Ao longo de 2026, a Repórter Brasil previne o trabalho escravo e o tráfico de pessoas na região do Tapajós, por meio da formação de profissionais das redes públicas da Educação, Assistência Social e Saúde. O objetivo é prepará-los para identificar esses crimes, além de ampliar e qualificar o atendimento às vítimas.
A iniciativa tem o apoio do Ministério Público do Trabalho e do UNODC (Escritório das Nações Unidas Sobre Drogas e Crime) e conta com a parceria do Ministério da Saúde, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Ministério do Trabalho e Emprego e Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará.
Os projetos são implementados em equipamentos públicos, como escolas, UBS, CRAS e CREAS, principalmente nos municípios de Itaituba, Santarém, Jacareacanga, Rurópolis, Trairão e Placas. A ação de prevenção da Repórter Brasil envolve ao todo 25 municípios da região do Tapajós.
Na região, os casos de trabalho escravo são encontrados principalmente no garimpo. Segundo dados da Repórter Brasil*, entre 2008 e 2025, seis estados da Amazônia Legal (PA, MT, AP, TO, AM e RO) registraram 36 ocorrências nessa atividade. Ao todo, foram resgatados 328 trabalhadores. O Pará lidera esse ranking, com 25 casos registrados.
A maioria dos trabalhadores resgatados é composta por homens (95%), pessoas negras (94%) e indivíduos com baixa escolaridade: 56% são analfabetos ou estudaram apenas até os anos iniciais do ensino fundamental. Contudo, é preciso destacar que muitas mulheres são traficadas para as regiões garimpeiras para serem exploradas e atividades sexuais e domésticas.
A prevenção do trabalho escravo passa necessariamente por ações educacionais, por isso a Repórter Brasil tem formado educadores de 79 escolas de 25 municípios da região. Até então, quase 55 mil pessoas foram envolvidas nos projetos educacionais desenvolvidos por educadores e estudantes, sob a coordenação das Diretorias Regionais de Educação da Seduc-PA de Altamira, Itaituba, Monte Alegre, Óbidos e Santarém.
Já os profissionais da Saúde têm papel relevante para a prevenção do trabalho escravo, porque podem identificar situações de exploração laboral a partir de enfermidades, acidentes e sintomas diagnosticados no atendimento a trabalhadores. O primeiro módulo contou com 41 gestores e técnicos de unidades de atendimento, secretarias municipais de Saúde e Cerest (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador). Com esses profissionais, o percurso formativo terá mais dois módulos no segundo semestre de 2026.
Por fim, a Assistência Social é uma das políticas mais relevantes para o atendimento de trabalhadores egressos do trabalho escravo, pois seus profissionais podem realizar denúncias a autoridades competentes, acolher vítimas e encaminhá-las para os serviços e programas adequados ao seu perfil. Nesta edição, a Repórter Brasil realizou a formação para 33 profissionais do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), de 13 unidades de atendimento, como CRAS e CREAS, além de gestores e técnicos de secretarias municipais da rede socioassistencial do Tapajós As próximas formações para os agentes do SUAS também acontecerão até o final do ano.
Em ambos os projetos, os profissionais formados formarão equipes locais sobre os temas abordados e elaborar planos de ação para fortalecer a prevenção e o atendimento às vítimas e trabalhadores vulneráveis ao trabalho escravo e ao tráfico de pessoas, ampliando a rede de assistência ao final de 2026.
*Fonte: Projeto Perfil Resgatado, da Repórter Brasil, a partir de dados do MTE.