Celebrado em 1º de maio, o Dia do Trabalhador nasceu no século 19 a partir da mobilização de trabalhadores por condições de trabalho decentes. Mais de um século depois, a luta segue atual, uma vez que a pior forma de exploração desses direitos ainda persiste: o trabalho escravo. Nos últimos cinco anos, cerca de sete pessoas foram resgatadas por dia no Brasil, em média.
Dados do projeto Perfil Resgatado, da Repórter Brasil, mostram que o problema não está diminuindo. Entre 2016 e 2020, 5.444 pessoas foram resgatadas do trabalho escravo no país. Já entre 2021 e 2025, esse número salta para 12.665 pessoas – mais que o dobro (133%).
Parte da diferença está ligada às condições de fiscalização. Em 2017, quando o orçamento da Inspeção do Trabalho caiu para menos da metade do que era em 2014, e em 2020, marcado pela pandemia de Covid-19, foram registrados os menores números do último decênio: 579 e 809 pessoas resgatadas, respectivamente. A redução da capacidade de inspeção nesses anos impacta diretamente nos dados.
Já a alta no último quinquênio não se explica apenas pela retomada das fiscalizações. Ela também aponta para o agravamento do problema. Setores historicamente campeões em trabalho escravo, como cana-de-açúcar, construção civil e produção de carvão vegetal, voltaram a registrar aumento de casos, após diminuição no período anterior.
