#159 – Dia da Amazônia: Trabalho escravo e desmatamento na Amazônia Legal

No Dia Nacional da Amazônia, refletir sobre a preservação da maior floresta tropical do planeta também exige olhar para as dinâmicas humanas que impulsionam sua destruição. Na Amazônia Legal, degradação ambiental e violações de direitos caminham lado a lado, e o trabalho escravo é uma de suas expressões mais graves.

Entre 1995 e 2025, 29.141 trabalhadores foram resgatados do trabalho escravo na Amazônia Legal*, 43% dos 68.390 resgatados em todo o Brasil**. A região também concentrou 40% dos casos registrados no período: 1.518. Os dados revelam a sobreposição entre a exploração do trabalho e as frentes de expansão agropecuária, conhecidas como Arco do Desmatamento.

A pecuária lidera com 62% dos casos e 54% dos trabalhadores resgatados. É seguida pela produção de carvão vegetal (11% dos casos e 8% dos resgatados) e pelo desmatamento (6% e 7%, respectivamente). Juntas, as três atividades respondem por 79% dos casos e 69% dos trabalhadores libertados.

A maioria dos trabalhadores é natural de localidades com baixa oferta de emprego da própria região, marcada pela insegurança fundiária. Em situação de vulnerabilidade social e econômica e, muitas vezes, com baixa escolaridade, essas pessoas acabam submetidas a condições degradantes, jornadas exaustivas, dívidas ilegais e restrição de liberdade.

A exploração atinge principalmente homens (95%) e jovens: 69% têm até 39 anos. Além disso, 68% são negros, 36% são analfabetos e 39% não completaram o 5º ano do Ensino Fundamental. As mulheres, que representam 5% dos resgatados, também estão inseridas nessa mesma lógica de exploração: 61% foram encontradas na pecuária, 14% no carvão vegetal e 3% no desmatamento.

*Fazem parte da Amazônia Legal os estados do Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima, Pará, Mato Grosso, Tocantins e parte do Maranhão.

**Fonte: Projeto Perfil Resgatado, da Repórter Brasil, a partir de dados do MTE.

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