? Se sim, de que forma? A JBS informa que as alegações de jornada do ex-funcionário Romero José da Costa estão em discussão judicial. A empresa reitera que cumpre a legislação, adotando rigoroso sistema de controle de jornada de trabalho, que propicia aferição das jornadas, das folgas e de todos os intervalos, evitando longas viagens, bem como risco à saúde e segurança do motorista e terceiros que transitam pelas estradas. A empresa vem investindo fortemente para que todas...
Da fazenda ao frigorífico: a cadeia de problemas trabalhistas na JBS

Da fazenda ao frigorífico: a cadeia de problemas trabalhistas na JBS

Da fazenda ao curtume, trabalhadores ligados à JBS queixam-se do desrespeito a direitos básicos em todas as etapas da indústria da carne. Na semana passada, em 15 de julho, essas condições de trabalho viraram caso de polícia em Santa Catarina. Determinado pelo Ministério Público do Trabalho, o inquérito conduzido pela Polícia Federal irá investigar a submissão de trabalhadores à condição análoga a de escravo, jornadas exaustivas, lesão corporal e exposição dos funcionários a graves riscos devido às condições de um frigorífico em São José, na grande Florianópolis. Os problemas trabalhistas não se resumem a uma ou outra etapa da produção da JBS, a maior produtora de proteína animal do mundo, que registrou lucro líquido de R$ 4,6 bilhões em 2015. A Repórter Brasil ouviu, em três estados do país, vaqueiros em fazendas, caminhoneiros da empresa, além de empregados de frigoríficos e curtumes – onde o couro dos bois é tratado. As denúncias não são restritas a violações à legislação trabalhista. Todos os entrevistados enfatizam a falta de apoio da JBS, mesmo após acidentes graves e doenças ocupacionais. Clique nas fotos para conhecer as condições de trabalho em cada etapa de produção do gado e do couro da JBS: Essa reportagem faz parte de uma investigação da Repórter Brasil sobre  a indústria da carne e do couro no Brasil. Confira novas reportagens na semana que vem. Frigorífico “A vida dele não tem preço” Andreza Ventura da Silva perdeu o marido há cinco anos. Trabalhador do frigorífico da JBS em Lins, interior de São Paulo, Luís André de Oliveira morreu dentro de uma câmara fria, área de armazenamento de carnes onde...

Repórter Brasil faz seleção de estagiários de design e edição de vídeos

A ONG Repórter Brasil está selecionando dois (2) estagiários(as) para a Agência de Notícias da organização, com carga horária de trabalho de 30 horas semanais, seguindo as diretrizes da legislação. As vagas podem ser conferidas abaixo. Vaga 1 : Estagiário de produção e edição de vídeo Requisitos mínimos: – Graduando a partir do 2° ano de cursos de comunicação social ou humanidades – Domínio de programas de edição de vídeo, especialmente Adobe Premiere e After Effects (desejável) – Domínio de operação de câmeras de filmagem – Interesse por temáticas trabalhistas, socioambientais e de direitos humanos – Capacidade de cumprir prazos Vaga 2 : Estagiário de design Requisitos mínimos: – Graduando a partir do 2° ano de cursos de comunicação social, design ou arquitetura – Domínio de programas como Photoshop e Illustrator – Interesse por temáticas trabalhistas, socioambientais e de direitos humanos – Familiaridade com canais de comunicação, como site e redes sociais – Capacidade de cumprir prazos Os(as) estagiário(as) darão suporte para a equipe de produção de conteúdo jornalístico e educativo da Repórter Brasil. O período de estágio é de quatro meses, a partir de agosto de 2016, e a bolsa oferecida é de R$ 1.300,00 (hum mil e trezentos reais), valor bruto, mais auxílio transporte. Aos interessados, favor enviar currículo, com telefone para possível entrevista, para o endereço estagiorb2016@gmail.com com os assuntos “Estagiário – AV” ou “Estagiário – Design”, até dia 22 de julho de 2016, sexta-feira. Confira abaixo os editais completos das duas vagas de estágio: Estagiário de Design Estagiário de...
A árdua tarefa de pôr o frango na caixa

