Às vésperas do início da Copa do Mundo de futebol masculino, a situação política está crítica no México, um dos países-sede. Professores e funcionários públicos de todo o país estão em greve geral, em protesto contra políticas educacionais e previdenciárias adotadas pelo governo. Na Cidade do México, onde acontecerá a abertura da copa, a tensão trazida pelas manifestações se sobrepõe ao clima de festa e descontração.
Essa situação mostra que sediar megaeventos não é algo que necessariamente traz retorno à população local – pelo contrário: muitas vezes, advêm prejuízos, como aconteceu na edição de 2014 da copa do mundo, sediada no Brasil, quando nove operários morreram na construção de estádios, ou na edição de 2022, ocorrida no Catar, cujos preparativos legaram uma estimativa de pelo menos 6.500 trabalhadores migrantes mortos em situações de trabalho ligadas à preparação do evento.
Assim, embora frequentemente sejam usados pelos governos como algo feito em benefício da população, os megaeventos podem ser muito danosos aos seus países-sede, seja diretamente – na sua montagem e organização –, seja indiretamente – no desvio de recursos que poderiam ser investidos em políticas sociais nos países.
Sob o lema “Se não houver solução, a bola não vai rolar” (em espanhol, “Si no hay solución, no rueda el balón“), em referência às negociações com o governo, os manifestantes mexicanos seguem protestando, e as consequências que isso terá durante a realização da Copa do Mundo ainda são incertas.