#153 – Casos de trabalho escravo no milho

O milho é o protagonista absoluto das comidas típicas que ocupam as fartas mesas das festas juninas no Brasil. No entanto, quando olhamos para as condições de trabalho relacionadas à sua produção, há registros de exploração laboral.

Entre 2001 e 2024 foram registrados 30 casos de trabalho escravo no cultivo do grão no país, resultando no resgate de 785 trabalhadores. O estado do Pará concentra o maior número de casos e de vítimas, seguido por Mato Grosso e Minas Gerais*.

O milho é uma commodity de enorme relevância para a economia brasileira. O país é o terceiro maior produtor e o maior exportador mundial do grão**, que abastece mercados de rações, biocombustíveis e alimentos processados. Entretanto, assim como ocorre com outras cadeias agrícolas de exportação, o crescimento da produção não se traduz, necessariamente, em melhores condições para os trabalhadores que estão na base do sistema produtivo.

No conjunto das atividades econômicas, o trabalho em lavouras ocupa a segunda posição no ranking geral de casos de trabalho escravo no Brasil, totalizando 764 registros, ficando atrás apenas da pecuária, com 1.140 casos. E, entre as lavouras, o cultivo do milho ocupa a quarta posição, precedido pelo café (193 casos), cana-de-açúcar (109 casos) e soja (104 casos).

Assim, enquanto sua produção move bilhões de dólares e concentra os lucros nas mãos de grandes empresas e acionistas, os trabalhadores que plantam, cultivam e colhem o grão, muitas vezes, sequer têm acesso a direitos básicos. Faltam-lhes jornadas de trabalho decentes, moradia e alimentação adequadas, e liberdade de ir e vir. Essas violações estão entre os indicadores que caracterizam o trabalho escravo, previsto no artigo 149 do Código Penal brasileiro. 

* Dados do projeto Perfil Resgatado, da ONG Repórter Brasil, a partir de dados do Ministério do Trabalho e Emprego. 

** FONTE: Embrapa, disponível em https://www.embrapa.br/agropensa/agro-em-dados/agricultura/milho 

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