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Em abril, o MPT (Ministério Público do Trabalho) iniciou uma ação judicial milionária contra a JBS, o maior frigorífico do país, após a identificação de casos de trabalho escravo praticados por fazendeiros de sua rede de fornecedores. Além de exigir o pagamento de R$ 118,9 milhões por danos morais infligidos aos trabalhadores, o órgão pede que a empresa seja obrigada a adotar medidas para evitar que situações semelhantes se repitam.
Essa ação, ao menos na forma como foi concebida, não existiria sem a Repórter Brasil. Cinco dos sete casos elencados no processo judicial que conecta pecuaristas aos abatedouros da JBS foram originalmente revelados em nossas publicações.
Não foi a primeira vez – e certamente não será a última – que as investigações da Repórter Brasil impulsionaram ações de combate a crimes em cadeias produtivas. Há quatro anos, por exemplo, seis supermercados europeus anunciaram a suspensão da venda de carnes brasileiras associadas ao desmatamento ilegal após revelarmos como suas importações estavam conectadas ao problema.
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O caso ganhou ampla repercussão internacional e contribuiu para a concessão do Prêmio Goldman, conhecido como o “Nobel do ambientalismo”, ao secretário-executivo da organização, Marcel Gomes, pelo exercício do jornalismo investigativo em defesa do meio ambiente.
No século XIX, integrantes do movimento abolicionista já demonstravam a importância das pressões econômicas para alcançar avanços políticos. Isso se traduziu não apenas em campanhas pelo boicote a produtos feitos com mão de obra escravizada nas Américas, como açúcar e algodão, mas também em ações voltadas contra diversos outros setores que, de uma forma ou de outra, lucravam com o regime escravista.
Entre eles estavam os comerciantes de manufaturas de troca – tecidos, pólvora, bebidas alcoólicas etc. – utilizadas para comprar pessoas escravizadas na África, além das companhias de seguro que cobriam as embarcações negreiras.
Quase 200 anos depois, o princípio de uma “guerra total” contra os lucros oriundos de atividades predatórias continua sendo uma inspiração e parte do DNA da Repórter Brasil. Fomos pioneiros em denunciar como, em pleno século XXI, grandes empresas ainda firmavam apólices para segurar plantios em áreas desmatadas ilegalmente, sobrepostas a terras indígenas ou mesmo onde foi flagrado o uso de mão de obra análoga à escravidão.
No ano passado, após diversos alertas em nossos relatórios e reportagens, o governo federal finalmente publicou regras exigindo que seguradoras evitassem novos contratos com infratores desse tipo para terem acesso aos subsídios públicos que sustentam o seguro rural no Brasil.
Também mostramos como escavadeiras e outros equipamentos fabricados por algumas das maiores indústrias de máquinas agrícolas do mundo eram empregados, sem nenhum tipo de controle, em garimpos clandestinos na Amazônia – tema que apenas recentemente passou a ser alvo de medidas voltadas ao monitoramento da venda e da circulação de máquinas em áreas de risco.
Mas o trabalho da Repórter Brasil não se encerra com a publicação de denúncias como essas. Por meio de seu programa de Pesquisa e Impacto Social, participamos de coalizões e atuamos em parceria com outras organizações para que os diagnósticos dos problemas sociais e ambientais revelados por nossas investigações cheguem aos interlocutores capazes de promover mudanças efetivas em políticas públicas e práticas corporativas.
Ao completar 25 anos, esperamos continuar atuando dessa forma para contribuir com a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e democrática, comprometida com o respeito ao meio ambiente e aos direitos humanos.
25 anos investigando para mudar.
A Repórter Brasil já ajudou a impulsionar leis, fortalecer direitos e combater o trabalho escravo.
Em 2026, fazemos 25 anos — e vem muito mais por aí!