A árdua tarefa de pôr o frango na caixa

Todos os dias, aproximadamente 15 milhões de frangos são transportados no Brasil das fazendas para o abate em frigoríficos. O trajeto é feito por caminhões com centenas de caixas empilhadas, cada uma delas contendo algo entre sete e dez aves. Colocar os frangos nessas caixas – e, posteriormente, as caixas em cima dos caminhões – é uma tarefa árdua, realizada por equipes que percorrem rodovias e estradas de terra a bordo de pequenas vans. Num único dia de labuta, cada uma dessas equipes, compostas por cerca de dez trabalhadores cada, visita diversas propriedades e é facilmente responsável pela apanha de mais de 50 mil animais. Ausência de carteira assinada, jornadas excessivas – inclusive às madrugadas – e condições insalubres são apenas alguns dos problemas comumente enfrentados pelos milhares de trabalhadores que se dedicam à atividade, na qual já foram inclusive flagradas situações de escravidão contemporânea. “Dentro da nossa categoria, é o pessoal mais explorado”, avalia Siderlei de Oliveira, presidente da Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação (Contac/CUT). A precária situação laboral dos apanhadores de frango é um dos temas centrais tratados no segundo número do Monitor, boletim que divulga periodicamente os estudos setoriais e de cadeia produtiva da Repórter Brasil. Em “A indústria do frango no Brasil”, o leitor também encontrará análises sobre a situação dos integrados e o problema das doenças ocupacionais que acometem os trabalhadores no setor. Em 2015, o Brasil ultrapassou a China e se tornou o segundo maior produtor mundial de carne de frango, atrás apenas dos Estados Unidos. No comércio internacional desse produto, porém, o país já é há algum tempo...

Nota da Brooksfield Donna

A Brooksfield Donna, marca da Via Veneto, enviou uma segunda nota à Repórter Brasil referente à reportagem Brooksfield Donna, marca da Via Veneto, é flagrada com trabalho escravo no dia 23/06/2016. Leia a íntegra abaixo: Sobre a ação do Ministério do Trabalho e Emprego, relacionada a irregularidades apuradas em uma oficina subcontratada da MDS Confecções, a Brooksfield Donna esclarece: 1 –  Em 12 de maio, a empresa foi informada sobre a fiscalização em uma oficina subcontratada da MDS Confecções. A Brooksfield Donna esteve desde o início à disposição do Ministério do Trabalho e Emprego e repudia o não cumprimento de normas trabalhistas em qualquer fase da cadeia de produção. 2 – O contrato de fornecimento de peças de vestuário da Brooksfield Donna com a MDS proíbe qualquer tipo de subcontratação da produção. Todos os fornecedores da companhia assinam contrato em que se comprometem a cumprir a legislação trabalhista vigente. 3 – Desde que foi notificada sobre a fiscalização, a Brooksfield Donna cancelou todos os pedidos para a MDS Confecções. 4 – A MDS é certificada pela Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), que audita as condições de trabalho. O certificado de conformidade mais recente da MDS Confecções é válido até 15 de setembro de 2016. A Brooksfield Donna exige ainda documentação atualizada, de acordo com a legislação vigente, de todos os seus fornecedores. 5 –  A Brooksfield Donna tem uma história de ética e correção e manifesta seu repúdio a qualquer tipo de transgressão às leis trabalhistas brasileiras e ao descumprimento, por parte de fornecedores, de regras estipuladas em contrato. A companhia está à disposição para mais esclarecimentos. Brooksfield...

Brooksfield Donna, marca da Via Veneto, é flagrada com trabalho escravo

O mesmo tecido que estampa a capa da página da Brooksfield Donna no Facebook estava sobre mesas de uma precária oficina de costura na zona leste de São Paulo no começo de maio. Na rede social, o tecido vestia o corpo de uma modelo loira, magra e alta. Na periferia de São Paulo, ele era costurado por cinco bolivianos que trabalhavam ao menos 12 horas por dia, sete dias por semana, e moravam dentro do local de trabalho. A Brooksfield Donna, marca feminina de luxo do grupo Via Veneto, produziu peças com mão de obra análoga à de escravo, de acordo com auditoria do Ministério do Trabalho e Previdência Social realizada no dia 6 de maio. A empresa nega ter qualquer responsabilidade sobre os trabalhadores encontrados. Na casa onde a oficina estava instalada, não havia extintores de incêndio, as instalações elétricas eram precárias e improvisadas, e o chão acumulava pilhas de tecidos, formando um cenário de fácil combustão onde a única porta de saída permanecia trancada. Um dos cinco trabalhadores era uma adolescente de 14 anos. Dentro da oficina, os fiscais encontraram outras duas crianças. O forte odor também escancarava as condições precárias de higiene, segundo os auditores fiscais. A ausência de papel higiênico, colchões dentro da cozinha e a falta de limpeza do local também agravavam a insalubridade. Segundo os auditores, “as condições de segurança e saúde eram inexistentes, tanto nos locais de trabalho, como nos locais de moradia.” Um dos cinco trabalhadores era uma adolescente de 14 anos, filha do dono da oficina, Felix Gonzalo, que também foi encontrada na mesma situação. Segundo os auditores, a adolescente não poderia...